nov
17
2010
Amamentar, Direito ou Dever?
por Tata
Eu andava pensando em escrever sobre essa matéria pra lá de polêmica sobre aleitamento, aí ontem a Kalu me atropelou (rs), e escreveu antes. Então resolvi falar sobre uma questão delicada que a reportagem levanta, e que de certa forma apareceu até nos comentários do post de ontem: amamentar é, afinal, um direito ou um dever da mulher?
Já esperando as pedradas (hehe), começo dizendo que pra mim, amamentar não é direito, é obrigação. Sim, obrigação. Eu entendo que o aleitamento é um direito sim, mas um direito do bebê: o direito ao mínimo necessário para crescer com saúde e se desenvolver adequadamente, física e emocionalmente. Às mães, cabe prover isso aos bebês.
Aí tem quem diga: mas a mãe não tem direito à escolha? Sim, tem, é claro que tem. A vida é feita de escolhas, afinal, e a verdade é que a gente escolhe mesmo quando não se dá conta, ou quando pensa que não está escolhendo.
Pra mim, a escolha vem antes: escolhe-se ter filhos, ou não. Ser mãe é escolha. Ninguém é obrigado a colocar uma criança no mundo, caso não deseje fazê-lo. Não vivemos mais na época em que ter filhos era ‘o curso natural da vida’, uma etapa obrigatória da qual mulher alguma conseguia escapar, por mais que o desejasse.
Assim, quem tem filhos, é porque optou por tê-los – não entro na discussão sobre gravidezes inesperadas e/ou indesejadas, porque de qualquer forma, tenha sido pensada ou não, consciente ou inconscientemente, ainda houve a escolha, e a responsabilidade que vem com ela. A maternidade é, portanto, uma escolha, e a partir do momento que uma mulher faz essa escolha, há um mínimo que ela, a meu ver, é sim (ou deveria ser) obrigada a proporcionar.
Aí tem quem diga das mulheres que não podem, que não conseguem, etc, etc, etc. Bom, isso já foi falado e repetido aqui, mas vamos lá: salvo raras – raras! – exceções, TODA mulher pode amamentar. Questão de ter apoio, orientação adequada e força de vontade. Com essa tríade, não tem falta de leite, bebê sugador, bebê faminto, cansaço, peito machucado ou seja lá o que for que impeça uma amamentação bem sucedida.
É claro que seria impensável uma fiscalização que obrigasse o cumprimento de algo como o aleitamento materno. Nem estou propondo algo do gênero. No final das contas, é algo que fica mesmo a cargo do bom senso de cada mãe, das buscas pessoais, das crenças e valores de cada uma.
O que eu proponho aqui é uma reflexão, uma discussão conceitual: afinal, amamentar deve ser opcional? Uma mulher deveria poder escolher não amamentar seu filho, mesmo podendo fazê-lo? O que vocês acham?
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Imagem: arquivo pessoal – Chiara, aos 5 meses, exercendo seu direito sagrado ao aleitamento materno exclusivo!
categorias: Tata, amamentação
tags: amamentação, amamentação exclusiva, direitos, escolhas, leite materno, maternidade, mídia, mundo afora, polêmicas, Tata





Acho que a grande questão é: aquele que não pode escolher (bebê) o que escolheria. Como escolheria nascer? O que desejaria comer? Pense como um bebê e fica bem fácil responder. quando nos tornamos mãe devemos abrir mão do egoísmo. Afinal, muita mulher não amamneta para o peito não cair tb!
ótica interessante, essa, Kalu! adorei.
Eu acho que amamentar é intensamente PRAZEROSO e fico triste pelas mães que por qualquer motivo não puderam aproveitar desses momento de prazer real, intenso, prolongado.
somos duas… embora eu fique, além de triste, um bocadinho indignada também!
Olha, Tata, eu confesso que por essa ótica eu nunca tinha pensado. Eu, que amamentei Eduardo apenas só até os 9 meses (mas, fiz os 6 meses exclusivos certinho), hoje me arrependo por não ter tido instruções e apoio para não introduzir o tal complemento, porque afinal naquela altura meu leite já estaria “fraco”, de acordo com o pediatria e a família.
Por sorte e determinação, Luca, hoje com 9 meses, continua firme e forte na amamentação e vamos prosseguir assim até quando ele quiser.
Realmente seu texto me deixou com uma pulguinha atrás da orelha. Será mesmo que temos a obrigação de amamentar? De fato, não sei a resposta.
Mas, outros sentimentos que brotam em mim são o seguinte: eu não fui amamentada pela minha mãe, tomei leitão de vaca mesmo, aquele caipira, forte, com nata.. blarght! E, em verdade, não tenho problemas de saúde, sou até bem fortinha. Mas, tenho lacunas emocionais fortes… tenhos minhas neuras. Será que se tivesse sido acalentanda por minha mãe, colocada em seus braços tantas e tantas vezes para mamar, sentir seu calor, seu aconchego, saber que ela estava ali por mim disposta a se doar inteiramente, tantas e tantas vezes ao dia, eu ainda sim teria algumas “falhas” emocionais?
Talvez sim, talvez não.
Por via das dúvidas, não quis correr o mesmo risco com meus meninos. Eu quis – e quero! – me doar. Quis ser mãe por inteiro mesmo: parir naturalmente, amamentar no peito, não dar a chupeta, não deixar chorando no berço, pegar no colo quantas vezes serem necessárias. Eu quero mostrar a eles, com esses gestos, que eu estou aqui para eles, completamente, para que se sintam seguros, que possam dar seus passos para frente, que eu os segurarei.. até o dia em que eles andarem com suas próprias pernas e não precisarem mais de mim.
E, então, dessa forma, acho que chegou a uma resposta: Sim, amamentar é OBRIGATÓRIO, sim. Para MIM e para MEUS FILHOS é obrigatório!
Bom texto, boa reflexão, obrigada por isso.
=)
Glauciana, fico feliz de ter fomentado tanta reflexão…
acho que lacunas vão haver sempre, sabe? não seremos mães perfeitas, e a idéia nem é essa. a idéia é não se furtar de correr atrás do melhor, não deixar de assumir suas escolhas e não se esconder atrás de justificativas vazias…
parabéns pela tua linda história!
beijo!
Para mim é obrigatório sim.
E estou vivendo isso atualmente viu.
No meu primeiro filho não tive tantas dificuldades em amamentar. Tive fissuras sim, doeram pra caramba, mas passaram com 40 (sofridos) dias. Depois foi só glória. Amamentei exclusivo os 6 meses e depois até ele não querer mais por si só.
Agora com a segunda, tive sérios problemas nas mamas, que me fez amamentar sentindo dores até os 9 meses. NOVE MESES sentindo dor a cada mamada. E os seis primeiros foram sim exclusivos (sem aguinha, chazinho, nada, só peito em livre demanda).
Eu tinha/tenho leite demais, inclusive doava o excesso, e seria um pecado deixar de dar a minha filha o que há de melhor em alimento.
Conversei com especialistas em amamentação e a limitação era apenas eu querer/poder suportar a dor, e realmente não havia nada que remediasse essa dor, só o tempo mesmo. A bebê mamava direitinho, estava sendo bem nutrida, enfim… o negócio era eu comigo mesma.
Resolvi suportar sim essa dor, pq me sinto na obrigação em oferecer o melhor que posso para minha filha.
Foram noves meses de dor e só então depois passou.
Hoje ela tem 1 ano e 1 mês e continua mamando. Não dói mais. Mas confesso que prazer tb não sinto (como sentia com meu primeiro filho), acho que por causa do trauma de tanto tempo amamentando com dor.
Mas isso para mim não importa. Eu passo por cima de mim sim, sem medo, em prol dos meus filhos.
O que importa é que ela está tendo o mesmo direito que o irmão teve. E vai ser igual ao irmão. Vai mamar até qdo ela quiser. Gostando eu ou não. Tb não gosto de acordar de madrugada a cada 3 horas, nem de ficar de vigília qdo eles estão doentes, nenhuma mãe faz isso por prazer, faz por dever, por entrega total aos filhos, por AMOR. Qdo se amamenta com prazer, é melhor ainda (graças a Deus vivi isso com meu primeiro filho, senão ia achar que é lenda… rs). Mas acho que deve ser feito sim, independente de prazer.
sílvia, parabéns pela caminhada! e por não arrumar desculpas, fazer suas escolhas e assumi-las, tão raro isso não?
ser mãe às vezes não é fácil, mas as mais belas coisas da vida tampouco o são. o que vale a pena vem com batalha, quando a gente não se furta de correr atrás.
beijo!
sílvia, parabéns pela caminhada! e por não arrumar desculpas, fazer suas escolhas e assumi-las, tão raro isso não?
ser mãe às vezes não é fácil, mas as mais belas coisas da vida tampouco o são. o que vale a pena vem com batalha, quando a gente não se furta de correr atrás.
beijo!
Concordo com você, acho que amamentar é obrigação de cada mãe… acho mesmo que quem não quer arcar com as responsabilidades e deveres da maternidade deveria pensar melhor e não ter filhos. Hoje em dia é muito fácil prevenir uma gravidez, então, não tem desculpa.
Bjos
é como eu vejo tb, Maíra, a escolha tem que ser feita antes.
beijo
Parece que [e a semana das pérolas. Olha essa matéria da fernanda Young: http://claudia.abril.com.br/materias/2175/
Essa matéria é bem antiga, Kalu.
Eu já tinha tido o desprazer de ler isso faz tempo.
Mas a matéria combina bem com o jeito da autora.
Não há de se esperar coisa melhor vindo dessa fonte.
essa matéria é um lixo. mas concordo contigo sílvia, vindo de quem vem…
Ahhhh meninas, mas a Lata de Leite respondeu pra ela! Vao lah ver no meu blog: http://familiasapooromais.blogspot.com
Beijos
Dani
Para mim é uma condição da maternidade, uma “obrigação” sim. Se escolheu-se ter um filho, isso é meio básico, né? Se vc optou por trazê-lo ao mundo, amamentar é a forma de nutrí-lo, é um direito “natural”. Sei que cada vida é única, tupo pode acontecer, mas às vezes a forma como este assunto é encarado proporciona um distanciamento tão grande da natureza humana, da necessidade de calor, amor e carinho, do direito à saúde e a um bom desenvolvimento, que me assusta. Muitas mulheres têm dificuldades, outras não querem é se dedicar mesmo e já tomam uma decisão que afeta não só ela, mas a outra pessoa, seu filho. Filho não é propriedade, não é acessório ou brinquedo. A vida humana está desvalorizada a tal ponto, que não pensamos nenhum pouco nas futuras gerações. Somos uma sociedade estúpida, imediatista e vazia. A criança mal chega ao mundo e já está com a alimentação condicionada pela “vontade” da mãe. E como disse a Kalu, muitas não querem o peito caído, muitas não querem se dedicar. E dedicar não é abdicar de si mesma. Isso é tolice. Trabalho, estudo e nunca deixei de amamentar minha filha de um ano e sete meses. Quem tem dificuldades e QUER amamentar, se esforça, se recupera, superando as dificuldades, realizando seu desejo. Ou até desiste, mas depois de tentar. Agora, cortar sem mais nem menos essa possibilidade, simplesmente porque lançamos uma questão intelectualizada acerca de algo tão entranhado em nossa própria existência (ainda somos mamíferos, não é mesmo?), é uma profunda alienação do outro e de si mesmo. É uma alienação da natureza. E é antiecológico. Nossa arrogância é tanta que daqui a alguns dias vamos nos perguntar se realmente precisamos ir ao banheiro fazer xixi e cocô.
Tata, tô contigo e não abro!
Beijos,
Camila Morais
acho esse ponto bem importante, Camila: “a criança mal chega ao mundo e já está com a alimentação condicionada pela ‘vontade’ da mãe”. toca no individualismo dos nossos dias, na dificuldade de entrega, de doação. e como vc bem disse, doação não é deixar-se de lado, é compartilhar. é dedicar. ninguém precisa deixar-se de lado para ser mãe, mas é preciso deixar de se achar o umbigo do mundo, com certeza.
beijo
Amamentar é obrigação sim! Não quer cansar nem passar trabalho: tenha um cachorro!
fico fula da vida quando vejo mães dizerem que deixam os pequenos chorando, porque precisam descansar, que desmamam para poderem dormir… amamentar, acordar de madrugada, achar que os olhos vão cair fora de tanto sono, é nosso batizado como mães! todas precisamos passar por isso para entendr o real significado da doação que é a maternidade.
a questão toda, Dani, é: faz parte do pacote. assim como não dá pra dizer “vou ter um filho, mas não quero nem sa-ber de trocar fraldas, acho um nojo!”, não é? seria absurdo. é tudo parte de um pacote, não dá pra querer o ‘glamour’ da maternidade – fazer um quartinho lindo, comprar roupinhas de marca, passear com o carrinho xyz, levar nas festinhas e sair linda nas fotos – e não querer botar a mão na massa…
a questão toda, Dani, é: faz parte do pacote. assim como não dá pra dizer “vou ter um filho, mas não quero nem sa-ber de trocar fraldas, acho um nojo!”, não é? seria absurdo. é tudo parte de um pacote, não dá pra querer o ‘glamour’ da maternidade – fazer um quartinho lindo, comprar roupinhas de marca, passear com o carrinho xyz, levar nas festinhas e sair linda nas fotos – e não querer botar a mão na massa…
Podia entrar aí no meio aquela (pseudo) matéria polêmica que a revista Crescer publicou um tempo atrás sobre a licença maternidade, com uma perspectiva absurda, passando uma mensagem ameaçadora para as mães, como se a licença de 6 meses pudesse prejudicar a carreira profissional das mulheres que aceitassem abrir mão do trabalho durante esse tempo.
Dou esse exemplo porque pra mim aquela matéria foi emblemática, assim como essas que vocês comentaram aqui (Obs.: o texto da Fernanda Young é de vomitar, como quase tudo o que ela escreve, principalmente porque sempre escreve pretendendo ser autoridade num dado assunto – o pior: tem muita gente que acha ela bacana e formadora de opinião, socorro!).
Emblemáticas porque ilustram perfeitamente a inversão que estamos vivendo: antes vem o mercado, a carreira, o consumo, o material, os prazeres fulgazes e individuais… E beeem depois vem a humanidade, o contato, a convivência, o calor humano, a troca de experiência, o tempo de cada um, o prazer, o subjetivo, a doação, a generosidade, o olhar pro outro…
Ao invés de ficarem publicando matérias que estimulam a vitimização das pobres mães que são pressionadas a amamentar seus filhos, deveriam questionar o que está acontecendo com a nossa sociedade, que valores estão sendo priorizados e quais as consequências disso pra nós mesmos.
Como disse a Rê, outro dia desses, vivemos “tempos bundões”. Tudo isso tem muito a ver com essa definição, rs…
A real pressão que está acontecendo é a de uma sociedade doente sobre homens e mulheres que estão vivendo assim, valorizando o que for material, rentável, consumível, prático, prazeroso (no sentido mais fútil da palavra), mandando às favas o autruísmo e as necessidades e desejos dos que estão do seu lado (nesse caso: do seu próprio filho!)…
Enquanto houver essa inversão, ou: enquanto tanta gente se deixar atingir por ela, bizarrices como essas vão continuar.
Eu nem consigo julgar uma mãe que escolha não amamentar, nem consigo refletir sobre a polêmica de direito ou dever da mãe ou do bebê porque pra mim tudo isso são sintomas tristes de questões sociais bem mais amplas e o buraco é muito mais embaixo…
Nosso remédio é questionar e resistir, sempre.
helô
interessantíssimo teu viés. acho q esse é um caminho importante, a informação de qualidade para uma mudança real de consciência. agora… acho importante a gente dizer que mesmo com tanta informação equivocada por aí, tantas mulheres conseguem. vão além, buscam alternativas, correm atrás. por quê? o que as diferencia? mais uma vez, acho importante a gente falar da responsabilidade pessoal, também. num mundo ideal, todas teriam acesso à informação de qualidade. mas enquanto o ideal não chega, é possível sim fazer diferente, buscar alternativas, depende de cada uma.
seguimos na resistência, sempre!
beijo
O que as diferencia, Rê, é justamente a resistência a tudo isso, a uma parte disso, a algumas partes ou a nenhuma. Nos mantermos conectadas a coisas das quais o tempo todo tentam nos afastar é um desafio totalmente pessoal mesmo, depende de força, de interesse, de consciência… Pra mim a questão toda é social. Mas você tem razão: a atitude é pessoal.
tem q haver um equilíbrio entre as duas forças, né?
beijo!
Para mim é uma obrigação sim!! Tenho dois filhos.Com o primeiro, tive rachaduras e dores por quinze dias. A metade do bico do meu peito caiu. O meu marido me pedia para desistir, porque não aguentava mais me ver sofrer daquele jeito. Mas passou e eu amamentei exclusivamente por seis meses e mais seis meses com outros alimentos. Bom, agora tenho uma menininha e para minha surpresa, foi muito mais difícil. Tive mastite três vezes em dois meses, muita febre e dor, dor e dor. Mas NUNCA passou pela minha cabeça deixar de amamentar. Mesmo ouvindo os “conselhos” para desistir vindo do meu marido e da minha mãe. Alícia hoje tem oito meses e mama muuuuito. Mamou exclusivamente no peito por sete meses e está agora com nove quilos. Mas sabe o que MAIS me aborrece? Não são as dores e nem os conselhos tortos. Mas aquelas mães que deixaram de amamentar,e ficam “diminuindo a importância” da amamentação. Como se amamentar fosse um capricho sem necessidade nos dias atuais. Um absurdooo…Amo amamentar e vou continuar até minha filha desejar.Bjs
Rita, isso pra mim soa a uma tentativa de aplacar a própria culpa e a própria frustração. sabe a história da raposa e das uvas? “estavam verdes, eu nem queria mesmo…”. pois é.
Tem toda razão!
Obrigação, para mim.
Acho que o que falta nas matérias, tanto contra ou a favor, é indicar onde buscar ajuda. Eu tive total apoio familiar, profissionais a disposição, força de vontade, mas demorei a buscar ajuda porque acreditava que amamentar sempre dá certo, que todo mundo ia ser contra o aleitamento, que as evidências de problemas só existiam na cabeça de avós e pediatras… Tem casos em que é necessário o auxílio clínico mesmo, e se eu soubesse que os bancos de leite existem também para isso minha história poderia ser outra. Esperar o dia do grupo de apoio (que não tem e nem deve ter caráter clínico), fazer dívida para pagar mais uma consulta com o especialista, tudo isso estressa. E o banco de leite ali, auxílio imediato, disponível, gratuito, e eu não sabia.
O final foi quase feliz, pois amamentei mais de 2 anos, pena que não exclusivamente. Mas tenho orgulho da minha teimosia de seguir adiante apesar das rachaduras, duto exposto, leite que secou, bebê alérgico… Valeu MUITO a pena, faria tudo outra vez.
tem toda razão, Ju, esse é um foco importantíssimo: como e onde buscar apoio. muitas histórias de amamentação poderiam ter um final totalmente diferente se as mães tivessem encontrado apoio adequado…
Olá Tata!!
Primeiramente, eu concordo com você, quando diz que amamentar é um dever da mãe…
Mas antes, faço algumas ressalvas no que diz respeito a pseudo liberdade de escolha que temos nós mulheres sobre a maternidade:
1 – Antes de mais nada, nós não temos uma educação voltada para o auto-conhecimento, e assim, a escolha a maternidade. Com isso,na prática, nós não conhecemos nosso corpo. Aulas de biologia na sexta série mostrando figuras de útero não sao auto-conhecimento!!! Uma educação sexual voltada para o toque, a masturbação, a percepçãp própria do corpo, a observação, o prazer e aí sim, a livre decisão de ter ou não filhos ainda não existe. Sexo é tratado, na escola e na família, como tabu e problema propagador de doenças(nela, a gravidez também é vista como doença) que se lida na adolescência – inclusive ignorando a sexualidade na infância, que é um grande erro e um problema no auto-conhecimento posterior…
E eu digo isso com conhecimento de causa, já vi criança de 10 anos na escola me perguntando porque põe camisinha na banana quando vai fazer sexo!!!
2 – Também temos uma educação machista demais, que nos faz ceder demais; e por mais que as mães e pais e educadoras e que a sociedade verbalize que nós devemos nos afirmar e não deixar os homens transarem conosco sem camisinha, blá blá blá, no exemplo e nos contos de fadas, somos educadas a acreditar que ficaremos velhas chatas e mal amadas se ficarmos sozinhas, educação essa que faz com que nós tenhamos pavor da solidão, e aceitemos tanta coisa….Inclusive abusos dos mais variados tipos. Sem contar a educação dos homens, que faz com que eles se achem os donos do mundo e não nos respeitem nem um pouco, além de sempre jogar para cima de nós toda a carga de ter um filho.
3 – O acesso aos meios contraceptivos é ainda um problema de saúde pública. Além de todo o problema de saúde pública que afeta inevitavelmente a ginecologia, também há o problema de médicos cavalos, nada humanizados, que não nos escutam(tanto na rede pública quanto na particular) e nem olham com cuidado qual método é melhor para cada mulher, além de ignorar suas queixas e questões psicológicas intrínsecas do sexo. Eu acabo de descobrir, indo colocar meu DIU, que meu antigo ginecologista foi um irresponsável de me dar 4 tipos diferentes de pílulas com o histórico familiar de doenças vasculares que tenho.
4 – Bom, métodos contraceptivos falham…Sem legalização do aborto, ou no mínimo sua descriminalização, é IMPOSSÍVEL falar em maternidade como opção da mulher! As igrejas deveriam calar suas bocas e ficar nos seus templos, ao invés de levar isso para bancadas políticas. O Estado não deveria tomar partido de religião nenhuma, já que ele se diz laico! Liberdade sexual implica em domínio do próprio corpo, e filho não deveria ser castigo para mulheres sexualmente livres…
5 – Sem uma estrutura social que libere o casal para a maternidade e paternidade, a questão é complicadíssima…Como condenar uma mulher que não amamenta se ela até tem licença maternidade de 6 meses, mas é obrigada a dar conta de uma casa inteira sozinha, do cuidado com outros filhos, da pressão social para que ela seja “produtiva” para o Capital e tendo ainda que lidar com um marido inútil que não tira nem o prato dele da mesa(voltando a educação machista)? Nossas avós tinham uma rede de mulheres em torno para ajudar com tudo quando o bebê nascia, e nós cada dia mais estamos sozinhas…Não digo de voltar às antigas, e sim de reivindicar uma licença paternidade decente já! Só para começar…Eu optei por amamentar e estou chegando aos 6 meses de Pietro mamando exclusivamente, pretendo amamentar até os dois anos no mínimo, mas eu tenho apoio para não me preocupar com grana, praticamente nao me preocupar com a casa por viver numa comunidade, tenho um companheiro paterníssimo e hiper compreensivo inclusive com meu cansaço e com toda a questão psicológica que envolve a matermidade…Mas e as mulheres que sao deixadas pelos maridos? E as que tem que trabalhar para sobreviver porque não tem quem o faça por elas? E as mulheres hiper pressionadas pelo machismo dos comentários de que são fracas e de que não conseguem amamentar? E a pressão por seguir padrões de beleza, e a nossa cabeça com a ditadura dos peitos duros?
Por fim, digo que a amamentação não é um direito só do bebê – é um direito da mãe também!! Para que ela desfrute não só do bem para sua saúde que faz amamentar, mas também do tesão enorme que é! Eu digo mesmo, eu ADORO amamentar, mesmo ficando cansada, eu me sinto realizada e saciada inclusive sexualmente. E acho que esse mundo que faz disso uma dor e uma obrigação chata é um mundo machista e preocupado com o lucro de homens brancos capitalistas, isso sim!
Faço questão de dizer para todo mundo que amamentar é maravilhoso…
Sem contar o poder de ver nossos filhos crescendo e se desenvolvendo unica e exclusivamente com o nosso corpo…Ai, é demais!
Isadora,
eu vejo um pouco diferente. acho vitimizar demais a mulher tirar dela todas as responsabilidades. ela é sempre vítima de alguém: da família q a educou para ser assim, da escola q não deu a formação adequada, dos homens q a subjugaram, da igreja q julga suas escolhas, do Estado q não lhe dá uma licença adequada para amamentar…
e apesar disso, vejo ao meu redor tantas mulheres porretas lutando pelo que acreditam, fazendo suas escolhas e assumindo responsabilidade por elas, superando dificuldades e correndo atrás do que acreditam.
veja bem, mesmo quando se engravida ‘sem querer’ (acho bem complicado falar em engravidar sem querer nos dias de hj, mesmo, mas enfim), há opções, há caminhos, e se a mãe escolhe assumir a criança, é uma opção que ela fez.
acho perigoso a gente colocar a mulher na condição de vítima, sempre. infantiliza. e tira delas a possibilidade de crescer e seguir adiante fazendo escolhas…
Muito difícil falar sobre alguma realidade que não vivemos. Na duvida, prefiro não julgar aquela que não amamenta. Beijos
Lucia, acho que a gente precisa tomar um pouco de cuidado com esse “não julgar”, porque senão, acaba q a gente não pode falar nunca, sobre nada. a não ser sobre a própria experiência, e olhe lá.
existe uma diferença entre debater conceitos e julgar experiências pessoais. estou propondo a discussão do conceito…
beijo
Desculpe mesmo querida. E que lendo este blog tive a impressão que vocês vivem na Suíça e não tem idéia que existe um pais de miseráveis chamado Brasil, onde apenas poucos tem acesso a tudo.
Eu sou uma das poucas, assim como vocês. Como as poucas acho que amamentar êh um dever, mas NUNCA criticarei quem não amamentou, pois pode ser uma das muitas neste pais.
Lucia, entendo e concordo que na realidade do nosso país muitas mulheres não têm mesmo possibilidade de escolha. Mas não é dessas mulheres que estamos falando. Amanhã vou publicar um post que tem um pouco esse foco, se quiser voltar pra ler, continuamos debatendo!
beijo
Sim, acho que é uma obrigação. Acho que é uma obrigação pelo menos tentar amamentar.
Às vezes as coisas não funcionam como gostaríamos. Para mim não foi tão fácil – tenho um bebê de quatro meses e meio que há um mês começou a ter que tomar complemento (complemento às vezes do meu próprio leite). A questão é que meu bebê simplesmente não gosta de mamar, desde que nasceu!
Eu sei que isso soa absurdo. Tive todo tipo de apoio que você possa imaginar, de todos os lados. Tentamos de tudo. Mas não deu. Fiquei triste demais, senti como se a natureza estivesse me boicotando!
Hoje amamento e dou complemento, os dois. É o jeito. Só assim para meu pequeno engordar. Quero continuar amamentando, insistindo na amamentação, até quando conseguir e o meu bebê aceitar. Não vem sendo fácil, mas não quero desistir por nada nesse mundo!
ps: fiz uma resposta ao artigo do jornal e aos textos aqui do Mamíferas lá no meu blog. Se você tiver um tempinho, dê uma olhada! =)
Daisy,
talvez vc precisasse de mais apoio e orientação, ou de um tipo de apoio e orientação diferentes do q vc recebeu. ou talvez no seu caso não fosse possível mesmo. só vc pode saber. o que é importante é a gente ter coragem de olhar para a própria experiência e dizer: ‘eu escolhi ir por aqui’. essa tomada de consciência é inclusive condição sine qua non para viver uma experiência diferente da próxima vez…
beijo
Puxa, não sei se meu comentário foi ou não, de repente tudo sumiu aqui!
Talvez eu dê uma de louca comentando duas vezes, mas aqui vai de novo minha opinião: acho sim que amamentar é obrigação, pelo menos devemos tentar amamentar. Mas às vezes não é tão simples.
No meu caso as coisas não aconteceram como eu gostaria e eu tive que começar a complementar as mamadas quando meu bebê completou 3 meses e meio. Morro de medo de ser julgada por isso, só eu sei quanto tentei. Não foi fácil, não vem sendo, mas vou continuar insistindo com as tetas até quando conseguir, quando meu pequeno aceitar!
é obrigação sim! E concordo quando você diz que a escolha vem antes, quando se decide ter um filho! Privar um bebê desse bem tão valioso é um absurdo!!!!!
também vejo assim, Lu.
beijo
Como disse ontem num comentário do texto da Kalu: acredito que 70% das mulheres hoje (pelo menos) tem filhos sem consciencia do que é maternidade.
Tem filhos por vários motivos, menos porque querem “ser mães” e forma filhos felizes.
O que se pode esperar dessas mães?
Cesareas, mamadeiras, creche desde cedo, etc…
Isso é egoísmo para nós? É!
Para elas? Não, elas só estão fazendo o que suas avós e mães não fizeram, estão tentando não ser frustadas como as mães do passado foram, baseam a maternidade na experiência dos outros e não estão preocupadas em se conectar com o feminino, isso é coisa de bicho (vaca, entendeu?)
Triste, mas real.
Amamentar deveria ser obrigatório sim, partindo da primícia de que todo bebê tem direito ao melhor para sua saúde, mas a realidade da mulher no mundo hoje é tão distorcida, que vão precisar anos de nós, nossas filhas e nossas netas lutando para mudar isso.
Confesso que tenho esperança de que isso tudo um dia mude.
beijo
rô,
mas se a gente não bota a boca no trombone, se a gente não começa a trabalhar para mudar conceitos e paradigmas, se a gente não aponta caminhos, nada muda nunca. pra mudar, é preciso colocar o dedo na ferida, mesmo que doa. mais uma vez, justificar dizendo que “elas estão fazendo o melhor que podem”, pra mim, é perder uma chance de dizer: “mas podem fazer diferente”. mudar histórias.
beijo
Sorry….. Que pais vc vive?
Quase metade da população brasileira êh analfabeto funcional. A pílula êh tomada para dor de cabeça ateh pelo homem, as pessoas não conseguem nem entender instruções simples. As mulheres deste pais exceto as privilegiadas que tem instrução tem em media 4,5,6 filhos!
Por isso a coisa não êh um simples debate de conceitos. Deveríamos debater o pq ainda temos desigualdades deste nível.
Lucia, mais uma vez sugiro q vc leia o post de amanhã e a gente segue debatendo esse viés, ok?
beijo
Transcrevo aqui o que escrevi lá nos comentários da tal matéria: …Para mim amamentar um bebê com LM não é opção de ninguém, é OBRIGAÇÃO de quem OPTOU por ser mãe.
concordo contigo Paty, pra mim também a escolha veio antes.
Tata,
NÃO, NÃO E NÃO.
A amamentação não pode, nem deve ser uma obrigação, sob pena de um sofrimento muito maior para a criança.
Vi dia desses uma amiga querida que está sofrendo muito com rachaduras e em especial com uma depressão pós parto, e a forma que ela oferece o seio é muito triste.
O que seria um momento de intimidade e aconchego está carregado de tensão, tristeza, angustia, diria até desespero. Que experiência esse bb está tendo nesse contato?
Algumas mulheres, e não são poucas, estão tão desconctadas desse aspecto feminino que obrigá-las a vivê-lo em prol da criança no final resulta em sessões torturantes para ambos.
Santa mamadeira, que nesses casos dá a essa mulher e a esse bb um espaço necessário. Possibilita que essa mãe delegue a função quando o fardo fica pesado demais. E infelizmente não é possível exigir das pessoas tamanho conhecimento de si, a ponto de prever que sentirão como peso o que poderia, ou deveria ser embevecimento.
A amamentação está carregada de simbolos, afetos, dinâmicas delicadas que em alguns casos não são possíveis de elaborar num curto periodo de tempo.
Como tantas aqui acho um horror essa banalização do desmame e esse afago cínico nas costas das que, sem como nem porque, sonega o que há de melhor para um filho. Mas se é assim, ao olharmos de perto, mas bem de perto mesmo veremos certamente um bom punhado de feridas da alma que as conduziu para esse porto.
Culpa, obrigação, cobrança, pouco provavelmente operarão nas origens dessas escolhas.
Infelizmente para muitas o buraco é maior e mais profundo
Para mim foi assim como vc descreveu para sua amiga.
Durante 9 meses a amamentação foi sim torturante para mim. Mamada após mamada um desespero, sem intercalar com nada, só peito. Só depois desse tempo é que não doeu mais.
Mas ainda assim, acho que meu bebê saiu no lucro e acho salutar resistir a essa dor.
Claro que o melhor seria uma amamentação tranquila para a mãe tb.
Mas em não podendo ser, acho que o prejuízo em não amamentar é sempre maior, para o bebê claro.
Bom, mas essa cobrança toda que eu tenho é comigo. Não condeno que não aguenta passar por esses problemas iniciais da amamentação, pq sei na pele o qto difícil foi. Quem teve amamentação tranquila não imagina o tamanho do sacrifício que é.
Mas para mim, a ideia de desmamar meu bebê me atormentava muito mais que a dor física.
Questão de valores.
silvia, concordo mto contigo. eu aliás tb não tive uma história simples de amamentação com as mais velhas. tb senti muita dor, tensão, falta de apoio, tudo mais. a questão é: é possível correr atrás do prejuízo. como você fez, como eu fiz. sem se esconder atrás de justificativas vazias. e é preciso que se fale a respeito, que se toque na ferida, para que mais mães encontrem esses caminhos, que estão aí. a cada vez que justificamos uma desistência, é um caminho que se fecha, uma possibilidade que se perde… esse é o meu foco.
oi Mari.
bom, só esclarecendo pra começar, como eu disse ñ estou propondo qualquer tipo de fiscalização ou obrigação DE FATO para que as mulheres amamentem, sei bem que não é assim que as coisas acontecem. o que estou propondo é o debate, a discussão conceitual mesmo, até como a fomentação de uma nova consciência coletiva, de um novo olhar sobre a maternidade e o ato de amamentar, entende?
isso posto (rs), vamos lá: eu vejo muito essa desconexão de q vc falou, e esse processo sofrido com a amamentação – e com outras experiências da maternidade – em consequência. mas eu acho que se a gente se apóia nisso para justificar, abre precedentes perigosos. é como a famosa que recentemente deu entrevista dizendo que mesmo amamentando (bb com uns dois meses, por aí), ela fuma uns cigarros por dia, porque ela fica tão estressada de não fumar que o estresse que ela passaria para o bebê seria pior do que o malefício da nicotina em si. entende? assim dá pra gente justificar praticamente qualquer coisa, e ainda passa a responsabilidade adiante, joga pra cima do bebê: “ele sofreria mais”. acho isso delicado, complicado. até porque mascara a possibilidade de que toda mulher corra atrás do prejuízo e vá em busca de uma amamentação bacana, prazeirosa, compensadora. toda mulher pode viver isso, mas tem que correr atrás. se a gente fica achando justificativa sempre, acaba minando possibilidades…
Não Sílvia, o prejuizo não é sempre maior quando não se amamenta, se a amamentação cria um ressentimento da mãe em relação ao bb, se uma possível rejeição é aumentada,e isso acontece sim, os ganhos imunológicos e nutricionais, a meu ver não compensam.
Amamentação é entrega, é doação. E não se dá aquilo que não se tem.
Vc superou a dor pq tinha o que dar.
Não acho de forma alguma que rachaduras e dor são justificativas para o desmame, inclusive um bom número de mulheres com apoio e informação adequada superam esse momento, mas nem todo apoio do mundo possibilita que certas mulheres entrem em contato com esse aspecto doador, incondicional. Existe para essas uma interdição que para ser vencida seria preciso um grande e longo trabalho. Acontece que socialmente elas estão “adequadas” e isso esconde o buraco, a falta.
Tata,
Escreveu o que passa pela minha cabeca quando leio uma reportagem daquelas (que nao consegui terminar de ler pq comecei a me irritar). Hoje em dia a maioria dos pais fazem de tudo para facilitar SUAS vidas quando tem filhos, sao treinamentos para dormir, nao dar o peito, mandar para bercario e escola bem cedo e por ai vai… Desde quando a maternidade/paternidade nao deveria dar trabalho? Na minha cabeca nao faz nem sentido ter filhos se nao quer ter trabalho. Como materna aprendo cada dia que ser mae pode ser um trabalho gostoso…
é verdade Lua, é uma vida nova que necessita dedicação, cuidado, atenção. não tem como ser diferente. e ninguém é obrigado a querer se dedicar, mas tampouco é obrigado a ter filhos… questão de saber o que se quer da vida.
beijo!
nem direito, nem dever.
amamentar é um ato fisiológico que tem a potencialidade de gerar muito prazer para quem amamenta e para quem é amamentado. quem descobriu e/ou experimentou o lado prazeroso do ato de amamentar dentro de uma cultura contrária a isso como a nossa, pode disseminar isso, contar como é, oferecer a referência positiva que pode incentivar outras mulheres a conhecerem esse lado.
tudo isso é amor, pelos filhos, pela humanidade.
agora, também faz parte do amor, da forma como vejo e sinto, o respeito à individualidade e às decisões de cada um. para o bebê, ter sido amamentado ou não terá feito parte da sua história, e cada um lida com a sua.
forçar atos fisiológicos é violência.
moralizar atos fisiológicos é desperdiçar nossa capacidade superior de fazer opções pelo nosso entendimento e desejo.
respeitar a história de quem optou por não amamentar e de quem não foi amamentado, é contribuir para uma humanidade mais amorosamente vinculada, e assim criar cenários para a mamiferice aflorar cada vez mais.
eu sinto assim ;o)
me complementando rs, sobre disseminar informação e referências, foquei no aspecto “prazer” da amamentação, mas claro que tudo o mais está contido nessa disseminação, como os valores de nutrição, afeto, sustentabilidade, praticidade…
Roselene,
concordo inteiramente com você!
Tata, mamífera guerreira, não vamos fechar caminhos. Certa vez, você citou em um post: “Pra que rimar amor e dor?”, sobre o aprendizado das crianças. Isso vale também para as mamães?
Vale a reflexão:
“O sacrifício faz de mim uma mãe melhor?”
http://maeperfeita.wordpress.com/2010/11/20/o-sacrificio-faz-de-voce-uma-mae-melhor/
Um beijo,
Marusia
Marusia,
mas aí vc está associando a amamentação a sofrimento, quando não precisa ser. o que eu defendo é que todas as mulheres corram atrás do prejuízo e descubram os caminhos para uma amamentação prazeirosa, porque pode ser assim, entende?
o aprendizado, mais uma vez, não precisa ser pela dor, pode vir pelo amor e pela felicidade. mas é preciso q cada mulher busque essa possibilidade para si…
dps vou dar uma passada pra ver tuas reflexões!
beijo
Como não precisa ser pela dor se tantas mães relataram em comentários anteriores esta dor ? A dor existe sim, não é fácil de ser superada e ela é só uma das questões que dificultam o aleitamento materno. Acho que mais grave do que não amamentar é disseminar esse pensamento de que a mãe que não o faz é menos mãe do que outra, a ponto de radicalizar afirmando que se não é pra amamentar não precisa nem ter filho. Isso realmente é uma falta de respeito com as mulheres que não conseguem amamentar mesmo tentando muito e à liberdade de escolha individual. Eu não sei em que mundo mulheres que pensam assim vivem, mas a maioria mulheres PRECISA voltar a trabalhar com o bebê com quatro ou seis meses, pegam não sei quantas conduções pra ir para esse trabalho , voltam pra casa e têm que dar conta de vários outros afazeres. Eu sinceramente acho que mulheres que radicalizam desta forma sobre a amamentação escondem uma certa insegurança como mães, algo como, se eu não parir meu filho de parto natural vou ser menos mãe do meu bb, se não amamentar a qualquer custo, não vou estar demonstrando amor pelo meu filho. Isso pra mim é insegurança… Como pesquisadora biomédica tenho total consciência da importância do leite materno para o bb, mas afirmar ou querer discutir se é obrigação ou não já é falta de respeito com os valores individuais. Por questões profissionais amamentei meu filho só até os quatro meses, não me sinto menos mãe dele por isso, não me sinto culpada por isso, nosso vínculo mãe e filho é fortíssimo e eu nunca deixaria de ter um filho pra ter um cachorro só porque não posso me dedicar exclusivamente à amamentação, aliás acho um insulto a uma mãe que precisa trabalhar fora pra pagar suas contas alguém afirmar algo assim. Amamentar é importante sim e muito, mas vamos respeitar as razões do próximo, por favor.
rose,
só pra economizar meus dedos (rs), dá uma lida no meu preâmbulo na resposta ao comentário anterior, da Mariana, tá bom?
agora vamos ao ponto: é claro que a decisão é algo pessoal, intransferível. mais uma vez, estou propondo a discussão do conceito, ok? no final das contas, é cada um com seu cada um, sempre.
gosto da idéia da sociedade ‘amorosamente vinculada’, só acho q há q se tomar muito, muito cuidado para não se fechar caminhos em nome desse respeito. respeito, mas sem perder a atitude, sem deixar a luta. é preciso agir, é preciso debater e transformar, é preciso estabelecer caminhos mais ou menos adequados, ainda mais quando falamos de um ser inocente que não pode falar por si, que é o bebê.
seguimos na discussão, que está interessantíssima!
beijo
acho que vou com a Roselene. bjs
Quando uma gata se recusa a dar de mamar, ela é doente, ela rejeitou a cria.
Quando uma mulher se recusa, dizem que “exerceu sua opção”. Não faz sentido para mim que o mesmo ato natural e fisiológico – amamentar – seja visto de forma diferente quando feito por mim ou minha gata.
Sinto muito por sua amiga, Mari, mas não se pode usar como exemplo alguém que está doente. É como alguém com AIDS, que quer amamentar e não pode. Não serve de exemplo sobre amamentar. E no caso dela, não deixa de ser uma rejeição, ainda que inconsciente, ao fato de ser mãe (o que é parte de muitos quadros de depressão pós parto).
Eu acredito que a recusa em amamentar é sim rejeição ao filho e ao fato de ser mãe. Não é escolha: é forçar a barra, negar a natureza e atrapalhar o desenvolvimento de alguém.
Eu aprendi na marra, tendo um filho alérgico a leite de vaca, que amamentar salva vidas. É muito fácil falar que amamentar é uma opção quando não viu o filho morrendo envenenado pelo leite de vaca (que pasme – chegava nele pelo que eu consumia, depois de um hidratante a base de leite ter desencadeado a alergia); meu filho chegou a 2º grau de desnutrição porque a proteína do leite de vaca estava devastando seu organismo. Mesmo assim, meu leite garantiu que ele não ficasse abaixo da altura da idade, que não pegasse sequer um resfriado. Amamentei até os 3 anos e meio, em livre demanda e parando gradualmente.
Amamentar nunca foi uma opção para mim. Então é facil responder que é um dever. O dever, no meu caso, de manter vivo meu filho, depois de ver crianças que ficaram com sequelas ou morreram por não serem amamentadas sendo igualmente alérgicas.
É o tipo de coisa que muda a perspectiva. E olha, foi sofrido viu. Tive um ano de rachaduras e sensibilidade. Mas ver meu filho bem, vivo e sem sequelas, é uma benção sem tamanho.
bacana compartilhar tua experiência, querida! eu vou nessa linha também, vejo especialmente pelo prisma do direito do bebê ao aleitamento.
beijo
E concordo com vc, não amamentar é uma rejeição. Ao bb, a maternidade, mas a obrigatoriedade não muda em nada essa rejeição, que em níveis muito diferentes é vivida por toda mulher que se torna mãe, de forma mais ou menos consciente.
Filhote de lua
Uma gata não está inserida numa cultura, com as dores e as delícias dessa inserção. Acho a comparação impossível.
Evidente que podemos aprender muito sobre a conexão com os instintos e com o próprio corpo observando os animais, mas os mesmos animais matam, inclusive algumas crias menos adaptadas. Não existe censura, tampouco tabus, já nós mulheres, temos isso e mais.
Vocês julgam demais……. Afe!
Um homem não faz isso com outro, mas entre mulheres parece liberado. Pasma com os comentários preconceituosos e com o texto cheio de deveres.
Parem de julgar quem sequer conhecem….. Ninguém aqui sabe de foi amamentada ou mãe, existe apenas o relato da própria mãe.
Tata já respondeu brilhantemente nos comentários acima, não é questão de julgar atitudes pessoais, e sim debater conceitos.
Eu estou achando os comentários interessantíssimos.
Lucia, torno a dizer… vc está vendo julgamento onde o q há é um debate de idéias, nada mais. ninguém aqui está apontando o dedo pra ninguém, esmiuçando experiências pessoais. falamos de conceitos, estamos propondo a reflexão e a quebra de paradigmas, sem isso o mundo não anda…
beijo
Deveria ser obrigatório sim!
É uma coisa que “vem com o pacote” quando se decide ter um filho.
E quanto às dificuldades, existem grupos de apoio, que ensinam e auxiliam as mamães!
É muito facil se esconder atrás de justificativas sem nexo (bem como para as cesáreas)… assim a culpa é transferida para a situação, não para a mãe que optou por não amamentar.
Concordo com Filhote da Lua… não amamentar é rejeitar a cria!
a Kathy aliás falou lindamente sobre essa questão das justificativas… post posterior a esse, dá uma olhada!
beijo
Tata, concordo exatamente com cada palavra que você escreveu e o comentário da Kalu (o primeiro) fecha a questão com chave de ouro!
também achei ótima a visão q a Kalu colocou…
obrigada!
AINDA BEM QUE SOBRARAM ALGUMAS MAMÍFERAS POR AÍ!!!
Fico pensando aqui comigo: esse lance de amamentação é mto parecido com aquela historia do parto, muita mulher QUER amamentar (e consegue!) outras, “queriam querem”, só pra cumprir com obrigação social. Na minha opinião, essas mães que optam por desmamar seu bebê são as mesmas que tem filhos pra o mundo criar. Se amamentar atrapalha a carreira, ser mãe não vai atrapalhar??? Se amamentar, (que no meu caso é um grande prazer, mesmo com as mordidas que levo da minha pequena) é um peso, acompanhar o filhote numa matéria da escola que ele tem dificuldade, será o que? Uma tragédia!!
Por isso o mundo está como está: um monte de filhinhos de classe média, que tem tudo (financeiramente falando) matando pais e mães, fazendo cenas de pancadarias no meio da rua, e se enfiando no mundo das drogas!!! Mães querem ser mães só pra exibir seus filhos, na hora de pagar o preço… só sobram desculpas….
Tata, adorei o texto e gostei da discussão dos comentários.
E olha, acho q a Johane acabou tocanto num ponto interessante da questão de maternidade hoje em dia, muitas só optam por ser mães para agradar a sociedade, como fazem qdo compram um carro do ano, etc.
Mas tb há o outro lado, a desinformação, qtas amigas q ajudei esse ano q teriam parado de amamentar se eu não as tivesse informado. E é isso q o mamíferas faz, é o serviço do beija-flor que quer apagar o incêndio da floresta.
De todas as mães que conheci até hoje, foram poucas q efetivamente não puderam amamentar, as outras se escondem em desculpas. Claro q elas acreditam no motivo, leite fraco, falta de leite, etc. Mas são desculpas, muitas até geradas por falta de informação.
Mas quem quer amamentar mesmo, dá seus pulos, supera desafios e dificuldades e consegue, simples assim. Parabéns a todas q tiveram essa consciência e tentar passar um pouquinho adiante esse sentimento.
Respondendo a questão: é direito da criança, que infelizmente está sujeita a opção da mãe, já q não podemos fiscalizar ou punir eventual negativa na amamentação.
realmente acho q esse é um ponto chave, a sociedade individualista em q vivemos, onde ninguém quer pensar no outro, abrir mão do próprio conforto, fazer algo pelo bem de outro… mas encarar a maternidade sem ter um outro olhar sobre isso, sem ‘desumbigar’ um bocado, difícil…
Ai que delícia Tata! De manhã vim aqui, tinham 22 comentários, mudei um texto todo para incluir este debate no post de hoje (http://partonobrasil.blogspot.com/2010/11/o-sexo-e-meu.html) e agora que voltei aqui já dobrou o número de participações.
Muito bom! Está de parabéns pois consegue atingir o objetivo de fazer a tod@s repensarem aquilo que nos é posto.
Particularmente, eu também amo ser a vaca-louca da minha cria, rs! Quis viver a amamentação e suei a camisa para conseguir. Fiz por nós duas.
E quero dizer também que achei muito boa mesmo, emocionante, a resposta da Roselene. Obrigada Roselene.
Obrigada Tata.
Beijos a tod@s
obrigada Ana, ótimo saber que o post suscitou tanta reflexão e tanto debate respeitoso… muito bom qdo isso acontece, é uma oportunidade pra todo mundo aprender, melhorar… e a idéia é sempre essa, né?
Tata,
entendo que o questionamento é teórico, e que não existe nenhuma intenção juridica ou algo que o valha.
Concordo enormemente com a importancia da amamentação e são raríssimos os casos de percursos sem dificuldades, complicações e dores.
Eu pessoalmente não tive muitas dores, sempre soube que amamentaria e foi o que aconteceu, e ainda acontece.
Nesses 1 ano e 3 meses de amamentação passei por um grande pepino, a tal da crise dos 3 meses que demorei pra sacar, e sofri bastante, graças a minha persistência, vontade, dedicação e informação a coisa tomou um rumo bacana e estamos aqui firmes e fortes.
Acredito fortemente ser temerário se esconder atrás das boas e conhecidas desculpas, tanto para não amamentar quanto em relação ao parto, mas o fato é que muitas mulheres não estão preparadas para isso, é uma pena, as vezes me revolta, fico triste, puta, mas uma suposta obrigatoriedade não resolveria a situação.
Existem feridas pessoais mais comuns e profundas do que podemos imaginar e o dedo em riste não ajudará em nada na tomada de consciencia e cura das mesmas.
Vc que como eu amamentou e pariu tendo tido essa vivência entende como alguém em sã consciencia abre mão disso para agendar uma cesária e fazer uma escova no cabelo com antecedência?
Insisto nessa desconexão, que é quase endêmica e assustadora.
A culpa ou cobrança só criará mais defesas e justificativas, deixando pouco espaço para o acolhimento e a reflexão.
Quanto a famosa que fuma ao amamentar qual é a sua sugestão? Que ela desmame? Que pare de fumar? Mas se tem pessoas que fumam pelo buraco da traqueostomia depois de um cancêr de boca, essa não é necessariamente uma opção, pelo menos não pra todas.
Sei que estou me excedendo para um dos lados, sei tbm que de fato muitas mulheres hoje não assumem a maternidade de forma total, com a entrega que particularmente acho fundamental, mas acho que isso é sintoma de um fenomeno social que deve ser visto, debatido cuidado com urgência.
Os pequeninos agradecem!
Ah, muito bom o debate!!!! Volto mais tarde.rsrsrs
Mari,
quanto à famosa q fuma e amamenta, minha sugestão é q ela assuma suas escolhas, só isso! que diga com todas as letras: ‘eu sei q deveria parar de fumar e sei q faz mal pra mim e faz mal pro meu bebê, mas no momento não consigo/quero/posso arcar com essa abstinência, então fiz a escolha de fumar’, ao invés de se esconder atrás da desculpa: ‘é pq o stress faria mais mal ao meu bb do q a nicotina!’, uma desculpa esfarrapada, mentirosa. acho q é isso q falta, as pessoas assumirem suas escolhas ao invés de agir como se tudo fosse necessidade, fatalidade, destino, sei lá. assim como a mulher q não quer/consegue amamentar, dizer c todas as letras ‘sei q o aleitamento é o melhor pro meu bb mas eu naquele momento não dei conta, não consegui, não quis o suficiente, sei lá’, ao invés de se vitimizar e dizer coisas como ‘o aleitamento não é tão importante assim, mais importante é a mulher estar tranquila’, ‘o leite materno é importante, mas dar leite de vaca tb não é esse drama todo!’, entende? são justificativas mentirosas e, em última instância, um desserviço, pq tem gente q ouve/lê isso e acredita!
aí a gente passa para a questão da responsabilidade pessoal e das escolhas, que todas temos sim, mesmo que não nos demos conta, ou não queiramos enxergar!
beijo
Concordo com vc, Re, fazendo a ressalva de que em se tratando do caso-a-caso é preciso muito cuidado, tato. O terapeuta, a pessoa que acompanha o pós parto devem adotar um apostura cautelosa, diferente da discussão conceitual que rola aqui e do ativismo das campanhas.
A matéria que inspirou o post é realmente um absurdo. Falei sobre isso tb lá no blog, não me aguentei.
beijão
Re
rê, concordo contigo q é preciso apoio. mas é preciso tb atitude individual p correr atrás desse apoio. é fácil a gente se justificar dizendo ‘eu não tive apoio, ninguém me orientou…’. aí a gente pergunta: vc foi atrás? tentou? buscou apoio? buscou orientação? botou a mão na massa?
às vezes a mulher fez td isso e ainda não encontrou apoio e orientação adequados, ok. mas mtas e mtas vezes a mulher prefere deixar pra lá e culpar a falta de apoio, apoio q ela não foi atrás de conseguir…
beijo
o problema é que o dever existe para ser descumprido! ver a amamentação como um dever trás o mesmo peso de toda e qualquer obrigação, não veja a amamentação como uma regra de conduta, como uma norma a ser cumprida – isso é o que é trazido pela palavra DEVER… talvez seja este o problema… prefiro ver como um direito.
quando pensamos que temos direito a algo, alguém tem o dever de prover. pensar na amamentação como direito é pensar em como este direito não será violado (pela mídia, pelo mercado, pelos laboratórios, pela desinformaçção, etc.) e como este direito será viabilizado (pelo Estado) sob forma de políticas públicas, de políticas de saúde pública, de apoio, de formação e informação (profissionais e mães) e de serviços.
para mim a amamentação não é uma questão de decisão individual, é uma questão de informação, é uma questão pública. é muito difícil tomar a DECISÃO de não amamentar quando temos todas as informações e os serviços que possamos precisar.
quero que o Estado se responsabilize por esta informação. propagandinhas românticas fogem de tudo isso que falo aqui.
não advogo em causa própria amamentei/amamento até quando meus filhos quiseram/quiserem… mas entendo completamente quem não consegue.
Exatamente, a mulher está inserida num contexto. Numa mítica, em um passado. Tudo isso precisa ser considerado.
Tbm não advogo em causa própria, amamento meu pequeno, hoje com 1 ano e 3 meses, mas nos momentos difíceis encontrei um circulo de apoio e suporte que tornou isso possível.
Esse apoio está disponível pra muitas, mas infelizmente umas não sabem e outras por fatores mais delicados não querem ou não enxergam as ajudas possíveis.
Além de um grupo bastante irresponsável e narcisista que é incapaz de olhar com outro foco que não o seu, o do bb entã? fora de cogitação.
acho que aí já é uma discussão semântica, né? até pq se pensarmos na idéia q vc colocou, de q todo direito alguém tem a obrigação de prover, há a perspectiva do bebê, que tem direito ao aleitamento, e aí a obrigação de prover é da mãe, não tem jeito…
Re,
Eu penso que amamentar eh a obrigacao mais gostosa do mundo. Eu nao vejo a palavra obrigacao como uma coisa penosa, mas sim como uma necessidade. Eh necessario amamentar o filho. Eh importante! Eh uma obrigacao da mae e um direito do filho!
Kiyo mama no auge de seus 3 anos e meio. Meu peito doia, eu nao tive apoio no inicio, mas fomos que fomos. Depois dos 3 primeiros meses, a amamentacao tornou-se a melhor parte do meu dia.
Beijos e parabens pelos textos maravilhosos!
necessidade, palavra q se encaixa perfeitamente, é exatamente essa a idéia…
Para mim é direito ou seja direito do BB de mamar na mamae então logico é OBRIGAÇÃO sim da mãe amamentar… se não quer então não tenha filho….
Não vejo isso como obrigação e sim como doação de amor, afeto, segurança, carinho, brincadeiras, como é gostoso dar mamar para meu pequeno e ver ele com aqueles olhos arregalados fixando dentro dos meus olhos rompendo minha alma em forma de agradecimento….
Acho que só quem não pode amamentar é quem naõ tem seios, pois se tiver seios, informação, orientação vai dar certo, doi no começo como doi me lembro o bb chorando de um lado e eu do outro, mas passa hj é só alegria amor e amor e amorrrr
Bjãooo
como disse a Dani, a obrigação mais prazeirosa q existe… tb sinto assim!
Meninas,
Não acho de forma alguma que o que a Tata propôs foi um julgamento, acredito mesmo no debate de ideias, acho super saudável discutir com civilidade, como todas têm feito por aqui.
Concordo plenamente que amamentar é uma obrigação de toda mãe e não quero aqui me justificar de nada.
Mas entendo perfeitamente quem se justifica, se desculpa, porque a dor de não conseguir é ENORME, a vergonha é IMENSA para quem realmente quis e não conseguiu, seja lá por qual o motivo.
E acho, de verdade, que falta apoio para essa pessoas também. Tive depressão pós-parto, passei os 3 primeiros meses do meu filho chorando o tempo inteiro (e tentando ensandecidamente – e até conseguindo, aos trancos e barrancos – amamentar). Tive todo o apoio do mundo para continuar tentando, porque era importante para o meu filho, mas ninguém nunca olhou para mim, para o meu estado. Sei que só consegui amar o meu filho e me entregar à maternidade depois que essa loucura passou e me arrependo de ter insistido tanto. Nunca terei de volta esses 3 meses do meu filho. Quase morro de culpa pelo o que fiz ele sofrer…
Queria muito ter tido esse outro tipo de apoio, alguém que me dissesse que eu não era uma heroína e que tudo ficaria bem. Só o que tive foi gente me dizendo que é lógico que eu ia conseguir continuar amamentando, que todo mundo consegue, é só querer. Quase pirei.
Enfim, só queria colocar esse outro lado da coisa. Algumas falaram que se entregar de coração ao filho é mais importante que amamentar. Concordo plenamente, por experiência própria.
bjs e continuem com os debates de alto nível por aqui
Marcia,
como eu disse pra Renata, acho que às vezes falta esse apoio mesmo, outras vezes falta a mulher buscar esse apoio. mas o q eu acho fundamental mesmo é a gente olhar pra si e assumir a responsabilidade, pq sem isso não há transformação. eu passei por um processo assim c relação não à amamentação, mas ao parto. o mergulho na minha primeira experiência de parto, q apesar de ter sido maravilhosa em vários aspectos não foi como eu sonhei, foi importantíssimo, e foi fundamental q eu assumisse minhas responsabilidades pelo desfecho q ele teve, para que eu pudesse transformar coisas em mim e viver um parto diferente da segunda vez. responsabilidade pessoal… sem ela a gente não caminha!
beijo e obrigada por compartilhar sua experiência!
Olha, desculpe quem acha que quem quer amamentar dá seus pulos e consegue… Hoje trabalho como voluntária na área e vejo que tanto as que “querem querer” quanto as que realmente querem por vezes tem problemas. Na maioria das vezes o problema tem solução, mas tem vezes que simplesmente não funciona. Às vezes vem da mente sim, como a rejeição, outras vezes não. São poucos os casos, claro, mas meter tudo dentro do mesmo saco é muito reducionista. Assim como outros processos fisiológicos, inseridos culturalmente ou não, este também está sujeito a intercorrências ou falhas.
Outra coisa, se considera muito o psicológico da mãe e pouco o do bebê. Trabalha comigo uma psicanalista que dá palestras sobre a formação do vínculo e ela conta uns casos bem interessantes sobre isso.
Tem ainda um outro enfoque que considero muito interessante e que poderia ter me ajudado, quando foi a minha vez de amamentar, vejam aqui: http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=00250
Ju, eu mesma disse que existem, sim, casos em que a mulher realmente não pode amamentar por impedimentos reais, fisiológicos. Mas são raros, e o que a gente mais vê são mães que poderiam sim amamentar, mas a amamentação desanda por outros motivos…
beijo
amamento meu filho a oito meses e acho que amamentar deveria ser um direito, da mae e do filho. mas, dentro de um contexto de desinformação, ou de falta de apoio, não dá pra criticar quem desiste. eu tive peito rachado, uma dor desgraçada pós-cesárea e anemia séria que só me permitia levantar para amamentar, comer, tomar banho, etc. só que tive apoio logístico: casa arrumada, comida pronta, roupinha lavada, bebe tomado banho. se não tivesse tido isso, teria enlouquecido e, muito provavelmente, amamentar teria saído da minha lista de prioridades.
Luciane, com certeza apoio é fundamental. Só volto a dizer: a gente tem que buscar, tem que pedir, tem que sinalizar. Assumir a parte que nos cabe neste latifúndio!
beijo
Oi, Tata!
Agradeço o retorno!
Só ressalto que a associação de maternidade com sofrimento (tendo a amamentação como pano de fundo) não é minha. Ela está presente no debate: “sofrido”, “trauma”, “dor, dor e dor”, “tensão, tristeza, angústia, diria até desespero”, “sessões torturantes”, “fardo pesado”, “sacrifício”, “atormentava”, “o bebê chorando de um lado e eu do outro”, “na marra”, todos são termos pinçados da própria discussão.
Em alguns momentos, essa associação é considerada medida de maternagem: “egoísmo”, “tenha um cachorro”, “rejeição ao filho e ao fato de ser mãe”, “forçar a barra, negar a natureza e atrapalhar o desenvolvimento de alguém”, “absurdo”.
É essa a análise a que me proponho. E aposto tudo em informação, apoio e acolhimento para proporcionar a “mamiferice” ao maior número de mães. Para que elas experimentem algo “intensamente PRAZEROSO”, “maravilhoso”, “um momento de prazer real, intenso, prolongado”, realização “inclusive sexualmente”, “a melhor parte do dia”, amar “ser a vaca-louca da cria”, “ver ele com aqueles olhos arregalados fixando dentro dos meus olhos rompendo minha alma em forma de agradecimento”. E, para quem não pôde amamentar por qualquer razão mas esteja “conectada”, possa desfrutar desse prazer em muitas, muitas outras situações.
Mais uma vez, obrigada pela abertura, Tata.
Um beijo grande,
Marusia
oi Marusia, acho q a gde questão aqui é a possibilidade q toda mulher tem de vivenciar a amamentação como algo prazeiroso. nem sempre é assim desde o começo, às vezes iniciar é difícil mesmo, não precisamos mentir a esse respeito! mas tantas coisas na vida são difíceis e até mesmo dolorosas, mas persistimos pq são importantes… a dor não deveria ser passe livre para a desistência, se o q está em jogo é fundamental. nem precisa se tornar o ponto chave da experiência, isso depende de como a gente encara, e de como lida com isso, de como leva adiante…
beijo
Acredito que só seja OBRIGAÇAO quando a mãe possui leite. Fiz o possível e o impossível para amamentar, tentei relactação, bomba manual, elétrica, “alimentos milagrosos” e nada adiantou. Eu AMAVA amamentar, queria dar só o meu leite até os 6 meses, e continuar amamentando até um ano e meio. Não passamos dos 4 meses. Talvez tenha sido pela pressão em ler coisas como essas, colocando as “desleitadas” em uma situação de impotência. Me senti uma fracassada por dar mamadeira para a minha filha, mas hoje vejo que não é assim. Bebê qua mama fórmula se desenvolve igual. Achei que a mamadeira iria adoecer a minha pequena, mas nada. Ela tem 18 meses e NUNCA TEVE nada, nem gripe, nem febre, nem dor de ouvido, nem trauma nem NADA.
Magali,
como eu disse, casos em q a mãe REALMENTE não tem condições de alimentar são raros. bem, são raros, mas existem. se o seu foi um deles, só vc pode dizer. o q posso comentar é q se seu caso foi um desses, não estamos falando de experiências como a tua. estamos falando das mulheres q podem sim amamentar, é só questão de correr atrás, buscar informação, ter apoio, ter vontade, ter estrutura. entende?
acho q fracasso é a gente não fazer o melhor q pode. apenas isso.
beijo!
Caramba, Magali, passei exatamente a mesma situação que a sua.
Quanto mais eu dava o peito, livre demanda, noite toda, SÓ o peito (nem agua, cha, chupeta, NADA) etc etc, mais meu leite “minguava”. Até que um dia, um belo dia, não saia 1 gota mais. Nem 1 gotinha, e minha filha ficou quase 12 horas sem comida aos 3 meses de idade, pois eu continuei insistindo. Ela já estava abaixo do peso, mas meu pediatra olhava outros sinais de nutrição, não era uma balança que me faria desistir. Fui ao banco de leite da minha cidade, e pasmem quando ouvi que isso era mais comum que estava imaginando.
Eu achei que estava fazendo algo de errado, mas tudo certinho, bebia litros de agua, me alimentava bem (frutas, verduras, sucos naturais, grãos, peixe, etc etc), sem neuras, e leite secando. Tive orientação, não fui louca nem de dar chupeta para não atrapalhar a amamentação a livre demanda. Fiz exames médicos para ver se não tinha ficado resto de placenta no útero (uma possível causa) e nada, estava tão sã que era difícil alguém acreditar naquilo. Meu peito nunca rachou, sempre foi prazeroso.
Mas encontrei outras pessoas que aconteceram exatamente o mesmo.
Acontece, e não é raro como voce colocou, Renata. Se quiser mesmo colocar uma ajuda aqui, e tiver tempo, vá a grandes hospitais, bancos de leite, etc, e faça uma pequena pesquisa.
Bjs
Lucimara,
o q eu disse q é raro são impedimentos fisiológicos da amamentação. uma amamentação que ‘emperra’ por fatores externos, seja por cansaço, falta de apoio, falta de informação, falta de vontade, dificuldades logísticas, orientação equivocada, isso tem por aí pra dar e vender. só que quando a gente começa a ir a fundo nas experiências, vê que mulheres que não poderiam MESMO amamentar, mesmo correndo atrás, são realmente mto poucas. a regra é dar certo, a regra é q o q a natureza criou, funcione adequadamente.
beijo
Não “emperrei” por nenhum destes motivos externos que voce citou, até assusta: falta de vontade, falta de apoio, cansaço, ou seja lá qual dificuldade. Meu leite não foi suficiente mesmo, e mesmo com a saúde ótima. Isso acontece bastante sim, e acho que além do incentivo a amamentação, voce não deveria prestar este desserviço atribuindo uma causa externa a uma causa organica na realidade: falta de leite. Ela existe sim em mulheres saudáveis, felizes e dessestressadas, eu vivi isso e conheço uma penca que viveu também.
Boa sorte na proxima. Se informe se quiser fazer esse troço direito.
Luciana, desculpe. vou insistir. não posso falar da tua experiência pessoal, obviamente. mas posso falar do que sei sobre aleitamento: mulheres que não têm leite, simplesmente pq não têm, não existem. existem mulheres que não têm leite por impedimentos físicos claros e insuperáveis, mas são exceção, não regra. quando uma mulher diz ‘não tive leite’, simplesmente, sem ter um problema específico de saúde q impeça a produção, eu sinceramente não compro a idéia. desculpe, vou ser sincera, não compro. porque se não há problema de saúde, toda mulher tem leite suficiente para seu bb, e pode amamentar.
te parafraseando: “porque se não há problema de saúde, toda mulher tem leite suficiente para seu bb, e pode amamentar.”
Talves, Renata, voce use SUA experiencia para olhar para o mundo. Isso não é errado, é natural.
Voce não estudou medicina nem fisiologia das mamas. Voce não trabalha com um número suficiente de mulheres para ajudar na amamentação, como por exemplo em um hospital público (ou privado de grande porte), onde veria sim que existem estas mulheres “duendes” que voce não acredita.
Entaõ conclui-se que voce observe e obviamente interprete o vê com base nos seus resultados, e de umas 15-20 amigas, que como amigas compartilham de suas experiencias e way of life.
De forma alguma podemos ter suas visões sobre o mundo como verdades absolutas, como voce coloca.
Preste atenção nisso, antes de ficar chato demais este blog…..
desculpe Lucimara, vc fez inferências demais no seu comentário sem saber do q estava falando. antes de responder teu comentário, consultei uma grande amiga que trabalha há anos c amamentação, é consultora do IBFAN e entende muito sim de fisiologia da amamentação. ela me confirmou o q eu já sabia: que falta de leite por si só, sem problemas hormonais ou fisológicos, não existe. isso não é minha visão de mundo, é fisiologia, é medicina.
Tata e Lucimara
Nesse ponto concordo com vocês: mulheres que tem leite que jorra como torneirinha e não querem amamentar não sabem o que estão perdendo. E o que os filhos estão perdendo. A hora da amamentação é tão gostosa, ver aquela pessoinha abrindo a boca, colocando a lingua pra fora e fazendo cara de quem está se deliciando com a melhor iguaria do mundo…aquele carinho, contato pele-com-pele, cheirinhos…
Tudo isso compensa qualquer coisa!!!
Beijão!
ah, só pra comentar o anterior, que não foi postado antes: eu não tive leite suficiente, mas consegui amamentar até 4 meses e meio, ao contrário da Lucimara que escreveu antes. Apos os 5 meses tive que complementar, e optei por entrar com alimentação.
Não acredito que todas consigam. Conheço poucas que realmente conseguem. Desculpe, mas não quero causar polemica nenhuma.
Nossa, esse debate está bem legal.
Umas tem leite demais, outras de menos….. cada corpo é realmente único. Obviamente acredito que a amamentação, seja lá pelo período que a mulher consegue amamentar, é muito benéfica emocionalmente para a criança e para a mulher. Mas entendo também que tem mulheres que não conseguem, tendo ou não motivo para isso.
Na verdade, acho que é uma questão cultural. Nas familias antigas, do interior do Brasil, o caçula mamava até os 7 anos de idade…. era normal. Os demais não, desmamavam rapidamente. Veja nos EUA atualmente, as mulheres não amamentam independentemente da classe social. Culturalmente não é aceitavel dar o peito em público, não existe licença maternidade, e isso leva a um desmame super precoce (alguns dias apenas).
O que não dá é pra relacionar qualquer capacidade física ou intelectual do indivíduo com o fato dela ter mamado no peito ou não.
Eu acho que os pais tem o dever de prover saúde física e emocional aos filhos. Nisso inclui boa alimentação, vacinação, estímulo físico e intelectual, e obviamente escola. Está no estatuto da criança e do adolescente.
Gisele, vc tem toda razão qdo diz q “os pais têm o dever d prover saúde física e emocional aos filhos.” A questão é como a gente interpreta isso. Pra mim, nesse ‘básico’ está incluída a amamentação, sim, pelo mínimo de 6 meses exclusivamente. Mas esse é um debate q rende…
Amamentei a minha filha exclusivamente até os 6 meses e continuei dando de mamar nos meses seguintes… Ela já está com 10 meses e ainda mama. Tá numa fase meio delicada de alimentos, hora quer comer, hora não quer, ainda estou descobrindo o paladar da pequena e me desdobrando para dar o meu melhor, mas às vezes ela quer o peito na hora que vou dar comida, um dilema se dou ou não dou na hora. Se vejo que ela não quer comer de jeito nenhum, eu dou o peito. Se não, deixo ela sentir mais fome para oferecer novamente comida. Tem dias que é uma benção, ela come e só vai mamar à noite. Mas tem dias que é um sufoco e não quer comer nada. Eu não sei se é pq ela foi acostumada com o peito ou é pq é do organismo dela comer pouquinho mesmo. Eu fico preocupada em faltar algum nutriente p ela já que o leite materno nessa fase é complemento e não mais exclusividade. Aí às vezes acho que o peito atrapalha na hora da alimentação, pois ela sabe que quando não quiser comer tem o leite do peito. Ela é bem espertinha e cheia de artimanhas (rsrsrs) Porém tô aprendendo a ter paciência e entrar no ritmo dela e não me incomodar com o peso, afinal ela foi uma bebê muito saudável quando apenas mamava, e ainda é. Só queria compartilhar aqui essa experiência que estou vivendo e se alguma mãe tbm tiver passando por isso que dividisse aqui sua história
Amamentar é muito bom para o bebê, é de graça e dado com muito amor pela mãe. Não tem coisa melhor na vida que poder ser a fonte de alimento de um outro ser e saber que está fazendo um bem
POR ISSO MÃES NÃO LIGUEM PARA O TABUS E AMAMENTEM, É A COISA MAIS NATURAL DO MUNDO.
O leite materno é importante para todos os bebês, principalmente para os que estão internados e não podem ser amamentados pela própria mãe. Toda mãe que amamenta é uma possível doadora de leite humano. Se você está amamentando, procure o banco de leite humano mais próximo e seja uma doadora. Seu gesto pode salvar vidas. Para você é leite. Para a criança é vida!
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