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2012

Médico é pra quem está doente

por Nanda

Apesar de ser filha de pediatra alopata, nunca passou pela minha cabeça tratar meu filho com alopatia. Quando me descobri grávida, só conseguia manter uma refeição no estômago graças a um remédio anti-enjôocuja eficácia eu nunca comprovei, uma vez que acordava, tomava o remédio, comia e voltava a dormir – o remédio funcionava ou ele só me fazia dormir e não vomitar? Preocupada com o bebê, fui a um homeopata, já no final do período crítico de enjôos. Foi o começo de Benjamin na homeopatia.

Após uma única doença que o fez entrar no antibiótico, Benjamin seguia firme e forte nas gotinhas a álcool 10%. Mas aí paramos de dar o remédio, que vencia muito rápido e eu acabava jogando fora mais da metade do frasco. E não vimos nenhuma doença. E paramos de ir à médica. Não necessariamente nessa mesma ordem, nem uma coisa relacionada à outra. Eu sempre vi a homeopatia como um tratamento contínuo, não somente uma coisa que se procura nas doenças. Se o tratamento contínuo não estava fazendo falta ao meu filho, talvez seu devesse dar mais tempo para que seu “ponto fraco” fosse realmente descoberto. Ou talvez não exista isso de “ponto fraco”. A última consulta de “rotina” à qual meu filho compareceu foi há quase 2 anos atrás. Ele completa 3 no próximo mês.

Eu sempre questionei essas consultas de rotina, apesar de não faltar a nenhuma do primeiro ano. Pesar, medir, orientar. Parece-me que os cuidadores estão de tal forma desconectados com seus bebês que é necessário a intervenção médica para garantir que seu próprio filho está no peso ideal, se desenvolvendo corretamente. É na sala de espera dos consultórios pediátricos onde se ouve o maior número de conversas do tipo “o meu é melhor que o seu” ou vice-versa. Mães e pais que, em vez de usar a convivência entre as crianças para que elas aprendam umas com as outras e desenvolvam-se dentro do esperado, fazem dessa interação uma competição e comparação eternas.

Eu concordo que os pediatras são extremamente importantes, mas acho que mais importante do que eles são os pais, que muitas vezes acabam deixando de prestar atenção ao filho para ficar de olho em tabelas e curvas de crescimento. Estou perfeitamente ciente de que a maior preocupação de alguém que tem filhos é a saúde e o bem-estar dos mesmos, e que levar ao pediatra é uma maneira de assegurar essa saúde e esse bem-estar. Nenhum pai vai errar intencionalmente: a intenção é sempre acertar.

Mas veja bem: essa semana vi uma foto no Facebook de um pediatra que passou papinha de bolacha de amido de milho e leite condensado para um bebê de 10 meses. Estou cansada de ouvir casos de pediatra ordenando o desmame, adiantando a introdução da alimentação complementar ou dizendo que não há problema nenhum em oferecer bicos artificiais. Quem liberta-se da Matrix pediátrica tira esse tipo de coisa de letra, mas quantas e quantas pessoas não levam isso a sério?

Ninguém sabe nada de forma inata, nem a maternidade. Tudo o que fazemos é fruto do aprendizado com as figuras maternas que colecionamos ao longo da vida, queiramos nós ou não. Mas com o isolamento das mulheres na sociedade atual, preferimos calar esse aprendizado (muitas vezes por não concordarmos com ele, que já perdeu a sabedoria há umas tantas gerações), e também os nossos instintos. Sentimo-nos mais seguras seguindo as regras que nos são impostas, pelo obstetra, pelo pediatra, pela sociedade.

Se passarmos a observar nossas crianças com mais atenção, passaremos a notar qualquer alteração. De humor, de crescimento, de saúde. Saberemos quando é necessária a ida ao médico.  Aqui, a solução dos nossos problemas foi levar Benjamin somente quando ele está doente. Não temos mais um médico “de confiança”, um pediatra “de rotina”, pois médicos não fazem parte da nossa rotina, ainda bem. Agora, na minha cabeça, médico é para quem está doente. Talvez seja mais fácil com uma criança já crescida, que é capaz de me informar exatamente aonde e o quanto está doendo. Mas penso que quando tiver outro filho, continuarei seguindo minha intuição. E vocês, com que frequência levam @s filh@s ao pediatra?


15 comentários no post “Médico é pra quem está doente”

  1. Clara disse:

    Tema ótimo esse. Mas não acho que quem está na matrix pediatrica quer sair dela. Obedecer e delegar é tão mais fácil, culpar o médico pelos erros tb.

    Eu tenho tanto medo dos médicos de plantão que levo a cada dois meses em uma pediatra com pé na homeopatia que gosto só para poder ligar para ela quando houver uma emergência. Minhas visitas são pura conversa de comadre e qdo o baby teve uma laringite de tosse seca e feia foi bom não precisar fazer nenhum exame, especialmente o de sangue, e sair só com um remédio fitoterápico debaixo do braço… Valeu cada segundo gasto com a visita de rotina.

    Mas não entendo quem obedece médico. Cadê o empoderamento? Ficou para trás no parto ou nunca existiu, e o parto foi um evento de sorte?

    1. Nanda disse:

      Clara, eu acho que quem se empodera no parto, sai da matrix obstétrica, dificilmente permanecerá por muito tempo na matrix pediátrica. O grande problema é que muita gente consulta homeopata e acha que isso é sair da matrix pediátrica, não sabe pra que serve o remédio que está dando, mas dá mesmo assim.
      Como eu não tenho um médico de confiança, pra mim não dá a visita como conversa de comadre. É melhor não ir do que ir e passar raiva, não é?
      Bjs!

  2. Edna Mello disse:

    Aqui em Macapá existe uma dificuldade muito grande em achar pediatras medianos (bom mesmo é bem dificil, e nao aceita meu plano de saúde). Assim sendo, desisti a um tempo atras de levar minha filha pras “consultas de rotina”, e um pouco antes, havia ficado temerosa e desistido tb da vacinação (só dou a da gotinha mesmo, e isso penso muito antes). E tenho ficado bem com essa escolha. Adorei o texto.

    1. Nanda disse:

      Aqui também não vacinamos. Antes eu ficava mais segura com essa decisão, por estar protegendo o organismo dele com a homeopatia. Agora fico um tantinho mais temerosa, mas ainda mais temerosa com a vacinação do que com a não-vacinação… ;)
      Aqui também não consigo marcar um pediatra bacana. O “melhor” (o popstar, que dá entrevistas e aparece na TV) é caríssimo e eu simplesmente não simpatizo com ele. Outra boa é do plano, mas não abre mais para novos pacientes (como ela é neonatalogista, só pega novos pacientes cujo parto ela assiste). Mas quer saber? Nem procuro com tanto afinco assim. Estamos muito bem como estamos, não é?
      Bjs

  3. Priscila disse:

    Eu levo só quando uma delas tem febre ou alguma dor.
    Tenho uma filha de 4 e outra de 1 ano. Esses dias liguei e perguntei pra ele sobre o vermífugo, pois a menor nunca tinha tomado.
    Mas tb. não levo por qualuqer coisa, acho mais perigoso pegar alguma coisa lá que tem crianças de fato doentes do que em casa conosco.
    Abraço

    1. Nanda disse:

      Priscila, eu tive que pedir vermífugo pro meu filho tb. Comprei e acabei não dando! Comecei a dar um vermífugo caseiro que era meio chatinho de preparar (envolvia tostar e moer uma série de sementes, fazer uma espécie de balinha) e acabei percebendo que ele comia todos os alimentos naturalmente vermífugos no dia-a-dia. Tá aqui, sem vermífugo e sem vermes! ;)
      Na pediatra do Benjamin eu nunca vi uma criança doente sequer, só haviam crianças para consulta de rotina… Hehe.
      Bjs

      1. Priscila disse:

        Pois é eu não dei ainda… não gosto de dar remédios.
        Como é esse remédio difícil de fazer?
        Abraço

  4. Mariana disse:

    Gostei do tema!
    Por favor, será que você poderia nos explicar melhor a homeopatia, os denominados ‘pontos fracos’, a questão das vacinas, o fato do remédio ter de ser tomado todos os dias. Sei que existem muitos sites onde eu posso encontrar mais informações, mas conhecer a versão da mãe é muito melhor!!
    E outra coisa, como seu pai reage ao fato de não ser o médico do neto?
    Parabéns, Nanda!

    1. Nanda disse:

      Mariana, eu não sou expert em homeopatia não, viu? Hehe… O que eu sei é que algumas pessoas recorrem à homeopatia esperando que ela funcione como a alopatia, então querem remédio pra febre, remédio pra isso e para aquilo, e não é bem assim. A homeopatia trabalha o paciente, não a doença. Então cada consulta é uma conversa para saber o que houve na vida do paciente, o que se manifestou, como se manifestou, e assim são identificados os pontos fracos no organismo a serem fortalecidos com o medicamento diário. Para doenças específicas existe a homeopatia unicista, que é somente uma dose, Benjamin tomou alguns medicamentos de dose única quando teve uma virose mais forte.
      Como é um trabalho de fortalecimento do organismo, o remédio é diário. Para crianças e bebês não se usa aquela bolinha que é puro açúcar, mas sim o remédio no álcool a 10%, Benjamin tomava 5 gotas de manhã e 5 à noite, e em caso de febre tomava 5 gotas a cada 20 minutos, e havia um medicamento específico para febres altas (ele fazia febres de 41º, não estou brincando). Quanto às vacinas, alguns homeopatas não abrem mão delas. A minha não abria, mas eu não dei mesmo assim. A vacina é quase uma anti-homeopatia, uma vez que não dá ao organismo a chance de combater aquela doença, minando assim o sistema imunológico…
      Ah! E a pediatra era minha mãe, ela já faleceu! E mesmo que estivesse viva, ela morava em outra cidade, não seria pediatra dele mesmo assim! Hehe… Mas acho que ela respeitaria minhas decisões, ou então viveríamos em pé de guerra!
      Bjs

  5. Carol Flor disse:

    Só quando doentes e olhe lá!!! E Pronto Socorro, nunca mais!

    1. Nanda disse:

      Ih, pq pronto socorro nunca mais? Aqui eu só levo em pronto-atendimento quando a doença está muito forte e as minhas fitoterapias caseiras não funcionam…
      Bjs

  6. Amei o texo!! Pra mim medico também só quando estão doentes!!!

  7. Izabel disse:

    Gente mas era assim na minha infancia, médico só em casos extremos hehehe
    A paranoia com a “saude” na nossa sociedade é meio maluca e está contaminando as coitadas das crianças

    Agora gente a coisa das vacinas me assusta um pouco eu tomei todas na minha época, todas eram dadas no colégio affffffff era vacina d+++++ kkk

    Como vc´s lidam com isso, porque a midia gera um panico tão grande em torno da vacina que sei lá não sei se eu aguentaria a barra

    Quais são os argumentos para não vacinar?

  8. Dani Romais disse:

    Nanda,
    Eu “tive sorte”, digamos assim, em relacao ao pediatra do Kiyo. Ele eh nosso amigo e respeita muito a nossa posicao em relacao a tudo. Ele inclusive “coloca o pescoco dele na reta” quando aquele parente inoportuno vinha questionar porque o Kiyo “ainda” mamava ou porque nao podia dar esse ou aquele doce. Ele dizia: pode dizer que eu disse que nao pode.
    Entao, nunca tive medo ou receio de levar o Kiyo nas consultas de rotina. Eu ateh gostava, na verdade. Pois a gente podia trocar ideias com o nosso querido amigo.
    Agora que moramos nos EUA, eu levei o Kiyo ao medico 3 vezes. 2 por que ele realmente estava doentinho e 1 por conta de um formulario exigido na escolinha.
    Eu e meu marido aqui optamos por vacinar depois de varias pesquisas e muita conversa com nosso amigo. Nao damos, no entanto, vacina de “campanha” jah que o Kiyo estah saudavel e realmente nao tem necessidade disso.
    No geral, eu concordo contigo. Acho que ir no medico ateh 1 ano eh mais para dar a seguranca a mae (talvez) de primeira viagem. E nao necessariamente para o bem estar do bebe. Eh preciso ter confianca e sentir cumplicidade com o medico pediatra para que essas consultas de rotina virem algo onde se aprende tambem. Eu garanto que eu aprendia muito com as consultas do Kiyo.
    Beijos


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