Arquivo de setembro, 2011

set

30

2011

Caminho para dentro »

por Kalu


Existe uma verdade: não sabemos nada sobre parto, desconhecemos o processo de nascer, não somos preparadas para nos tornarmos mãe. Tudo é uma grande novidade: o corpo que muda, a vida que se reorganiza como os órgãos internos, o momento decisivo que é o parto.

E essa preparação as vezes não é um ponto de mutação. Afinal fomos treinadas para esperar o grande amor nos salvar da torre. Esperamos que o obstetra venha nos salvar do processo do parto com seu bisturi mágico. Esquecemos de olhar e ver que temos tranças longas, que o príncipe não precisa subir, basta(…)

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set

29

2011

É brinquedo de quem? »

por Nanda

Meu filho chegou em casa contando que a fulaninha da escola tinha uma barbie. Repliquei, em modo automático: “Mas já?” (é válido lembrar que Benjamin tem 2 anos e meio, e seus coleguinhas de escola tem, no máximo, 3). O assunto morreu ali durante um tempo. Na outra semana, ele voltou com o tópico: “Fulaninha tem uma barbie” e, ao não ouvir uma resposta, completou: “Mas já?” Dei risada, o que sempre o encoraja. “Barbie é brinquedo de menina”, ele continuou. Opa, peraí. Essa frase não foi minha. E não foi engraçada.

“Não, meu filho. Barbie não é brinquedo(…)

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set

28

2011

A luz das mamíferas »

por Tata

todo dia é o mesmo dia
a vida é tão tacanha
nada novo sob o sol
tem que se esconder no escuro
quem na luz se banha
por debaixo do lençol
*

Ontem pela manhã, no carro, ouvi essa música. Uma coisa que sempre acontece comigo: as canções me encontram na hora certa, quando estou precisando daquelas palavras para clarear um caminho, relembrar uma coisa boa, reafirmar uma crença, reviver um desejo.

Vou confessar para vocês: às vezes, eu tenho uma preguiça danada deste “mundinho materno”. Por mundinho materno, quero(…)

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set

27

2011

Sentidos no parto »

por Kalu

Existe um cuidado fundamental na hora do parto: o cuidado dos sentidos. Michel Odent comprovou que os mesmos hormônios envolvidos na hora do parto são aqueles presentes na hora do sexo. Por isso, as mesmas condições que precisamos para um ato sexual prazeroso, para que consigamos nos conectar conosco mesmo, como nosso parceiro, são as mesmas condições que precisamos para o nascimento.

Daí surge a necessidade do cuidado dos sentidos. Para os Yogues os seis sentidos são as manifestações mais presentes do divino, da força criadora. Se cuidarmos para que estes estímulos sejam positivos, que nos lembrem do nossos propósito,(…)

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set

26

2011

Humanizando no Brasil – Parabéns Ishtar! »

por Mamífera(o) Convidada(o)

Nas últimas semanas, nossas convidadas estão um pouco diferentes: em vez de uma Mamífera só, temos um grupo todo contando sua história. Hoje, o Ishtar ao redor do Brasil se reúne no Mamíferas para compartilhar conosco o crescimento do grupo e a alegria de comemorar seu 4º aniversário nessa quinta-feira. Parabéns pelo lindo trabalho!

Ishtar-Sorocaba: Novembro de 2008

Carla Arruda e Letícia Arruda

Não lembro bem quando foi, mas eu e a Carla nos conhecemos virtualmente. Descobrimos várias coincidências: o mesmo sobrenome, nós duas tínhamos feito o curso de doula recentemente e queríamos muito montar um grupo de apoio ao(…)

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set

25

2011

Orgulho e preconceito »

por Nanda

Quando meu filho nasceu, ele era o que os especialistas costumavam chamar de “bebê impossível”. Eu não havia lido muitos livros sobre bebês na gestação, pois estava mais interessada no parto e na gravidez em si, e só havia tido acesso (físico) à livros que em nada condiziam com o que eu achava correto, como Encantadora de bebês e seus genéricos. Não me parecia ser inteligente tentar forçar um RN a uma rotina, e muito menos estabelecer horários para sua alimentação, então eu me vi às voltas com um bebê inquieto, coliquento (segundo a sabedoria popular) e chorão (oi,(…)

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set

24

2011

Entre um e outro »

por Tata

Tenho um irmão um ano e nove meses mais velho. Somos só os dois, e crescemos sempre muito próximos. Tivemos fases de grude, amizade, brigas e até chegamos à beira do ódio generalizado, rs. Tudo que faz parte do pacote dessa experiência tão intensa que é ter e ser irmão.

Desde antes de ter filhos, eu pensava que queria ter todos juntinhos, tipo escadinha. Não queria dar um intervalo grande entre um e outro, porque queria que crescessem juntos, dividissem as brincadeiras, as fantasias, as amizades, como eu e meu irmão dividimos tantas coisas ao longo da vida.

Aí,(…)

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set

23

2011

Sonho mamífero »

por Kalu

Fiz jornalismo porque tinha a esperança de mudar o mundo. Através da informação sei que podemos revolucionar nossa existência.

Minha primeira decepção com o jornalismo foi perceber que, trabalhando para um veículo, estaria condicionada aos interesses dos anunciantes, ideologias do meio e até mesmo esbarraria nas questões subjetivas de meus editores. Foi então que eu percebi que a informação era uma valiosa mercadoria.

Quando fiquei grávida percebi que a mídia vendia a mesma idéia de maternidade: que o parto é o médico quem decide, que deve ser realizado no hospital, aquela idéia pasteurizada de gravidez doença e se estende (…)

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set

22

2011

De onde vem esse medo? »

por Nanda

Meu trabalho de conclusão de curso é – e não poderia deixar de ser – sobre parto. E para falar sobre parto, nada melhor do que entrevistar gestantes. Minha colega e eu fomos a uma clínica particular e  uma clínica do SUS, e a realidade foi um pouco diferente do que a que lemos nos trabalhos acadêmicos: as mulheres – a maioria delas - querem a cesariana.

Para mim, é perfeitamente natural que uma mulher que tenha passado por um parto traumático – como normalmente acontece no atendimento público – tenha medo de parir novamente. Mas eu fico imaginando, fico(…)

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set

21

2011

O que se vive e o que se conta »

por Tata

Dia desses, conversando com uma amiga que se tornou mãe há pouco tempo, falávamos de como tantas coisas seriam mais fáceis, especialmente para as mães de primeira viagem, se antes mesmo da gravidez, soubéssemos com mais clareza do que se trata a maternidade, e a vida depois dos filhos.

Explico: a vida de mãe pintada pelos comerciais de margarina – e muitas vezes, também nos papos de mãe  -, com bebês plácidos dormindo sozinhos no próprio berço, no próprio quarto, e de luz apagada, com filhos sorridentes e obedientes o tempo todo, com a mesa farta do café da(…)

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