fev
29
2012
A Cidade da Criança, uma decepção
por Tata
Ontem, resolvemos fazer um programa que já há tempos pensávamos em fazer com as filhotas: leva-las para um dia na Cidade da Criança, em São Bernardo do Campo, cidade da grande São Paulo. O parque, uma atração antiga da cidade, fundado em 1968 a partir de uma antiga cidade cenográfica da TV Excelsior, virou febre nos anos 70 – eu me lembro de ter visitado quando era criança, e de ter gostado muito –, mas fechou em 2005, depois de alguns anos sem investimentos, com os brinquedos deteriorados. Em janeiro de 2010, após uma renovação e reforma, a Cidade da Criança foi reinaugurada pela prefeitura de São Bernardo do Campo.
Não vou dizer que o passeio foi ruim. Não foi, não. Divertimo-nos bastante, mas a maior parte da diversão não foi mérito do parque, mas nosso – afinal, como eu andei falando aqui, quando estamos todos juntos, bem uns com os outros, não precisa muito para a gente ser feliz e curtir o que quer que seja.
A dificuldade já começou na entrada: mais de uma hora depois do início do funcionamento, nenhuma das duas máquinas de cartão finalizava o pagamento. Também não aceitavam cheques – ou seja, ou pagávamos a quantia (nada pequena, o ingresso é bem carinho!) em dinheiro, ou nada feito. Depois de muita reclamação e uma ameaça de barraco, apareceram com uma terceira máquina, essa operante – por que é que não deixam essa máquina lá, já disponível para quando as outras derem problema, foi o que eu também me perguntei.

funcionários passeando e batendo papo, enquanto os brinquedos não podiam ser usados por falta de controlador
Pois bem, entramos. A partir daí, começou nossa aventura: um jogo divertido era tentar adivinhar quais atrações estavam disponíveis, e quais não. Quase metade dos brinquedos do parque (para não correr o risco de cair em exagero, vou fechar em um terço sem medo de errar) estava indisponível: em manutenção, inoperável, ou simplesmente fechado, sem maiores explicações – porque é que o ingresso também não foi cobrado com um terço de desconto, o que seria mais justo e honesto, foi o que eu também me perguntei.
Quando um brinquedo estava disponível, começava uma nova peregrinação: encontrar o operador correspondente. Na maioria das vezes, eles estavam tomando um café, batendo um papo ou dando uma volta, para espairecer. O pior era o absoluto descaso no atendimento: se você encontra um brinquedo sem supervisão, e vai perguntar para o atendente do brinquedo do lado onde ele está, ouve algo como “não sei, deve ter saído um pouco, daqui a pouco volta”. Por que é que ele não sai do seu brinquedo – vazio – para operar aquele onde há gente esperando, foi o que eu também me perguntei.
Isso, sem falar nos operadores responsáveis por mais de um brinquedo contíguo, que só podem operar um de cada vez. Se há uma criança querendo brincar em outro, tem que esperar. Por que é que não se divide entre os brinquedos sem operador os inúmeros funcionários que passam o dia passeando pelo parque sem nada para fazer, foi o que eu também me perguntei.
Um atendimento preguiçoso, desatento, até mesmo grosseiro de vez em quando. Daria para contar nos dedos os atendentes que nos receberam com simpatia. Os brinquedos mal cuidados – no tal ‘submarino’, a atração mais famosa do parque (da qual eu mesma tinha ótimas memórias, de um passeio quando criança), a água estava tão suja que mal se via qualquer coisa, e as travas de alguns brinquedos (os que tinham trava, porque alguns, nem isso) soltavam-se com tanta facilidade que dava medo – , sacões de lixo espalhados pelo parque, sem recolhimento.
Enfim, o passeio, de qualquer forma, valeu a pena, porque as meninas se divertiram muito, e a gente curtiu estar junto, fazendo uma coisa diferente. Mas a relação custo/benefício não se justifica, definitivamente. Eu não pagaria outra vez o ingresso (e aqui, pagamos cinco, porque crianças pagam a partir de dois anos completos!), a não ser que ficasse sabendo que o parque passou por uma reorganização total.
A Cidade da Criança teria como grande trunfo diante de outros parques semelhantes, a vantagem de ser muito amigável às crianças pequenas: brinquedos em que a Chiara, de menos de três anos, pudesse brincar, não faltavam (embora muitos estivessem desativados). Infelizmente, o péssimo serviço oferecido faz com que essa vantagem se perca. Uma pena, mesmo.
Fica registrado o aviso, para que a desorganização, a má vontade do atendimento e a péssima administração da Cidade da Criança não peguem mais famílias desavisadamente.
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Puxa, Tatá, que pena que as coisas no Brasil ainda são dessa forma, tratadas com tanto desleixo e desrespeito. Os contra exemplos são poucos, mas sua história me fez lembrar de uma que vivi no Museu Asas de Um Sonho, que fica aqui em São Carlos (http://www.museutam.com.br). Fiquei impressionada quando fomos lá (e já fomos umas 3 vezes) e sempre a visita te faz pensar que vc. está visitando um museu de primeiro mundo. Certa vez chegamos lá e a máquina de cartão de crédito não estava funcionando e eles deram os bilhetes. Bom, ainda bem que no seu caso, com a família reunida, tudo vira festa! bjs Ana
Este é o retrato vergonhoso de como as coisas funcionam no Brasil. Que nojo!!!!
Fiquei muito, muito curiosa pra saber o valor dos ingressos, confesso.
É uma pena! Em 2000 quando trabalhei la na recreação, pagando bolsa de estudo, época das fotos que estão no Face, já sofriamos com falta de verba para manutenção, mas não estava tão ruim como você relata que está hoje. O gerente na época se rebolava pra fazer a manutenção conseguir deixar as coisas bonitas, pintadas, funcionando, apesar da idade que já era avançada na época. Fico triste, pois a Cidade foi marcante na minha infância, na década de 80, de onde tenho grandes e boas recordações. Tenho vontade de levar meu filho de quatro anos lá, mas vou pensar 3 vezes antes de ir.
Que pena! Frequentava esse Parque na infância ( muuuito tempo atras…) e tenho belas recordações de lá.
Eu idem. Triste mesmo…
Em uma semana de acidente com morte em outro parque, me vejo pensando se algum dia terei coragem de levar a minha Maricota, de dez meses, a um parque…
Uma pena… eu AMO parques!!! Mas me lembro que quando criança tive que contar com a sorte em alguns, devido a todas essas situações já relatadas anteriormente…
Triste, triste, triste.
Ana,
o museu da TAM realmente oferece um ótimo serviço, boa lembrança!
realmente, pessoal. é mesmo uma tristeza o estado de abandono…