mar

15

2011

Cesárea

por Kalu

Era uma barriga imensa cheia de vida e sonhos. O ventre se avolumava à medida que meus questionamentos iam ficando mais aguçados. Como o bebê sairia de lá de dentro? Era bom senti-lo dentro de mim, mas tinha medo de saber como seria quando chegasse. Será que seria como nas novelas que depois que a bolsa rompe, em segundos, a mulher estava descabelada de tanto gritar com um bebê gigante nos braços que já sabe mamar?

Achava que parir era natural, muito embora desconhecesse a razão pelas quais todas as minhas conhecidas e familiares terem tido cesáreas. Eu achava que bastava querer. Me orgulhava da minha avó que havia tido todos seus 7 filhos em casa, sem anestesia.Eu não queria tanto. Só desejava parir, só desejava que meu filho saísse pelo mesmo lugar que ele entrou.

Eu tinha um médico que me conhecia desde que eu era adolescente. Gosto do meu médico, que sempre me fez acreditar que eu escolheria sobre meu parto, apesar de não dar abertura para falarmos sobre ele. Os meses se passaram até que eu comecei a sentir desconfortos no corpo, na alma, contrações que as vezes estavam acompanhadas de dor.

Já não gostava mais de estar grávida. A ansiedade de ver meu filho nos braços era maior, agora, que meu desejo de esperar parir. Eu nunca disse isso, mas ainda bem que meu médico disse. Depois de um ultrassom com 39 semanas, constatou que meu líquido estava baixo (ou que tinha circular de cordão ou que o Doppler deu alterado). Fiquei convencida de que meu bebê estava correndo risco de morte.

Saí do consultório, em um misto de tristeza e alívio. Eu não teria que parir. Mas, em breve, meu filho estaria comigo. Aproveitei para depilar, fazer as unhas e escova. Queria estar linda quando meu filho me visse.

Aquela noite quase não dormi imaginando o sofrimento do meu bebê dentro do meu ventre. Estava com medo do que poderia me acontecer. Mas tinha certeza de que o médico faria o melhor por nós.

Acordei, fiz uma bela maquiagem, peguei a malinha com roupas, o enfeite da porta da maternidade. Chegando a recepção fui recebida com frieza. Passei pela avaliação de um médico que nunca me viu. Meu médico estava a caminho. Fez um exame de toque, falando com o assistente, como se eu não estivesse lá. Fui levada, de cadeira de rodas, vestida de uma feia camisola que me deixava com as nádegas de fora para sala de pré-parto. Iriam fazer a raspagem dos meus pelos, mas Gilmara, a depiladora, já tinha feito um excelente trabalho. Tiraram meu esmalte. As luzes artificiais não me deixavam descansar. Ouvia outras mulheres parindo. Parecia haver dor. Mas parecia ouvir vida ali. Aqui, estava sozinha, com frio e medo.

Alguém entrou para pegar minha veia. Me chamavam de mãezinha. Eu não tinha roupas e agora, não tinha nome. A enfermeira saiu, sem me olhar, tocar ou acolher. No silêncio ouvia meus medos. De cadeira de rodas fui para o centro cirúrgico. Encontrei com minha família e logo nos separamos enquanto estava recebendo a anestesia. Sentada, curvada, só desejava uma mão para segurar, para me fazer sentir viva. Mas só escutava frases desconexas da conversa do anestesista com o assistente. Eles falavam de futebol. Eu parecia ser um pedaço de carne qualquer.

Logo fui colocada deitada. Não sentia nada: nem frio, nem calor, nem meus dedos. Estava morta da cintura para baixo. Um pano cinza subiu a minha frente e lá de longe, sem poder em nada cinza , que estava em toda parte, meu companheiro. Eu só escutava o barulho do aparelho dos batimentos cardíacos. Ele pulsava, mas eu me sentia morta, invisível. Respirava ar artificial, meus braços esticados e abertos como numa cruz.

Todos olhavam o nascimento menos eu. Era uma boneca? Um pedaço de carne aberto? O bebê estava encaixado e sentia meu corpo balançar de um lado para o outro com violência. Já esquecia porque estava ali em meio a conversas tão vazias. Comentavam sobre o terremoto que abalou o mundo. E eu? E meu mundo?

Estava frio. Senti um calor no meu coração. Era um chorinho. Mas logo o levaram. Queria saber se estava tudo bem. Mas ninguém me dizia. Eu não podia me mexer. Rapidamente alguém me traz o bebê e sem que pudesse me virar ele já tinha ido. Nem sabia como ele era. Ele nem viu meus olhos borrados, nem minha maquiagem desfeita. A toca cobria a escova.

Meu companheiro saiu e estava sozinha novamente. Eles me costuravam como se fosse uma coisa qualquer. Distraia-me no som da aparelhagem. Tudo acabou e fiquei sozinha no centro cirúrgico. Tinha que conseguir mover as pernas para subir no quarto e ver meu bebê. Primeiro lutei para ver se conseguia qualquer movimento. Foi em vão. Desisti. Nem apagaram as luzes. Nem desligaram o ar. Estava com frio, com medo, sozinha. Será que isso é nascer como mãe? Será que isso é nascer? Em meus sonhos arquitetava um nascimento diferente em que estivesse em pés e com braços firmes para segurar meu filho nos braços e dar-lhe os seios assim que chegasse.

Ps: Esta história é mera ficção. Existem cesáreas necessárias, mais bonitas e cheias de significado. Mas, a grande parte das histórias, são bem parecidas com essas. Ela completa a visão do nascimento pelo bebê que passou por uma cesárea, a segunda parte deste texto

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25 comentários no post “Cesárea”

  1. Diana disse:

    Eu sempre sonhei parir e acabei sucumbindo a uma cesárea desnecessária, bate sempre uma frustração que guardo quietinha em meu peito, depois passa, olho meu filhote e o fim acaba sendo maior que o meio.
    Embora não necessária minha cesárea não foi tão ruim, entrei andando no centro obstétrico e saí direto para o quarto com meu filho junto, conversei e ri o tempo todo com meu marido ao meu lado, o anestesista me monitorando e conversando comigo, todos atenciosos e afetuosos, então acho que há uma maneira de fazer as coisas não serem tão ruins assim…

    1. Kalu disse:

      Diana,

      Como disse, existem muitas cesáreas bem melhores, mas muitas são assim ou piores que essa. Precisamos batalhar para mostrar que a cesárea não é tão indolor e bela como colocam por aí! Obrigada pela visita.

  2. Olá Kalu, eu gostaria muito de saber sua opinião sobre asfixia perinatal. Escrevi lá no blog sobre a experiência da Rixa, mãe canadense que acabou de fazer um parto domiciliar sem assistência e teve que ressuscitar a filha após o nascimento. Ela mesma já fez várias reflexões importantes em seu blog. Eu pesquisei um pouco mais e agora gostaria de saber a opinião de pessoas que trabalham diretamente com o assunto parto natural, porque o que tenho encontrado mais são informações médicas de pesquisas feitas em hospitais e tal. O link é esse: http://www.whatmommyneeds.net/2011/03/o-que-e-asfixia-perinatal-e-qual-sua.html#more

    Ficaria feliz com sua visita!

    1. Kalu disse:

      Carolina,

      Acompanho alguns partos domiciliares e nunca vi, na minha curta carreira como doula, um bebê precisar de reanimação. Em um dos partos, a circilar de cordão estava muito aparetada, a bebê nasceu quase sem tonus, mas, rapidamente recuperou.

      Vou me informar sobre o assunto para poder escrever amsi sobre isso.

  3. Liriane disse:

    Kalu… gostaria de saber sobre essa diminuição do líquido? isso pode realmente acontecer?

    É que uma conhecida fez cesárea por causa disso … eu achei que foi mais “conversa pra boi dormir”…

    Quais são os reais motivos que indicam a necessidade de uma cesárea?

    Estou me preparando para ser mamãe… gostaria de saber muito sobre isso!

    Bjão!

    1. Kalu disse:

      Liriane e Daniella,

      Essa diminuição do líquido não significa nada. Na verdade escolhi “essa conversa para boi dormir” para ilustrar uma cesárea dencecessária. Mas vou mudar para cordão enrolado. nenhuma redução de líquido, sem fatores associados significa nada. Mas médicos tradicionais se pegam a qqr coisa para fazerem cesáreas

  4. Daniela disse:

    ainda bem que li no final que é ficção! mas qual é a causa dessa diminuição do líquido? e essa diminuição é pra ser feita a cesárea com urgência?
    por favor responda.. estou grávida de 24 semanas e fiquei até com medo desse post
    bjs

  5. Barbara disse:

    Eu tive uma cesárea que ACHO que foi desnecessária, mas fui muito bem acolhida por toda a equipe, seguraram minha mão qdo eu estava com medo e chamaram meu acompanhante na hora que eu pedi, colocaram música e qdo meu filhote nasceu colocaram ele juntinho de mim e me deixaram dar beijinho, não foi o parto que eu sonhei, queria o mais natural possivel, nem nunca passou pela minha cabeça me maquiar ou fazer escova pro evento :) mas mesmo tendo uma cesára humanizada (se é que pode se chamar assim…) ficou um vazio, uma dúvida de que podia ter sido diferente… só queria uma coisa… ter encontrado o mamiferas entes desse parto para ter mais certeza das escolhas que foram feitas! Beijo grande em todas !

    1. Kalu disse:

      Barbara,

      Muiats de nós acabamos a descobrir as coisas depois de vividas, infelizmente. Mas a maternidade não se resume a via de parto ou tempo de amamnetação. Temos muitas formas de usar a consciência da maternidade para fazer em qualquer momento, escolhas diferentes para nós e nossos filhos.

  6. Sílvia disse:

    Eu tb tive uma cesárea desnecessária, com a historinha antes do parto super parecida com seu enredo (motivo foi líquido diminuído, mas a cirurgia foi marcada de urgência, no mesmo dia da ultra, num sábado).
    Mas igualmente a outras colegas que falaram acima, a cirurgia em si não foi tão seca como vc descreveu. Graças a Deus, pq imagino que existam sim casos como esse do seu texto.
    Mas na minha fiquei com meu marido o tempo todo do meu lado, segurando a minha mão, me beijando, me relatando o que acontecia. E minha irmã tb. E qdo tiraram o bebê baixaram o campo e eu vi tudinho ele nascendo. Não levaram para outra sala, limparam rapidamente ele ao meu lado e em menos de 1 minuto estava mamando no meu peito, na mesa de cirurgia. Eu já tinha colostro desde o quinto mês de gravidez. Ficou um tempinho comigo, beijei, cheirei, tiramos fotos. Depois levaram-no pro berçário e meu marido seguiu, mas fiquei com minha irmã o tempo todo, até ir para o apartamento. Acho que 1h e meia, mais ou menos. Assim que cheguei levaram meu bb tb que ficou no quarto o tempo todo, mamou no peito o tempo todo. Acho que foi uma cesárea bem “humana”, não fosse o motivo torpe, claro… e que eu só viria descobrir depois. Não amarraram meus braços, nada disso.
    Agora a recuperação… affffff… HORRÍVEL. A dificuldade de caminhar, a dificuldade em ter que amamentar deitada nas primeiras horas, fazendo com que o peito ferisse logo na maternidade, a dor ao se levantar pela primeira vez, os gases que só faltam explodir o ventre, o incômodo da sonda enfiada no canal urinário… aí sim Kalu, daria uma verdadeira história de terror, se vc quiser continuar seus contos.

    1. Kalu disse:

      Silvia,

      Tem muita cesárea bem mais humana. Eu peguei relatos de cesáraes bem convencionais. Escreverei um post falando sobre a recuperação da cesárea. Se puder conte este filme de horror para mim: kalu@mamiferas.com.

  7. Nossa, foi exatamente assim que me descreveu uma amiga que “precisou” fazer uma cesárea ano passado.
    Mae pela primeira vez, após um certo desconforto, ela foi ao hospital (agosto de 2010, sexta – feira 13). Após um exame, a médica sem dizer nada, a colocou numa cadeira de rodas e a levou com urgencia para o centro cirurgico. Ela queria parto normal, que deveria acontecer dali mais 5 ou 7 dias. Foi cesárea e só ja na mesa de cirurgia ela foi informada que os batimentos cardiacos do bebe estavam diminuindo, pois o mesmo estava sendo estrangulado pelo cordão umbilical.
    Depois da cirurgia, a largaram na maca, com frio, sem trazer o filho. Quando trouxeram, ela estava tao nervosa que nao conseguia segurá-lo, enfim…deu medo.

    1. Kalu disse:

      Lu,

      Que triste isso! MAs histórias como essas acontecem todos os dias. Por isso que precisamos estar com profissionais humanizados.

  8. Patricia disse:

    Puts! Vou fazer um comentário aqui, que tenho certeza que vou ser crucificada: Sou totalmente a favor da cesárea.
    Fiz duas, então acho que sei do que estou falando.
    A 1ª foi de emergência, as 34 semanas de gestação por causa da queda de liquido amniótico, então não tive opção. Mas a 2ª (1 ano e 4 meses depois) foi por opção SIM.
    Eu tenho 1,58m e estava carregando um bebê de quase 4 quilos, um bebê super saudável, mas eu já não dormia, não agüentava ficar mais de 20 minutos na mesma posição, meus pés doíam, meu estomago doía, minha coluna então não vou nem comentar. Não agüentava mais. Liguei para o meu médico, estava com 38,5 semanas e agendei a cesárea. Cheguei no horário marcado, fui bem atendida, fui ao meu quarto, já havia feito as depilações e retiradas (esmaltes, brincos, pulseiras, etc.) necessárias, guardei minhas coisas, dei as orientações ao pai e as avós corujas sobre o que eu e o bebê vestiríamos após, assisti um pouco de televisão…Perto do horário, coloquei a camisola horrorosa (isso é verdade!) do bumbum de fora desci, para a sala de espera do centro cirúrgico (sim, o centro cirúrgico tem uma sala de espera!rsrs) em 20 minutos estava na maca e com o meu bebê no colo.
    Veja bem, quero deixar bem claro que NÃO ESTOU FAZENDO APOLOGIA A CESÁREA! É uma cirurgia complicada, de recuperação lenta e doloridíssima, mas sou totalmente a favor do direito de escolha da mulher.
    E antes do mimimi de “você não pensa no bebê”, “não era hora dele nascer ainda” e blá,blá,blá eu respondo com 2 casos super próximos de mim de pessoas que forçaram o parto natural e hoje tem filhos com problemas em decorrência do parto (uma por falta de oxigênio pro bebê, porque ela não tinha abertura suficiente e não queria cesárea de jeito nenhum e outra que quase morreu de pressão alta, porque queria “sentir a dor REAL de ter um filho” e quando se decidiu pela cesárea já era tarde).
    {Só quero lembrar que você não precisa sentir dor, o medico pode, a critério dele, aplicar a anestesia (peridural se não me engano) e você pode ter o parto natural}
    Mas, repito: SOU A FAVOR DO PODER DE ESCOLHA DA MULHER, Acho que CADA UM SABE ONDE SEU CALO APERTA E a ciência e a medicina evoluíram, entre outras coisas, pra isso. Para você ter o direito de escolher o que você julga melhor.

    1. Kalu disse:

      Patrícia,

      Cada um defende o que acha melhor e isso é ótimo. Viva a diversidade. Só quero lhe dizer que não importa o tamanho do bebê, bebês nascem. E a dor não é algo insuportável se vc está em um ambiente favorável, com metodos não farmacologicos para alivio da dor, em posições que facilirtem o parto. Essa história de “forçar” o parto é balela. Nenhum profissional humanizado força parto normal. O que acontece é que respeitam a fisiologia. Quando a fisiologia não funciona, vem as intervenções. Essa falta de oxigêncio, por exemplo. Se vc perguntar questione se essa mãe recebeu ocitocina, se esse bebe realmente estava a termo. Pq o que acontece é que muitos médicos induzem trabalhos de parto na fase latente (que pdoe durar dias) e as intervenções causam os problemas. Essa outra aí da pressão alta certamente não tinha um acompanhamento pre natal adequado.

      Optar por uma cesárea, na minha opinião, é uma crueldade. Pq niguém que chega a um médico e pede para retirar sua apendice (afinal ela pode dar problemas) tem seu pedido atendido. Pq retrirar um bebe saudável do ventre, sem estar a termo é aceito? Isso é uma violência contra o proprio corpo, um desrespeito contra a vida que não teve o direito de escolher. è triste saber que isso é tido como normal (muito mais do que uma mulher que pari em casa).

      Obrigada por suaopinião.

      1. Patricia disse:

        Oi Kalu, legal vc responder a todos os comentários! :)
        Bom, quero só complementar que EU acho que “violência” é a falta de escolha.
        Muito legal o blog e a troca proporcionada aqui!

        abços

  9. Rebeca Bricio disse:

    Adorei esse relato mesmo que fictício, pois conheco várias que compartilham dessa frstação. Tive PN, mas sofri maus tratos no hospital público, foi horrível, ao ponto de escutar gracinhas do tipo: tá doendo, né, mas na hora de fazer estava gostoso…

    péssimo, né.

    1. Kalu disse:

      Nossa Rebeca,

      Bota péssimo nisso. Vc viu o post da Kathy sobre isso?

  10. Oi Kalu, poxa fiquei triste porque você só não respondeu ao meu comentário ainda! O video da Rixa está no youtube e acho interessante pessoas como você se manifestarem sobre ele, porque pode gerar mau entendidos. Abçs

    1. Kalu disse:

      Oi carolina,

      Respondi sim, querida, estáa logo abaixo do seu primeiro comentário. Li lá no seu blog sobre o assunto.
      Escrevi acima: Acompanho alguns partos domiciliares e nunca vi, na minha curta carreira como doula, um bebê precisar de reanimação. Em um dos partos, a circular de cordão estava muito aparetada, a bebê nasceu quase sem tonus, mas, rapidamente recuperou.

      Vou me informar sobre o assunto para poder escrever mais sobre isso.

  11. Oi Kalu, desculpe, não tinha aprecido a resposta para mim não! Mas, obrigada mesmo por ir lá comentar!

  12. Luana Botelho disse:

    Concordo com a Patrícia no direito de escolha. O meu caso tb foi cesárea, o médico me entregou a guia do plano para entregar na maternidade mas percebi já era encaminhamento de cesárea, fiquei revoltada pq por toda gestação não sabia que tipo de parto realmente queria. E o médico me dizendo que somente no final seria possível saber. Meu parto foi tranquilo, a bolsa estourou de madrugada, fui para a maternidade, esperei o meu médico, minha filha nasceu saudável e linda, amamentei-a depois de um tempo, não tive dores nem antes nem depois, já ouvi relatos de anestesia hack mal aplicada ou aplicada mais vezes com consequências horríveis e dores por toda vida, mas felizmente este não foi meu caso. No 2º dia estava tomando banho sozinha, em casa descanesei, mas fazia as coisas, estávamos somente minha filha, eu e emeu marido. Pois bem, admiro e respeito o desejo de cada um. O importante é que hj minha filha cresce bem, é alegre, dinâmica, carinhosa e cada sorriso vale por todo instante de vida. bjs e este foi o meu caso. parabéns pelos temas abordados por aqui, realmente nos fazem refletir.

  13. Cris Condé disse:

    Kalu, finalmente criei coragem p/ escrever…kkkkk
    Adorei o texto! Compartilhei com vc a angústia do meu bebê ter ficado em posição pélvica e infelizmente fui submetida a uma cesárea…aff…eu que sonhei com um parto natural, totalmente natural. Pude identificar no seu texto momentos que vivi na sala de cirurgia, eu que não tive nem meu marido me acompanhando, e não recomendo pra ninguém a cesárea, nunca mesmo! bjos

  14. NaNa disse:

    Bom… assunto delicado esse p mim que acabei de passar por uma cesárea… e a historia é comprida
    passei a gravidez me preparando pro parto normal, o mais natural possivel, em casa… não pretendia nem tomar anestesia!! escolhi a parteira, fiz yoga, fisioterapia com Epi-No, etc etc e etc… não fiz mala da matrnidade (afinal, eu não ia pro hospital mesmo…) só que com 38 semanas fui na ultima consulta com a parteira e ela constatou que o filhote ainda tava sentadinho (ele tava assim desde a 28 semana) e me sugeriu fazer a moxabustão e/ou uma versão externa (manobra feita por fora da barriga, na qual 2 profissionais experientes tentam virar o bb), só que pra isso ou eu teria que ir pro hospital com hora marcada e fazer a versão e ir pra casa ter meu tp e meu parto domiciliar, ou podia fazer o que provavelmente a maioria das mulheres faz depois duma versão e induzir o parto, ou teria que esperar o tp e ai ir pro hospital, fazer a versão e continuar o tp normal…só que a bolsa não podia estourar. resolvi esperar o tp pq pensei “bom, vai que ele vira…”
    uma semana depois, 25 de janeiro, mais de meia noite, eu tava em casa com o namo/marido/pai do filho e resolvi que ia fazer uma malinha p deixar pronta , afinal, agora eu teria q ir pro hospital de qq jeito, mesmo q não ficasse lá mais do que o tempo da versão. Terminei de fazer a malinha, minha e dele, umas 2:30 e fui deitar. As 7hs do dia 26 acordei com contrações mais fortes, fui em busca do namo/marido/ pai do filho / amor da vida que ainda tava na sala trabalhando , desde a noite anterior! Avisei ele mas achei que era muito cedo p ligar p parteira, não sabia se era mesmo a TP… 9:30 as contrações ficaram mais fortes e eu liguei. Ela me mandou ir pro consultorio, encontrar c ela e com a G.O (agora eu tinha uma G.O.!!!!!!) que fez exame de toque e sim, eu ja tava com 1,5cm de dilatação, tentamos a versão no consultorio, doeu MUITO e ele não virou… Passei em casa, tomei 1 banho, arrumei as coisas pra cã ficar sozinha e fui pro S.L. cheguei lá umas 16hs… entre tramites do hospital e bla bla bla, fui pro centro cirurgico as 20 hs. Tomei peridural p fazer a versão, confesso q a tentativa no consultorio me doeu MUITO!
    começamos a versão cefálica as 21hs, as 21:40, depois de 3 tentativas a G.O . pediu um ultrassom que constatou que o filhote não ia virar mesmo… o pézinho dele tava preso… não sei como, não sei há quanto tempo. Sei que vi a cara da parteira e da médica e eu mesma falei “bom, então tá, podem preparar a cesarea, eu já tou com esse cateter nas costas mesmo”
    Meu namo/marido/ pai do filho /amor da vida ficou comigo o tempo TODO, segurando a minha mão, fazendo carinho, olhando nos olhos e quase desmaiando quando me puseram o cateter da anestesia :P Isso ajudou muito p eu não ficar nervosa… o clima da equipe tb foi fundamental, todo mundo muito legal, muito gentil, o clima tava bem descontraído, todo mundo rindo dos meus xingões pra dor da versão e pra anestesia q eu ia acabar fazendo dps de tanto querer o parto normal… eu tinha esquecido de levar o som pra colocar musica mas alguém, se eu não me engano a anestesista, ligou um que tinha na sala (eu nem ouvi nada durante o processo todo) e meu filho nasceu ao som do Beatles (tocou Let it be) que tocava no radio, só percebi que tinha musica quando o pai dele cantou pra ele no colo.
    A minha cesarea durou 15 minutos, 15 minutos MESMO, meu filhote nasceu, chorou alto e forte, em 1 min tava no meu colo, lindo, limpinho (ele nasceu limpão, quase sem vernix), mamando MUITO… não foi o pai que cortou o cordão nem deu o primeiro banho mas foi pq ele tava meio tonto de me ver ali, toda aberta e esqueceu… ficou comigo ao inves de ir atras do nosso bebezinho. Mas ele tava bem cuidado, não foi aspirado, não recebeu injeção de vitamina K , não pingou colirio, foi pro berçario dps de mamar quase meia hora p se limpar. A equipe foi muito bacana e me deixou ficar recuperando da anestesia no proprio centro cirurgico p o namo/marido/pai dofilho/amor da vida poder ficar comigo. Só nos separamos quando eu ja tava quase sem anestesia p eu ir pro quarto e ele ir buscar o bb no berçario. A única coisa ruim foi que quando a equipe que fez o parto foi embora, eu fiquei a merce das burocracias hospitalares e o filhote demorou até umas 3hs da manhã (ele nasceu as 22:33) pra vir pro quarto pq o hospital questionou o alojamento conjunto pq ele tava com a glicose baixa e eles queriam dar sei lá o que, mas eu liguei p pediatra que mandou esperar a glicose dele subir pq ele ja tinha mamado e resolveu td rapdinho e as 3hs ele tava comigo. 
    O ruim, muito ruim da cesárea é a recuperação. Ver o corte que fica, a dor pra amamentar, pra sentar, pra se vestir, o incomodo pra fazer xixi (resultado do cateter) e a frustração de não ter sido eu a ter o meu filho, dele ter sido tirado de dentro de mim por outra pessoa. Eu chorei vários dias por ter feito a cesarea. Até que acho que entendi que não foi escolha, não foi mimo ou conforto. Eu cheguei no TP, eu fiz a minha parte de gestar ele bonitinho, cuidei direitinho dele quanto ele tava lá dentro e agora era mesmo a hora dele sair só que ele tava preso dentro de mim, e eu tinha que cuidar dele tão bem quanto tinha cuidado até então. acho que foi a minha vontade de protege-lo do mundo aqui fora que fez isso… não sei bem. Ainda tenho questões p resolver sobre a cesárea… mas, como disse a parteira, o proximo é em casa, com parto normal :D

  15. Aryadni disse:

    A cesárea nao é de recuperação lenta e dolorida… Pelo menos a minha não foi, porque fiz tudo como o médico mandou. Minha cesárea foi inicialmente eletiva, mas não tinha outro jeito pq o bebê tava em posição pélvica. Acho que a escolha de cada mulher deve ser respeitada. Meu parto foi lindo e super confortável. Saí do hospital no outro dia e fui pra casa amamentando por livre demanda e amamentei até ela ter 1 ano e 7 meses. Eu ficaria com medo de parir em casa sem suporte médico caso algo desse errado. Mas isso é o que EU sentiria. Admiro quem faz. E não quero ser recriminada por esta ser a minha escolha. Adorei o blog.


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