mar
3
2012
Bons hábitos
por Tata
Uma quinta-feira ensolarada e quente, final do dia. Antes de voltar para casa, saindo da praia, passamos em um famoso restaurante, para comer alguma coisa. Começamos a folhear o cardápio, mostrando às meninas: “olha só: tem esfiha, kibe, beirute…”. Muito atenta, Estrela vê um belo prato de salada e aponta, aos gritos: “essa! essa! eu quero essa salada!!”.
Pois ela pediu, e comeu lambendo os beiços. E não foi só isso: Ana Luz e Chiara, que tinham pedido esfihas e kibes, ao ver o caprichado prato de salada da irmã, não fizeram cerimônia: “eu também quero!!”. Chegaram a brigar por um resto de brócolis que havia ficado no prato. Se contamos, ninguém acredita – e ainda nos acusam de pintar nossas filhas como exemplos de perfeição, porque se alimentam bem e comem de tudo.
No dia seguinte, voltando da praia mais uma vez, voltamos ao mesmo restaurante. Desta vez, fomos mais espertos: já de cara, pedimos uma salada para cada um de nós, e todas foram devoradas muito avidamente, lambendo os beiços. Na mesa ao lado, uma criança menor do que a Chiara, talvez com dois anos recém-completados, traçava um duplo cheeseburguer (ou coisa que o valha) pingando maionese, com direito a batatas fritas e um copão de refrigerante.
A diferença? Exemplo, oferta e hábito. Criança aprende a comer vendo os pais comendo. E aprende a comer, experimentando. Sem esconder ou disfarçar alimentos, permitindo que eles conheçam cada sabor, cada detalhe, saibam bem o que estão comendo, alimentem-se com consciência. Ana Luz, Estrela e Chiara sempre experimentaram de tudo, até mesmo aquilo de que eu ou o pai não gostamos – porque elas têm seus próprios paladares, afinal, e é preciso experimentar para saber se se gosta ou não de alguma coisa. No prato de salada do restaurante, por exemplo, vinha uma elaborada salada de grão de bico – que eu detesto – , e elas devoraram a delas, e a minha também.
A obesidade infantil tem se tornado um problema cada vez mais sério. Crianças têm sido vítimas, cada vez mais precocemente, de doenças crônicas derivadas de maus hábitos alimentares. E ainda assim, mães e pais enchem seus filhos de porcarias com pouco ou nenhum valor nutricional, deixam de oferecer alimentos ricos, saudáveis, nutritivos, apenas porque se deixam levar pelo preconceito de que comida balanceada e saudável não é “comida de criança”.
E não pensem que, aqui, deslizes alimentares são inaceitáveis. De forma alguma. Exatamente porque estamos tranquilos por ter incutido nelas bons hábitos, relaxamos quando a idéia é sair da rotina, sem neuras. Já sabemos que, como diz o ditado, é o hábito que faz o monge.
Alimentação é como todas as coisas da vida: a gente aprende. E para fazer aprender, é preciso saber ensinar.
Imagem daqui
tags: alimentação, aprendendo e ensinando, preconceitos, rotina, Tata





Não sei… O Kevo come religiosamente. Não come de tudo, é verdade, mas bate um pratão de comida todos os dias. Mariles chora pra não comer, e se posta diante do prato de comida, nem lhe toca.
Não é com a esperança de ganhar doces, porque nem tem nada assim aqui em casa…
Jobis,
a Mariles está com quantos anos?
acho que cada criança tem seu tempo. Chiara, por exemplo, até um ano de idade não comia absolutamente nada. quando comia uma colherinha de café, a gente comemorava. nunca estressei. depois de um ano, foi feito mágica: de um dia para o outro, começou a comer – e como o que tinha em casa, em todas as refeições, era uma comida saudável e balanceada, foi a isso que ela se habituou.
a pediatra das meninas costuma dizer que criança que tem comida (saudável) em casa não passa fome. eu acho que é por aí. tem criança que come pouco. se o pouco for balanceado e saudável, beleza.
bj
Nossa, parabéns… é muito bom ver esse tipo de coisas, quero muito que meu filho quando cresça seja assim também e é por isso que me desdobro pra que ele tenha a alimentação mais saudável possível… se depender de exemplo, espero que siga os meus… Eu amo salada e troco qualquer coisa por um pratão bem servido com todos legumes e vegetais possiveis… já meu marido, só come porque obrigo, rs igual criança. Beijos Thais (www.asdeliciasdodudu.blogspot.com)
Thais,
eu acho que o começo você já está fazendo, e um ótimo começo. tendo o exemplo e a oferta, a chance de seu filhote crescer se alimentando bem é grande!
beijo
Kiyo come de tudo tambem e quando vamos em restaurantes os olhares sao os mesmos descritos por voce, Tata. Ha inclusive comentarios do tipo: nossa, ele come salada? Como voces fazem para ele comer isso e aquilo? E nossa resposta sempre eh: a gente oferece!
Nao entendo como as pessoas esperam que seus filhos tenham habitos saudaveis de alimentacao se nao oferecem alimentos saudaveis, e tambem se nao lhes dao o exemplo.
Eu nao sou muito disciplinada em relacao a minha propria alimentacao. Quando estou sozinha na unviversidade tenho que me policiar para nao “cair em tentacao” e sucumbir a uma latinha de refri (que eu sou assumidamente viciada). Essa, eu sei, eh uma batalha minha. No entanto, por conta disso, nao acho que o Kiyo tenha que ser exposto a essas coisas. E assim ele come bem de tudo: desde pizza ateh brocolis, sushi e tabule. A nossa maxima aqui eh: antes de dizer que nao gosta de alguma coisa, precisa ao menos experimenta-la. Nao forcamos a barra. E ele segue batendo 3 pratadas de macarrao com grao de bico e verduras, tabule, frango, abobora assada, sushis… e por causa disso, assim como voce disse, a gente nao esquenta quando saimos da rotina e comemos porcarias em familia.
Beijos,
Dani – longe de ser a perfeicao nutricional…
Dani,
tenho uma amiga que diz: “aqui em casa, somos saudáveis até as oito da noite”.
acho que os deslizes também fazem parte, senão a alimentação vira uma coisa neurótica, engessada. mas esse momento no começo da vida é importante, porque é onde se forma o hábito, e o hábito se carrega pela vida inteira, depois é difícil mudar – não impossível, mas mais trabalhoso.
beijo
Acredito que o hábito e o exemplo façam a diferença para nossos filhos. Mas sei também que a alimentação deles passa por etapas, que acredito eu, fazem parte do desenvolvimento do paladar e das texturas. Helena, até 2 anos comia frutas e não selecionava tanto as verduras, hoje, com 5 anos, tem aversão àquelas, só aceitando uva e banana na versão passas. Come brócolis, couve-flor, alface, beterraba, e ama tomate, os demais legumes come melhor nos souflés e omeletes, ou associados à carnes, como vagem, cenoura e quiabo. São escolhas suas. Há sempre oferta e a observação da nossa alimentação, pais e irmã com 1 ano, com muitos legumes e frutas. Quando comemos na rua, raramente, comemos lanches. Ela gosta de batata-frita, mas sempre negociamos um almoço ou jantar com legumes preparados de forma mais saudável. Meu pecado em relação ao exemplo, é que sou apaixonada por doces.
xará!
eles são indivíduos, né? têm seus gostos, seu paladar. vão desenvolvendo suas preferências, conforme crescem. aqui, vivo isso também: Ana Luz e Estrela já são mais seletivas com frutas do que eram na idade da Chiara, por exemplo. mas não deixaram de comer frutas, apenas escolhem as preferidas – o hábito saudável de comer frutas está estabelecido, e aí cada uma vai ter as que gosta, e as que não. isso é super normal.
bj