nov

23

2011

Blogagem coletiva – Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher

por Nanda

Como a Kalu falou ontem, no dia 25 de novembro é comemorado o Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher. Lá no Blogueiras Feministas tem um post bacana, esclarecendo o motivo da data, outras datas importantes e ações online que estão sendo feitas para dar visibilidade à causa. Infelizmente, como a Tata já colocou aqui em outra ocasião, são poucas as feministas que conseguem fazer o elo entre as lutas mamíferas, dentre as quais a luta pelo direito de parir dignamente – que é uma luta pelo direito ao próprio corpo – e o feminismo. O feminismo luta pela igualdade de direitos, e não pela dominação feminina, subjugando os homens. E nenhum homem sofre os maus-tratos que as mulheres sofrem em um atendimento hospitalar.

A violência institucional é uma das marcas mais fortes do atendimento obstétrico no Brasil. Seja em hospitais particulares ou públicos, as agressões ultrapassam o limiar físico para chegar ao psicológico. Acontece quando uma mulher, já privada de seu corpo sem pelos, sem fezes, é privada de sua voz. A vocalização, auxílio importante para a fase expulsiva do parto, é calada com desdém: “Na hora de fazer não gritou.”, é o lugar-comum da equipe obstétrica. Em vez de obedecer seu corpo, a mulher deve obedecer o comando médico: “Faz força, mãe!”

Isso tudo chega ao ápice quando lemos notícias como as que dizem que as grávidas do sistema carcerário de São Paulo são obrigadas a dar à luz algemadas. A privação da movimentação é repetida na cesariana, quando a mulher é sedada e presa com correias à mesa de cirurgia. Também repetida quando a ocitocina sintética – o sorinho - é ministrada indiscriminadamente. Mas nada se compara à estigmatização que as detentas vêm sofrendo.

E sabe o que é o pior? Os leitores da matéria corroboram a prática. E dentre esses leitores, muitas mulheres defendendo. São as mesmas pessoas que acham que mulher que sai na rua com a roupa curta tem mais é que ser estuprada, e de repente, são as mesmas pessoas que acham que mulher que engravidou e ainda por cima está no SUS (que é de todo mundo e de ninguém), tem mais é que se resignar com o tratamento recebido e dar graças à deus por sair com o filho vivo.

O parto é a confirmação de um ato pecaminoso. Diz a bíblia que as dores do parto são consequências da desobediência de Adão e Eva. É quase compreensível essa visão agressiva que é lugar comum no atendimento obstétrico de uma sociedade extremamente religiosa. É compreensível, mas não é aceitável. Assim como não é aceitável dizer que deus criou o homem e a mulher diferentes, por isso seus direitos têm que ser diferentes.

No SUS, é comum ouvir frases como “Não grita não, mãezinha, que ano que vem você tá aqui de novo”. No atendimento particular, as mulheres que insistem em um parto normal livre de intervenções são chamadas nos bastidores de “frescas” ou “afetadas”. Perceber que o erro nesse caso é do atendimento, e não da mulher, é o primeiro passo para começar a combater a violência cometida contra elas.

A Luana, leitora do Mamíferas, comentou que seu médico lhe deu duas opções: uma cesariana ou uma episiotomia. E ela não está sozinha: a maioria dos médicos dita parâmetros totalmente infudados para fazer valer as suas vontades. Na blogosfera internacional existe o termo Birth Rape para designar os maus-tratos sofridos pelas parturientes nas mãos da equipe obstétrica. Se lhe parece um pouco agressiva a comparação com um estupro, imagine que você não quer fazer sexo – de jeito nenhum -, então seu marido lhe dá duas opções: anal ou oral. E aí? Você tem que escolher uma dessas duas opções?

Agora veja um ultimato desses recebido na situação da parturiente, fragilizada, em uma situação onde ela precisa se entregar à si mesma, mas está sendo obrigada a se entregar ao médico. E o pior: a vida da criança está sendo colocada em jogo, mesmo que não esteja em risco. Como isso é justo? Como isso pode ser considerado normal? Como podemos argumentar que a equipe obstétrica não tem nenhuma culpa no aumento dos índices da cesariana, se estão oferecendo a cruz ou a espada?

É extremamente importante fazer com que as mulheres percebam que elas não podem ser tratadas desse jeito. Difícil, uma vez que a auto-estima da maioria esmagadora das mulheres no Brasil é formada por músicas que as chamam de cachorras e homens que a tratam pior do que aos seus animas de estimação. O que esperar d@ médic@? Principalmente quando essa forma de violência já se tornou rotineira? Por isso estamos organizando, em parceria com o blog Parto no Brasil, essa blogagem coletiva. Para que você use do seu espaço pessoal, seja ele blog, Facebook, Twitter ou qualquer espaço virtual utilizado por você, para disseminar a consciência de que o atendimento oferecido para as gestantes brasileiras não é normal. E não pode ser aceito. Sinta-se à vontade para divulgar a imagem do post em qualquer espaço que julgar adequado.

Se você vivenciou alguma história de violência obstétrica durante seu parto e sente vontade de compartilha-la, a Ligia Moreira, do Cientista que Virou Mãe, está fazendo seu doutorado sobre a percepção das mulheres sobre a violência cometida contra elas no pré-parto, parto e puerpério, e está recolhendo depoimentos sobre isso. Além de mandar pra ela, conta pra gente aqui nos comentários. Conta pro mundo no seu blog. E quer você tenha sido violentada ou não, ajude a espalhar a ideia de que a realidade da obstetrícia no Brasil (não só nos índices) precisa começar a mudar. E essa mudança não deve ser oferecendo cesarianas na rede pública, mas sim, oferecendo um atendimento digno em qualquer lugar.


37 comentários no post “Blogagem coletiva – Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher”

  1. nancy arantes disse:

    Concordo que deva ter muita violencia obstetrica nos hospitais por aí,nosso sistema precisa urgentemente de mudanças mas o que vai chover de historias infundadas e fantasiosas,isso vai.E criminalizar os médicos dessa forma que estão fazendo definitivamente não vai ajudar.Porque não haverá mudanças nas condutas obstetricas só porque deduziram (não medicas!) que estão certas.Já pensaram em contactar a Sociedade Brasileira de G e O.
    O erro é achar que todos os médicos são vilões e a verdade é que as mulheres querem a cesarea.

    1. Lu Ivanike disse:

      Desculpe nancy, mas tenho que discordar totalmente de você. Por atitudes como essa, de se conformar que não adianta, nada vai mudar é que nada muda! E o números gritam, a MAIORIA das mulheres quer parto! Mas é induzida/coagida/obrigada a fazer uma cesárea, por tantas ameaças e fantasmas que os médicos colocam nas cabeças delas. Tenho duas histórias diferentes, nenhuma delas fantasiosas e a primeira é de dar calafrios em qualquer mulher! Sim, minha filha sobreviveu e, infelizmente, pessoas conformadas se conformam em ter sobreviventes e não filhos nascidos de forma respeitosa. Se a maioria das mulheres forem para as maternidades esclarecidas, com certeza questionarão seus GO. E, aí sim, eles se sentirão pressionados a agir de forma correta!

    2. Sim, sim, vários problemas e dificuldades. Mas cadê outras propostas? Ou para você esse cenário está/esteve bom? De que lugar fala você, afinal?….

      O objetivo principal desta ação é conscientizar as mulheres das desnecessidades destes procedimentos que tanto dóem no corpo (barriga, vagina, e coração e no estômago) das mulheres.

      Não é preciso que seja assim. Um convite para rever nossas motivações.

      1. nancy arantes disse:

        Talvez vc não saiba mas os médicos estão com varias propostas de melhora na saúde do povo em ambito SUS e convenios,não vou listar

      2. nancy arantes disse:

        Falo no lugar de uma medica que sofre como toda a população e tb sou paciente e tb tive filhos e entendo tudo ,só penso e sei que está tudo muito longe de mudança,pois Governo e iniciativa privada não se interessam por melhoras.

        1. Nanda disse:

          Exatamente, Nancy. Eles não se interessam. Nunca vão se interessar. Eles falam e agem em nome do dinheiro. Mas nós não podemos esperar a ação deles. Somos nós que temos que agir. Você espera que fiquemos de mãos e bocas atadas até que um belo dia todos resolvam mudar? Mudo eu, e mudo o meu redor. É isso que esse blog pretende.

    3. Nanda disse:

      Nancy, eu realmente não entendo. Você já nos informou que é médica, é cardiologista. É impossível que você não conviva com esse tipo de atendimento, que perpassa todas as áreas da medicina. Nós concordamos com você que a precarização do ensino prejudica ainda mais a prática da medicina, mas isso está acontecendo em absolutamente todas as áreas. As universidades federais estão sucateadas, vítimas de reformas sem estrutura. É uma luta grande, que perpassa absolutamente todas as áreas. Mas não é porque essa luta é maior do que o que abordamos aqui que o nosso ponto é inválido, Nancy. Precisamos lutar com as armas que nos são dadas, e através delas fabricar novas armas. Não é demonizar o médico.
      Infelizmente, sua desinformação (médica!) é grande, principalmente nessa afirmação do desejo da mulher pela cesárea. Todas as afirmações que fazemos aqui são baseadas em evidências, pois todas nós estamos atualizadas com os estudos recentes da medicina. Sim, lemos artigos que não deveríamos ler. E falamos sobre eles. E isso incomoda, porque deveria ser uma informação de nicho, não? Mas se os médicos estão sendo mal-educados (no sentido da formação acadêmica, ok), nada impede que nós façamos a nossa parte e nos eduquemos. E a partir disso, mudemos a realidade.
      Não é nossa intenção atrapalhar a luta pela melhoria no ensino, pelo contrário. Lutamos também por ela. Mas lutamos, acima de tudo, pelos direitos das mulheres. E enquanto os médicos não respeitarem isso, precisaremos fazê-los respeitar. E se for necessária mobilização judicial, é assim que será.

    4. Dani Romais disse:

      Sorry, Nancy… “as mulheres querem a cesarea” nao eh uma verdade. Eh uma generalizacao. E como tal, eh fadada as falhas. Eu fui submetida a uma cesarea e em momento algum a quis. Fui induzida sim. Se foi porque a medica nao tinha remuneracao suficiente, se foi porque o convenio nao queria bancar o normal, se foi porque diachos que foi… o fato eh que nao foi porque eu quis. E isso, no meu ver, eh desrespeito. Foi desrespeito do sistema que favorece a cirurgia ao nao pagar o medico o suficiente. Foi desrespeito das universidades de medicina que nao ensinam seus alunos o que eh um parto natural humanizado e sim as intervencoes cirurgicas. E foi desrespeito sim da medica que sucumbiu a isso tudo sem pensar duas vezes e se tornou porta-voz desse sistema que fala que a mulher nao tem capacidade de parir.
      Conheco bem o sistema do SUS, pois tenho contato bem proximo com quem trabalha no ministerio. Sao varios protocolos que nao sao questionados e varias pessoas sofrendo em consequencia disso.

  2. Angie Schiavinato disse:

    Olá, me chamo Angela, sou mãe de uma linda menina de 2a7m, nascida de um parto normal hospitalar, pelo SUS, em São Paulo, maternidade Beneficência Portuguesa.

    Sofri todos os horrores e violências mencionados nos textos que vêm sendo publicados na blogagem coletiva. Fiz meu no SUS, porque meu plano de saúde não cobriria o parto, então teria que ter em um hospital público.O desrespeito e o descaso começa aí, no pré natal. Mas eu, do contrário do que aconteceu após me tornar mãe, NÃO me informei durante a gestação. Nem sabia que podia ser diferente. Fui a típica “mãezinha” e fui tratada como tal, me indignando com o tratamento, mas não ao ponto de fazer algo realmente suficiente para mudar o quadro. Fui engolindo os sapos. Com a bolsa rota, há poucas horas, e 41 semanas, fui internada na maternidade. (Achando que esse era o normal, o que devia ser feito). Não gosto de lembrar tudo o que passei, porque me embrulha o estômago, sinto uma tristeza profunda. Não tinha contrações, poucos dedos de dilatação e não devia estar ali. Não era a minha hora, nem a da minha filha. Mas o parto, óbvio, foi induzido. Fui internada às 7 da noite, minha filha nasceu ao meio dia do dia seguinte. Sofri inúmeros abusos e minha filha idem! Episio, toques e mais toques desnecessários, ocitocina, e tentaram me impedir até de extravasar a minha dor. Mas isso, me lembro perfeitamente, que não aceitei (acho que foi a única coisa pela qual briguei,infelizmente, naquela hora)Falei com a obstetra e disse que ia gritar, sim. Que não me importava se as outras não gritavam, porque eu ia gritar! Não sei nem como a nossa história de amamentação está sendo um sucesso, até hoje, porque depois que ela nasceu, só a vi no dia seguinte. Esse é o meu maior trauma.Não havia alojamento conjunto e eu, arrasada depois do parto traumático, não tinha forças para ir ao andar de cima, ficar com minha filha. Até tentei, mas quase desmaiei. Eu apoio muito essa campanha contra a violência obstétrica e abusos sofridos pelas mulheres, no momento mais importante e frágil de nossa vidas. Estou com vocês, e estou dando meu depoimento pra dizer que só vai mudar alguma coisa, quando nós nos empoderarmos. Quando não aceitarmos mais essa situação. E não aceito mais! Meu segundo filho, se Deus me permitir ser mãe, novamente, nascera de um parto muito respeitoso, em um ambiente tranquilo e aconchegante, será recebido por mim, seu pai e sua irmã, com todo o amor desse mundo e vai direto pro colinho da mamãe, para mamar, se assim desejar!!!

  3. Angie Schiavinato disse:

    Olá, me chamo Angela, sou mãe de uma linda menina de 2a7m, nascida de um parto normal hospitalar, pelo SUS, em São Paulo, maternidade Beneficência Portuguesa.

    Sofri todos os horrores e violências mencionados nos textos que vêm sendo publicados na blogagem coletiva. Fiz meu no SUS, porque meu plano de saúde não cobriria o parto, então teria que ter em um hospital público.O desrespeito e o descaso começa aí, no pré natal. Mas eu, do contrário do que aconteceu após me tornar mãe, NÃO me informei durante a gestação. Nem sabia que podia ser diferente. Fui a típica “mãezinha” e fui tratada como tal, me indignando com o tratamento, mas não ao ponto de fazer algo realmente suficiente para mudar o quadro. Fui engolindo os sapos. Com a bolsa rota, há poucas horas, e 41 semanas, fui internada na maternidade. (Achando que esse era o normal, o que devia ser feito). Não gosto de lembrar tudo o que passei, porque me embrulha o estômago, sinto uma tristeza profunda. Não tinha contrações, poucos dedos de dilatação e não devia estar ali. Não era a minha hora, nem a da minha filha. Mas o parto, óbvio, foi induzido. Fui internada às 7 da noite, minha filha nasceu ao meio dia do dia seguinte. Sofri inúmeros abusos e minha filha idem! Episio, toques e mais toques desnecessários, ocitocina, e tentaram me impedir até de extravasar a minha dor. Mas isso, me lembro perfeitamente, que não aceitei (acho que foi a única coisa pela qual briguei,infelizmente, naquela hora)Falei com a obstetra e disse que ia gritar, sim. Que não me importava se as outras não gritavam, porque eu ia gritar! Não sei nem como a nossa história de amamentação está sendo um sucesso, até hoje, porque depois que ela nasceu, só a vi no dia seguinte. Esse é o meu maior trauma.Não havia alojamento conjunto e eu, arrasada depois do parto traumático, não tinha forças para ir ao andar de cima, ficar com minha filha. Até tentei, mas quase desmaiei. Eu apoio muito essa campanha contra a violência obstétrica e abusos sofridos pelas mulheres, no momento mais importante e frágil de nossa vidas. Estou com vocês, e estou dando meu depoimento pra dizer que só vai mudar alguma coisa, quando nós nos empoderarmos. Quando não aceitarmos mais essa situação. E não aceito mais! Meu segundo filho, se Deus me permitir ser mãe, novamente, nascera de um parto muito respeitoso, em um ambiente tranquilo e aconchegante, será recebido por mim, seu pai e sua irmã, com todo o amor desse mundo e vai direto pro colinho da mamãe, para mamar, se assim desejar!!

    1. Nanda disse:

      Obrigada por compartilhar sua história, Angie! É importante notar que o problema não está exatamente na categoria médica, mas no sistema de saúde como um todo, o hospital desrespeitando as normas do Hospital Amigo da Criança, que não oferece alojamento conjunto, isso é um absurdo! É através dessas histórias, e das informações sobre como tudo pode – e deve – ser diferente, que aprendemos a lutar por esse diferente!
      Que venha um parto humanizado na sua vida! ;)

  4. Leli Bispo disse:

    Olá Mamíferas,
    bem, eu não sou mãe, ainda, pelo menos não da forma tradicional, mas tenho muitos sobrinhos, que consideram filhos de coração. Minha sobrinha de 18 anos, teve um bebê, meu lindo afilhadinho, no dia 21 de setembro deste ano, por um parto natural hospitalar pelo SUS. Ele foi o primeiro parto dela e ela é muito novinha, então todos nós estávamos ansiosos! Ela internou por volta das 18h e meu sobrinho neto nasceu às 23h 05min, por aí. A equipe de enfermagem foi legal com ela, mas… todo o período de pré-parto ela ficou em uma sala sozinha, falando com a gente que a esperava e tinha a intenção de acompanhá-la pelo celular. Por volta das meia noite ela veio para o quarto e logo em seguida o Yuri veio ficar com ela para mamar. Neste ponto a enfermeira também foi muito atenciosa e pediu que ela o colocasse no peito assim que se sentisse melhor (pois teve queda de pressão arterial).
    Todos nós ficamos bem apreensivos de não poder vê-la na sala de pré-parto, coisa que, mais tarde soubemos ela tinha direito de ter um acompanhante ou o marido ou outra pessoa da família.
    Foi um dos primeiros partos que acompanhei bem de perto e já ouvia, anteriormente, muitas histórias cabeludas de mulheres que foram muito maltratadas e sofreram barbaridades nos partos.
    Já ouvi sim mulheres declararem que gostariam de ter os filhos por cesariana, mas isto é uma escolha da parturiente. Enquanto minha sobrinha ficou no hospital, na outra noite, o médico fez várias cesarianas porque tinha que ir viajar e não podia ficar esperando. Então… podemos ter uma ideia de como as coisas são decididas.
    Adorei o espaço de vocês mamíferas, vou colocar link lá no meu blog! Beijão

  5. nancy arantes disse:

    Gente acabei de entrar no site do CREMESP e o MEC pasmem,autorizou 220 novas vagas em 3 novas faculdades de Medicina em Sao Paulo.Sendo que o ensino já é preocupante e há escolas que nem possuem hospital escola,tirem suas pp conclusões.Pois a formação de novos médicos tem a ver com tudo o que é dito aqui…

  6. Texto perfeito. Texto irretocável.
    Junto-me a essa voz coletiva.
    Como disse a Nanda, quem quiser compartilhar seu relato de desrespeito e violência e participar da pesquisa, que é parte do meu doutorado, por favor, entre em contato comigo.
    Toda a pesquisa será feita mediante entrevistas via internet, via comunicadores instantâneos que permitam videochamada, de forma que mulheres em diferentes locais possam compartilhar suas histórias. Anônima ou declaradamente, como assim decidir a mulher.
    Meus contatos são:
    E-mail: ligiamsena@yahoo.com.br
    Twitter: @ligia_sena
    Skype: ligia.m.sena
    É só me enviar uma mensagem que eu retornarei assim que recebido.
    Muito obrigada.
    Estou totalmente à disposição.

    Ligia

  7. Dani Romais disse:

    Meninas…
    Como eh interessante que justo hoje que voces colocam um texto sobre esse assunto tao polemico, eu tinha feito o mesmo (num tom mais pessoal) relatando uma constatacao minha sobre minha propria cesarea. Vao lah ver e me digam o que acham!
    http://familiasapooromais.blogspot.com/2011/11/escolha-foi-minha-mesmo-4-anos-e-meio.html
    Eh isso mesmo, Nanda. Essa violencia sem cabimento e sem questionamento deve ser combatida. Justificar que o medico atende do jeito que atende por falta de remuneracao eh o mesmo que justificar um professor que agride seus alunos porque ganha pouco. Sem cabimento total.
    Otimo texto… Beijos
    Dani

  8. Mesmo sendo profissional de saúde pós-graduada, e gestora de serviços públicos à época do nascimento da minha filha – oito anos atrás – não escapei de uma cesárea intra-parto, em meio à cascata de intervenções dolorosas, desrespeitosas, danosas e não baseadas em evidências sólidas. Também fui longamente separada da minha filha na sequência (12 horas!) e foi necessário ser muito perspicaz para descobrir quem detinha poder naquele espaço-limbo para conseguir sofrer menos violência e ser transferida o quanto antes para a enfermaria. Sim, considero violência contra as mulheres: a negação da privacidade; o julgamento sobre os comportamentos e sua expressão verbal; a invasão do corpo sem aviso, necessidade e autorização; a execução de rotina de qualquer procedimento inseguro (leia-se perigoso) e doloroso; a restrição de movimentos, alimentos, liquidos; a recusa da presença do acompanhante (o que facilita MUITO a ocorrência de mais violência); a imposição de qualquer conduta sem prévio, amplo e profundo esclarecimento e autorização.
    Não é o caso de demonizar a assistência, qualquer que seja a categoria profissional: mas é absolutamente imperioso que se desconstrua e se desfamiliarize a prática e a permissão tácita de aviltamento dos corpos femininos reféns da lógica opressora do sistema de assistência obstétrica no Brasil. E não há outro lugar para começar isso, se não for pelo nosso próprio grito de usuárias!

    1. Aêêê! Excelente! Sempre bom te ouvir e ler!

  9. Luka disse:

    Bananda,

    Que feliz de ler o teu post na véspera do dia 25 de novembro! Acho fundamental apontar a violência obstétrica como parte também da sociedade patriarcal em que vivemos, pois justamente a retirada do saber sobre o nosso corpo e ter direito de vivê-lo se coloca vivamente neste debate, pois direito ao corpo não é apenas decidir ou não ser mãe, mas também ter o direito de percebe-lo quando se decide ser mãe.
    A forma hoje como o atendimento à saúde a mulher é feito, sem pensar integralidade das coisas e a necessidade do recorte de gênero e racial na saúde público (e não apenas nela). Pensar estas questões (Violência obstétrica, feminismo e saúde pública) concatenadas para mim é fundamental se realmente se quer mudar a forma em que é encarada o parto e também a decisão por ser mãe.
    Beijos felizes ao ler o post!

  10. Minhas indignações lá no Blog Parto no Brasil:

    http://partonobrasil.blogspot.com/2011/11/post-extraordinario-blogagem-coletiva.html

    Convidamos tod@s à reflexão!

    Nanda! Parabéns! Tá lindo observar o reconhecimento de muitas mulheres sobre a questão.

  11. Paloma Soares Fernandes disse:

    Vou falar da minha experiência. Qdo entrei em trabalho de parto, fui para o hospital do convenio. Infelizmente mto mal informada, confiei cegamente no médico. Mesmo com a bolsa rompida e 5 cm d dilatação, apos uma conversa com o médico, concordei em fazer a cirurgia. Naquele momento não percebi a gravidade daquela decisão. Tive que decidir sozinha, já que não permitiram acompanhante na sala d pré parto, aonde estavam mais 2 mulheres gemendo d dor e tbm sozinhas. Já chorei, me arrependi, pedi perdao ao meu filho. Mas agora entendo um pouco melhor. Eu estava com medo, muito ansiosa, sensivel, fragil e com dor, não tive o apoio necessário. Naquele momento parecia que eu não tinha autonomia NENHUMA, recebia soro, exame d toque, raspagem d pelos, e não havia nd que eu pudesse fazer, pelo menos não naquele momento com o emocional tao abalado.
    Com ctza farei diferente da proxima vez. E graças a vcs do mamiferas que traduzem tao bem esses sentimentos e situaçoes maternais. Vcs com ctza mudaram a minha vida. Obrigada e parabéns!

  12. Penha disse:

    Temos um blog que fala sobre mulheres em situação de rua e a questão da saúde, onde também abordamos vários tipos de violência, e devo confessar que esta violência institucional eu ainda não tinha ouvido falar de uma forma tão ampla como voces. Adorei mesmo os esclarecimentos, com certeza vai servir para que outras mulheres busquem ajuda.
    se voces puderem também prestigiar o nosso blog é só acessar o link: http://gppgrcmr.blogspot.com/

  13. Mayra disse:

    Poxa meninas, fiquei super chateada de ter descoberto o Mamíferas poucos dias antes da minha Helena nascer. Teria sido tudo mais fácil!
    Tive uma gravidez bem difícil e quando passei a aceitá-la as preocupações do parto no SUS começaram a aparecer. A sensação de “eu não sou dona do meu corpo” que estava desaparecendo, aumentou de uma forma indiscritível quando eu perguntei ao médico numa consulta de pré-natal se eu podia optar pela episio ou não. Adivinha a resposta?
    Bom, hoje a Helena faz um mês e meu psico tá ótimo, apesar da episio e do parto, que foi um tanto estressante.
    Sempre tive vontade de criar algum tipo de coletivo pra discutir questões sobre igualdade de direitos aqui na região onde moro, mas nunca soube me articular. Depois da convivência com outras mães do SUS percebi que é mais que urgente um tipo de mobilização, já que no quarto do hospital – que eu dividi com mais 3 mães – eu tive de ouvir um pediatra dizendo a duas delas: “vejo vocês ano que vem!” sem que elas entendessem a crueldade da frase e até a achassem engraçada. Se vocês puderem me dar algumas dicas, agradeço muito.
    Bom, obrigada pelo tempo dedicado ao blog!

  14. Ana Paula disse:

    Ótimo texto! A violência contra as mulheres nos hospitais brasileiros é de uma crueldade sem fim!

    Vou colar aqui o email que mandei para Ligia pra participar da pesquisa!

    “Minha história, comparada com tantos outros relatos que leio, foi até tranquila. Mas, atribuo esta “tranquilidade” ao trabalho de parto rápido (cerca de 5h no máximo e apenas 3h com dores fortes), se fosse um trabalho de parto longo teria sido muito sofrido.

    Apesar do trabalho de parto rápido, teve uma série de intervenções que, a meu ver, não tinham nenhuma necessidade: indução leve (embora eu estivesse com 5cm de dilatação); depilação dos pelos pubianos; exames de toque doloridos e a todo momento; a médica rompeu a bolsa com 9 para 10 cm de dilatação; episiotomia e manobra de kristeller… Isso tudo aconteceu entre 1h e 3:25 da manhã, quando minha filha nasceu!

    Ora, um trabalho de parto que estava indo tão bem, não creio que as intervenções fossem necessárias, embora eu tenha questionado todas elas na hora, hoje eu penso que os profissionais da área nos pegam num momento de fragilidade e nos conduzem pra aceitar essas intervenções. Fico revoltada cada vez que lembro delas e de como eu poderia ter lutado mais para não deixar que elas acontecessem, mas enfim…

    Outra coisa que me aconteceu, foi quando estávamos indo para a sala de parto, eu pedi para a médica chamar meu marido para assistir o parto, e ela disse: “claro, mas não vai fazer fiasco e ficar gritando quando ele chegar, olha que os homens não aguentam esse tipo de coisa”

    Fiquei boquiaberta com esse comentário, já que até aquele momento eu não tinha dito um “ai”, estava tudo tranquilo, eu estava reagindo bem, não sentia vontade de gritar, nada! Não tinha necessidade dela dizer aquilo!

    Esse é um pouco da minha história, como disse antes, sei que outras mulheres passaram por sufoco muito pior… mas, creio que mesmo os mais simples procedimentos desrespeitosos devem ser manisfestados!”

  15. Lu disse:

    Luciana, primípara. 3 cm de dilatação dando entrada na maternidade particular do convênio. Hospital da LUZ Vila Marina. Coisa chique com tv LCD e tudo mais.

    Na sala de pré parto:
    - Burburinhos do outro lado da cortina: “Quem está com ocitocina? Ai coitada!” Coitada porque? Não é o sorinho do amor? A enfermeira que disse.
    - Um delicado aviso da médica: “Se você não dilatar em tanto tempo…faremos uma cesárea”
    -Mal sabia que eu corria perigo! Meus pêlos pubianos poderiam contaminar o parto! Pêlos imundos e assassinos! Saiam já daí.
    -Havia algo fora do script. A bolsa ainda não havia estourado como na novela! Então, aquela enorme agulha faria esse favor ao meu corpo incompetente.
    -Ela queria muito me ajudar: “Você tem que respirar assim ó! Assim! Não! Desse jeito não dá. Se você não respira assim, então vai continuar com dor.”

    Mas ninguém tinha tempo para mim: “Enfermeira olha como ela está! – Ah Pai! É assim mesmo.”
    -Na maca, eu queria me debater, me mexer, gritar, chacoalhar meu corpo. Mas tinha que ter cuidado! “Se ficar se mexendo assim, você vai cair!” Obrigada por avisar.
    -Minha filha estava já coroando. Espere! Ainda faltava a anestesia. Filha, volte já para seu lugar que eu preciso relaxar para tomar a picadinha da anestesia.
    Uma, duas, três, quatro, cinco, RELAXA! Seis, sete, UFA! Na oitava agulhada, o anestesista conseguiu ganhar a parte dele. Op’s, quer dizer…me anestesiar.
    Que estranho, eu não conseguia relaxar. Porque será? Será que era porque eu estava sentada praticamente em cima da cabeça da minha filha?
    -Vamos lá Lu! Faz força!
    E milagrosamente eu não sentia mais nada.
    -Mais uma forcinha pequena! …Força pequena? Alguém sabe como é isso??
    -E assim o médico deu um “pequeno corte-zinho para ajudar” Olha que moço bom!
    Nasceu, ele me mostrou e a levou. Mas como assim? Esperei tanto para vê-la… mas ela precisava ser limpa de toda aquela meleca, credo. Se eles correm tanto para limpar, é porque deve fazer mal.
    -Bom, o corte-zinho que o “moço bom” fez, precisou de pontinhos. Pontinhos esses que até melhorariam a minha passagem alargada agora e o “moço bom” disse que daria um pontinho á mais que seria nomeado de “Pontinho do marido”. Não! É impressão sua! Não há machismo nisso.
    Estavam todos rindo, descontraídos e eu com as pernas abertas. Situação completamente normal, pare de criar caso.
    -Fui para a sala de recuperação, dormir umas quatro horas, para me recuperar daquela tumultuada noite.
    Dei à luz ou fui atropelada por um caminhão?

    *Você acha que alguma dessas atitudes foram responsáveis pelo “Stress Pós traumático Pós-parto” que tive? Pelo tratamento com anti-depressivos que precisei fazer por dois anos?

    Engraçado que tres anos depois, no pós-parto da minha segunda filha, que nasceu de parto natural, respeitado e humanizado, eu não sentí ódio da equipe que me atendeu, não sentí raiva de mim mesma, não tive pesadelos com o parto, como tive no primeiro, não sentí tristeza, não me sentí incapaz e nem impotente. Não tive crises de pânico, nem minha pressão arterial ficou alterada. Não precisei tomar remédios para dormir.
    E ao contrário da primeira experiência a qual eu estava decidida á não ter mais filhos, agora, eu desejo ter mais QUINZE partos como esse que eu tive. hahahahahaha Que delícia!

    Queremos uma pátria sem violência para ti, para mim, para nossas filhas.

    1. Izabel Soraia disse:

      Lu estou aqui aplaudindo vc, vamos falar, falar e falar. Nada de nos calar, o que mais querem é nos calar de tudo, se vc quer parto normal é fresca riponga cala a boca, se grita de dor é cala a boca mãezinha, se quer se movimentar é fique quieta agora.

      Expor isso é incomodar e é incomodando que a gente mostra que mundo é esse, eu mesma sempre pensei; que momento tão initmo é esse o do parto que um monte de gente invade e ainda vem falar o que deve ser feito.

      1. Lu disse:

        Obrigada Izabel; me dói muito ainda falar sobre isso mas não posso me calar! Nunca!
        Por isso é que lutamos tanto por um parto respeitoso e humanizado! É possível! Eu passei por duas experiências opostas e posso afirmar que o parto pode ser prazeiroso se seu processo for respeitado. : )

    2. Lu disse:

      CORREÇÃO: Hospital da Luz Vila Mariana. É bom divulgar, para que ninguém vá parir naquele lixo.

  16. luciana bras disse:

    olhem isso que lindo
    http://chocorango.blogspot.com/
    maravilhoso partoooo
    convidem ela para vir aqui no mamíferas!
    nasceu o chocoranguinho

  17. Izabel Soraia disse:

    Me permita fazer algumas observações sobre o texto, a Bíblia fala que homem e mulher são diferentes mas EM NENHUM momento fala que tem direitos diferentes muuuuito pelo contrário, só para esclarecer
    Outra, sim a Bíblia narra as dores do parto como consequência mas não o ato de ter filhos como algo ruim, novamente pelo contrário a Bíblia trata o parto como algo sublime e desejável.

    1. Lu disse:

      Obrigada Isabel, tirou as palavras de minha boca. Ontem quando lí esse lance da religiosidade da sociedade ser a culpada da forma como somos tratadas…pensei; pera aí! Não dá para culpar á Deus por isso (também.)
      Beijocas!
      Lu

  18. [...] Blogagem coletiva – Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher – Nanda [...]

  19. Elis disse:

    Olá adorei seu post, eu trabalho em um centro obstetrico convencional, sempre odiei as condutas tomadas pelos profissionais, e pelo modo como as gestantes são tratadas pela maioria, mas nunca pensei em violencia obstetrica, hj descobri o quanto as mulheres passam por vários tipos de violencia dentro daquele lugar, além dos médicos e obstetrizes serem atores principais deste acontecimento, a planta fisica do local não ajuda, a rotina do hospital não ajuda. A diretoria do hospital quer somente numeros, quanto mais partos melhor, não importando a que custo.
    Fico feliz de ter acesso a estas informações, se cada um fizer sua parte tudo pode mudar.

    1. Lu disse:

      TUDO pode mudar Elis. Você como profissional da saúde já está fazendo sua parte se informando aqui no mamíferas. Parabéns. Beijos!


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