jan

25

2012

Paulistaníssima

por Tata

imagem: preservasp.org.br

Somos uma família paulistaníssima. Paulistana da gema, como costumo dizer. Eu e meu marido nascemos e vivemos a vida toda aqui. Nossas três filhas nasceram aqui, e aqui estamos até hoje.

Há quem ache que São Paulo é o pior lugar do Brasil para se criar uma criança. Eu não acho. Aliás, não acredito que haja lugares bons e outros ruins, a priori, para se criar um filho. Acho que cada lugar, aliás como todas as coisas da vida, tem seus prós e contras, suas vantagens e desvantagens, suas dores e suas delícias.

Sim, é uma cidade violenta, com altos índices de criminalidade. Sim, tem um trânsito infernal. Sim, a poluição é muita. Sim, é uma cidade exageradamente verticalizada, sem horizonte. Sim, tem uma elite emburrecida e arrogante, vergonhosamente egoísta. Sim, sim, sim.

Mas junto disso, vem muita coisa boa também. Depende do olhar que se lança sobre, depende de como se olha a cidade e quem vive nela, do que se procura, do que se valoriza – ou desvaloriza.

São Paulo é também lugar de gente muito boa. Gente de todos os tipos, de todos os gostos, de todos os ritmos. Gente que gosta de viver a vida em alta velocidade, com a cabeça a mil. E São Paulo também tem tanta beleza – basta sair a pé para caminhar pela cidade, querendo descobrir os cantinhos que turista não encontra.

Eu gosto demais de viver aqui. E vejo uma porção de coisas boas para se criar um filho por aqui. As opções culturais, por exemplo, são imbatíveis: muito teatro infantil, cinema com os últimos lançamentos, contação de histórias para todos os gostos, atividades gratuitas de todos os tipos, oficinas, cursos, programações variadas, incontáveis museus. Os parques de São Paulo são deliciosos, diversão garantida ou seu mau humor habitual de volta (como dizem por aí, o parque é a praia do paulistano, afinal).

São Paulo é uma cidade sem tédio: basta procurar, que você encontra o que fazer. Seja dar um passeio a pé pela Paulista, ir comer em um restaurante bacana, tomar um sorvete em uma sorveteria artesanal, ouvir uma música ao vivo, ver passar a tarde em uma livraria para depois tomar um café, comer um pão de queijo e jogar conversa fora, entre tantas outras possibilidades.

São Paulo é o berço brasileiro da diversidade. Aqui, tem gente de todo tipo – e eu acho isso fantástico. Para as crianças, crescer em São Paulo ensina a ver beleza na diversidade – de cores, de raças, de estilos de vida, de ritmos, de formas de vestir, falar e pensar. Aqui, cada um é como é.

E São Paulo também tem, sim, seus cantinhos de tranquilidade, seus refúgios. Lugares gostosos onde a gente até se esquece do tamanhão que essa cidade tem. Quem vive por aqui explora, desvenda, e encontra.

São Paulo é sim, lugar de gente feliz – ao contrário do que se gosta de dizer por aí. É lugar de gente que vive correndo, mas sempre com muita vontade de fazer e aprender, descobrir coisas novas, ampliar horizontes – por mais arranha-céus que tenha ao redor, o paulistano é um bicho enxerga longe, pensa grande e quer sempre mais. É lugar de gente que gosta de realizar.

E não pense que criança paulistana não se diverte, hein? Pode ser que não dê para subir em árvore, colher fruta do pé ou tomar banho de rio (isso tudo, os pequenos paulistanos fazem nas férias, e se lambuzam, como quem nunca comeu melado). Mas tem um outro tipo de alegria, nem melhor e nem pior, apenas outra. Uma alegria do olhar grande, do olhar ampliado, do olhar afinado com as coisas todas do mundo. Uma alegria de ter tudo ao alcance da mão, de tanta possibilidade diferente que até zonzeia. A alegria da vida caminhando a toda velocidade, trazendo sempre novidade, espantando o tédio.

E hoje, quando essa cidade que eu amo tanto, tão cheia de lindezas e de problemas, faz anos, é hora de olhar com cuidado, com carinho. Sem deixar de perceber as misérias e tudo o que precisa ser melhorado, mas sem deixar também de olhar para tudo o que há de bom, para tudo o que essa terra nos oferece como matéria prima e que cabe a nós fazer acontecer, para tanta gente maravilhosa que vive por aqui, uma gente fina elegante e sincera, uma gente com muita vontade de fazer as coisas acontecerem, e com muita capacidade de fazer de Sampa um lugar bacana e bom de se viver.

Hoje é dia de dizer, como eu gosto de dizer todos os dias, de reafirmar: eu adoro São Paulo. Adoro com seus defeitos e qualidades, adoro com as coisas divertidas e boas de se fazer, e com as coisas ruins também. Adoro cada uma de suas muitas potencialidades, suas infinitas possibilidades. Que a gente não precisa de perfeição para gostar – a gente gosta do que é vivo, do que afina e desafina. E essa cidade é mesmo assim, como cantou Caetano: o avesso do avesso do avesso. E o avesso também pode ser lindo.


5 comentários no post “Paulistaníssima”

  1. Rê,
    Assim como você também sou apaixonada pela nossa cidade. Acho um lugar maravilhoso de se viver!
    Reafirmo meu amor por São Paulo cada vez que viajo para um novo lugar e sinto falta dos lugares conhecidos daqui e dos serviços de excelente qualidade!!!!
    Amo inclusive os problemas e a multidão.
    Beijo,
    Jé.

  2. Parabéns para esta cidade linda q eu amo.
    Como a gente gosta de um caos, né? :)
    Amo sim mas, fizemos a opção de nos mudar p/ um lugar diferente e ter a opção de voltar p/ Sampa para se lambuzar culturalmente.
    O avesso da sua história mas, nem por isso melhor ou pior, só diferente!
    Tenho um orguho TÃO grande de ser paulistana da gema da Liberdade (descendência japonesa). Tenho orgulho dessa pluralidade de culturas. Fui eu, uma japa, que apresentou á uns amigos indianos os prazeres de uma boa lazagna ( q é italiana). Que responsa, né?
    Amo ter a possibilidade de cozinhar comida libanesa, chinesa, japonesa, brasileira, italiana, alemã… enfim…. aquela mistureba que só quem vive aí que sabe. E isso não é só por ser brasileira, é por ser paulistana pq essa mistura toda a gente não vê fácil nesse Brasilzã afora.
    Me deixa só um calorzinho gostoso de saudade…. Que bom…

  3. Laila disse:

    Ah muito legal esse seu amor pela sua cidade. Eu também AMO a minha e apesar de ter seus problemas e ser um pouco mal falada às vezes (certas vezes até injustamente ou de modo exagerado/caricato), é uma cidade maravilhosa, como já diz o bordão. Sou carioca da gema e quero muito poder criar meus filhos aqui. Não consigo me imaginar vivendo em outro lugar, sou muitíssimo feliz aqui e, ao contrário do que dizem, não é somente com muito dinheiro e com um apê de frente para o mar que se é feliz aqui, moro no “povão”, perto de comunidade, e mesmo assim nunca passei nenhum “perrengue” sério… a imagem que passam para quem vê de fora é de que aqui estamos em guerra, mas não é nem um pouco assim! Claro que temos problemas, como toda grande cidade, mas isso não tira a delícia que é viver aqui!

    Beijosssss

  4. Fúlvia disse:

    Também AMO São Paulo! Aliás, amamos! Já moramos em outro lugar e resolvemos voltar, de tanto que a saudade bateu. Ao voltarmos, foi como se tudo entrasse no eixo novamente.

    Essa cidade nos acolheu quando aqui chegamos vindo de Campinas e nos recebeu de braços abertos, de novo, quando resolvemos voltar. O bom filho à casa torna e nossa casa é, sim, essa cidade do coração. Não nos vemos morando em outro lugar!

    Parabéns pelo post!

  5. Paloma disse:

    Concordo com quase tudo, porque já morei em algumas cidades e acho, sim, que tem umas ruins para criar filhos. Para mim, São Paulo é o melhor lugar para criar filhos. Amo a programação cultural da cidade, os parques e todas as milhares de opção de lazer. Minha primeira filha nasceu aí e a segunda em Brasília. Que diferença… Brasília, apesar de ser a capital do país, é paupérrima em cultura, não tem nada para fazer e, quando tem, é em shopping e de péssima qualidade (e sempre caro demais). Foi uma frustração não poder fazer com a segunda os mesmos programas legais que fazíamos com a primeira. A caçula adora sempre que vamos a São Paulo (por que será, né?). Agora estamos fora do Brasil, mas São Paulo, cidade onde nasci como mãe (sou natural de Salvador, que considero, atualmente, outra péssima cidade para crianças) estará sempre no nosso coração.


Deixe seu comentário