set
27
2010
Tomar para si as rédeas da situação
por Mamífera(o) Convidada(o)
Você que está gestando um bebê agora ou que já teve um filho sabe ou sabia como será ou seria seu parto no hospital ou maternidade escolhida, seja na rede pública ou privada de saúde?
O cenário da realidade dos atendimentos obstétricos no País é avassalador. Para a parturiente ter um parto normal terá que passar por inúmeros procedimentos frutos de protocolos inadequados e antiquados.
Certamente depois que você tiver ou teve uma intervenção as outras vem como parte do pacote completo de um parto normal hospitalar (PNH), e, muito provavelmente você estará ou esteve sozinha durante todo o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato, mesmo tendo sido garantida desde 2005 a Lei do Acompanhante-11.108/05, mas pouco cumprida e exigida nos frios corredores em tons de verde dos hospitais brasileiros.
Antes de ter meus dois filhos também não tinha ideia de como era parir no Brasil; na primeira gestação apesar de ter procurado me informar sobre aquele “estado de graça” que a maternidade nos trás confiei à única ginecologista obstetra que procurei meu corpo, meu sexo, meu filho… resultado: cesárea! Laudo: distócia. Na gravidez do caçula tive que ir à luta e tomar para mim meu corpo e a escolha de como deveria parir, com quem amasse, confiasse e estivesse comigo dando conforto, na segurança do meu lar, amparada por uma parteira querida, meu companheiro e uma amiga-cumadre… decidi e optei por ter um parto domiciliar (leia meu relato aqui).
Na ilha onde moro no litoral sul paulista, as parturientes do perímetro urbano, pois existem, ainda, bairros continentais e insulares no estuário Lagamar mais distantes do que os do centro, que precisam ir a outro município para ter seus filh@s e percorrer cerca de 50 km para chegar a um hospital que atende 26 municípios do Vale do Ribeira e que, como muitos não permitem um acompanhante; além disso, não oferece intimidade; aplica sorinho – ocitocina sintética; deita a gestante – posição supina/decúbito dorsal; não permite a ingestão de líquidos; não proporciona outros métodos para alívio da dor – não farmacológicos; perfura a bolsa d´água; corta a região do períneo, entre a vagina e o ânus – episiotomia; realiza manobras e puxa o bebê pela vagina, já cortada – Manobra de Kristeller; corta o cordão umbilical antes da hora indicada – clampeamento do cordão; puxa manualmente a placenta – dequitação manual e, por fim, naquele momento tão mágico que é o nascimento de um ser onde o respeito deveria ser as nossas mais sublimes boas-vindas, você é separada daquele que gestou por tantos meses de expectativas, angústias, medos, alegrias, esperanças…
* Suspiro e silêncio *
É… em muitos lugares ter um parto normal em uma instituição hospitalar é assim, como bem narrou a obstetriz Ana Cristina Duarte aqui, transformando nossos corpos em números de uma triste estatística, sem dizer das cirurgias cesarianas tão comumente realizadas. Mas, como podemos buscar informações coerentes durante a gravidez e mudar este panorama positivamente?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1996 publicou algumas recomendações para o atendimento ao parto normal , distribuídas em quatro categorias, assunto que iniciamos o debate no Blog Parto no Brasil semana passada com uma enquete para saber quais das primeiras recomendações nossas leitoras tiveram atendidas.
Procurar profissionais humanizados, exigir nossos direitos, buscar informações em livros, sites, listas virtuais de discussão, participar de grupos de casais é o início do caminho do empoderamento feminino e do resgate da nossa ancestralidade, como fêmea, como mamífera e, acima de tudo, em primeiro lugar, depende de você!
categorias: Mamífera Convidada, Sem categoria
tags: Cesárea, parto humanizado, parto normal depois de cesárea





Eu só consigo ler essas trocentas intervenções e ficar arrepiada… assustada em ver como o parto no Brasil está a anos luz do ideal.
Ótimo texto!
bjs
Sabe o que é mais estranho? Eu passei por essas intervenções de um parto normal. Na época eu achei lindo o meu parto mas hj, ao ler tudo isso, arrepio e fico chocada! Pq, se não fosse a analgesia, eu teria tido um parto normal lindo…
Se eu tiver outro bebê, já sei onde recorrer! Conheci a ONG Bem Nascer daqui de BH e estou AMANDO trabalhar com o pessoal! Já sei onde procurar Doulas, onde procurar indicações de GO e por aí vai.
Se eu tiver um outro bb, quero um parto completamente natural!!!
Ótimo post! Beijo grande!
Muito triste, mas aos poucos essa realidade vai mudar!
Pois é… qdo não sabemos acabamos sendo submetidas aos inúmeros protocolos dos hospitais. A busca por informação, acredito eu, é o ponta a pé inicial! Pq não precisamos ser deitadas, impossibilitadas de tomar um copo de água, ficar sozinha, ter nossa vagina cortada… não não… EXISTEM outras formas de parir e depende de nós cobrar e fazer essa mudança! P/ q outras mulheres/mães e seus bebês tenham respeito!
O que mais me impressiona é saber que isso ainda existe. Me sinto vivendo no paraíso, pois apesar de ter tido um PN hospitalar, fiz todo meu atendimento pelo SUS e a única intervenção que tive foi a episio, mas o médico me consultou antes. Moro no Rio Grande do Sul, e cada vez mais vejo que minha cidade e o hospital em que ganhei minha filha deveriam ser referencia. Sem pagar um centavo tive dto a acompanhante, bola suiça, massageadores e ducha quente (não havia banheira) durante o TP, sendo que também comi e bebi normalmente.
Falta um pouco de postura às mães, pois não adianta reclamar mas na hora não dizer que o acompanhante vai sim entrar pois é lei! Vamos brigar um pouco mais pelos direitos, aí sim eles serão cumpridos.