set

29

2010

Porque Irmão é Bom Demais

por Tata

Ok, tudo na vida é questão de escolha, e quando se trata de escolhas, não há uma melhor ou pior do que outra, existem caminhos, possibilidades, tantas quantas existem seres humanos no mundo. Cada um escolhe por onde quer caminhar, cada um tem suas prioridades, é como diz um amigo meu: cadum, cadum.

Mas eu – euzinha, como diz minha querida amiga-mamífera-roots Pérola, não consigo me imaginar sendo mãe de filho único. Não consigo, mesmo. Desde pequenina, quando já sonhava em um dia, num futuro distante, ser mãe – é, eu sonhava com isso desde que me entendo por gente – , já sabia que teria mais de um filho. Na verdade, nunca sonhei com menos do que três.

E hoje, vendo minhas três filhotas brincarem juntas, entendo o porquê. Assistir de camarote os irmãos construindo sua relação de amor, amizade, companheirismo, descobrindo-se mutuamente, é uma experiência que não se compara a mais nada. Só vivendo pra saber. É amor que transborda, multiplica.

Ana  Luz e Estrela tinham 4 anos quando Chiara nasceu. Por algum tempo, eu me preocupei, achando que a diferença era grande demais, e que elas teriam dificuldade em se aproximar, por conta disso. Meu maridão, pragmático e que não encuca muito com as coisas, sempre me tranquilizava, dizendo que elas descobririam a relação delas, do jeito delas. Hoje começo a ver que ele tinha razão.

Agora, com Chiara já com 1 ano e 4 meses, interagindo bem mais, começamos a perceber uma relação muito bonita nascendo entre elas. Brincam juntas, comunicam-se, descobrem-se. Quando Ana Luz e Estrela estão na escola, a diferença no ânimo da caçulinha é visível, chega a ser curioso. Não que ela fique amuada, mas na hora que as irmãs chegam, a pequena pega fogo. Quando uma ou outra falta na escola por algum motivo, para a caçula é a glória. Ela brinca o dia todo com a irmã que ficou, numa alegria desconcertante.

Quando elas acordam, é o maior barato. Chiara dorme conosco, Ana Luz e Estrela dormem no quarto delas, ao lado. Mesmo assim, acordam sempre juntinhas, chega a ser engraçado. A diferença é sempre de alguns minutos, não mais. E quando Chiara, já de pé no berço, brincando, ouve a voz das irmãs tagarelando no quarto ao lado, abre um sorriso de orelha a orelha, e fica apontando enlouquecidamente para a porta, repetindo “Tatá, Tatá” (a forma que ela inventou de chamar as duas irmãs, mistura de Naná com Teté!). Só pára quando as duas vêm correndo, brincar com ela. Aí solta o riso mais gostoso do mundo e fica, acompanhada, feliz da vida.

E rola ciúmes também, viu? Quando Chiara se derrete muito para uma, a outra logo vem, querendo atenção também. E quando há outras crianças por perto, que vêm acarinhar Chiara, Ana Luz e Estrela logo chegam perto, como quem diz:  ‘péra lá, a irmã é minha!!!’. Chiara também, se vê as irmãs brincando com outra criança pequena, já logo franze a testa, em sinal de contrariedade. É o maior barato.

É claro que elas brigam, também. Ana Luz e Estrela entre si, às vezes pelos motivos mais inacreditáveis, e Chiara, agora é que começa a querer defender seu território, uma vez ou outra. Mas também vejo isso com naturalidade, acho que faz parte da relação. Irmãos brigam, disputam, provocam-se, e isso também faz parte do aprendizado, um aprendizado que elas levarão para a vida toda. Aprendizado de convivência, de tolerância, de respeito ao espaço do outro sem abrir mão do próprio.

E quando, escondida atrás do batente da porta, eu observo minhas três meninocas fazendo palhaçadas umas para as outras, rindo gostoso como se não houvesse amanhã, as mais velhas dando a mão para que a pequenina dê seus primeiros passinhos, pegando a irmã no colo e ela achando o máximo, quando flagro desavisada um beijo, um cafuné, um carinho despretensioso, ou mesmo um olhar de ternura entre elas, tenho certeza: não, eu jamais poderia ser mãe de filho único.

Irmão é bom demais. Companheirismo pra vida toda, como não tem igual. Sim, existem irmãos que se afastam ao longo dos anos, mas minha experiência me diz que isso é exceção, e não regra. A regra é mesmo que os irmãos caminhem de mãos dadas, mesmo à distância, mesmo seguindo rumos diferentes.

É assim que eu espero que seja, e é assim que eu acredito que vou poder curtir minhas meninas, sempre: de mãos dadas, seja como for.

///

Imagem: arquivo pessoal (Ana Luz, Chiara e Estrela, bagunçando e se divertindo juntas)


20 comentários no post “Porque Irmão é Bom Demais”

  1. q lindo! eu tb sempre sonhei em ser mãe, e tambem não quero so um…..acho lindo essas familias “grandes”, por que hoje em dia, familia grande é ter tres filhos rsrs….
    espero realizar meu sonho, como vc esta realizando o seu.
    bjsss

    1. Tata disse:

      vá atrás dele flor, q vc realiza! na hora certa.
      beijo

  2. Nossa, este teu texto até me deu uma pontinha de vontade de partir para o terceiro filho. Irmão é bom demais mesmo.
    Beijos
    Alexandra
    http://www.destemperadinhos.com

    1. Tata disse:

      olha só, mulherada se animando para trazer terceirinhos ao mundo… ;-)
      coisa boa!!!
      beijos

  3. Liria Okai disse:

    ;)
    AMEI!!!! Lindo d+….
    Cada vez mais me convencendo q o 3o vai vir :)
    Talvez não agora, talvez um(a) temporão….
    Qdo pequena queria uma família ENORME, como a minha (somos em 7). E, cada um deles foi muito importante para minha formação. Não sei o q teria sido de mim qdo perdi meu pai aos 13 anos….Sou a caçula das meninas e com uma certa diferença de idade….
    Mas, hj em dia a gente pensa de mais, não?
    Realidade é outra…..Minha irmã tem 3 e fala q se arrepende de não ter tido o 4o…..
    Acho melhor se arrepender de ter feito do que de não ter tentado :)

    1. Tata disse:

      opa! acho q vou estimulando as mamíferas a procriarem por aí… :-)
      acho que a realidade é outra sim, ter 7 filhos hj não é o mesmo q na época dos nossos pais. hj damos mais atenção a certas coisas que são importantes, porém exageramos em outras q talvez não sejam tão importantes assim. acho q o legal é dosar.
      de qualquer forma 3 é um número ótimo – eu acho! hahaha.
      beijo

  4. Cecilia disse:

    Concordo em gênero, número e grau com você sobre a ideia de que ter mais de uma filho é tudo de bom. Essa também era minha meta desde a infância, sempre imaginei a casa cheia de crianças, amiguinhos e eu chegando super mãezona com aquele bolo de chocolate com suco pro lanche da tarde, bem comercial de margarina mesmo. O momento de ter filhos chegou e, apesar de não ter tempo e nem às vezes disposição pro bolo de chocolate ( e na maioria das vezes as coisas não correrem como no comercial de margarina) a sensação de plenitude por escutar os gritinhos e a bagunça das minhas duas filhas pela casa é muito boa. No sonho de infância sempre coube um terceiro (até um quarto!), a vontade de tentar um menininho é grande,… mas penso e acho meio loucura, meio punk. Será? Talvez justamente pelo o que você comentou, a infinidade de coisas desnecessárias que valoramos (inclusive financeiramente) a idéia de “mais um” se torna uma coisa enorme. Mesmo vivendo uma prática diferente: a vinda da Julia (a caçulinha) foi muito menos dispendiosa do que a da Marina já que ela aproveitou muito de brinquedos e roupas da irmã. E, como ela encontrou uma mãe mais segura e tranquila, foi uma bebê muito mais fácil de lidar, dormiu a noite inteira mais cedo, outra vida. Sem contar o bem que uma faz a outra apesar dos ciúmes e regressões da Marina (a mais velha). Enfim… sigo refletindo e a sua postagem só veio a acrescentar às reflexões. Abraços, parabéns pelo blog!

    1. Tata disse:

      Cecilia, tem toda razão, segundo filho é muito mais fácil, mais tranquilo, a gente encana menos… e também a gente vai aprendendo que não precisa de tanto… imagina só quanta coisa a gente compra, gasta com o primeiro filho e depois descobre que foi dinheiro jogado fora, coisas totalmente desnecessárias… eu com a chiara senti muito isso. Muitas coisas que achei imprescindíveis ter com as mais velhas, com elas nem dei pela falta.
      Acho que a resposta vem quando a gente põe na balança o que é de fato importante, nossas prioridades, nossos projetos, sonhos, desejos… não é uma equação fácil não… :-)
      mas cada uma encontra a sua resposta, né?
      beijo

  5. LETICIA disse:

    Gostei de mais! E me emocionei também.

    Eu por várias vezes, escondidinha, fico observando a brincadeira das minhas pequenas e fico com os olhos marejados, o coração sorrindo e a alma também.

    Também quando vejo a manifestação de carinho entre elas….nossa, me sinto a pessoa mais feliz do mundo.

    Eu sou filha única e sinto muita falta de um irmão ou irmã. Mas enfim, fico feliz por minhas filhas terem uma a outra.

    Penso demais no terceiro, mas….. vamos pensar mais um pouco. Rs.

    Falei sobre irmãos hoje no meu blog. Vou linkar o seu texto, ok?

    Beijos!

    Letícia

    1. Cecília disse:

      Amei o texto!!!!! Estou grávida do segundo e não vejo a hora de vê-los brincando companheiros!!!!
      Já me emociono de ver o meu brincando com os priminhos ou com meu afilhado. Somos animais sociais, ser sozinho e´que é exceção.
      Pena q muitos pais se preocupem tanto com coisas nem tão importantes assim e acabam privando o filho de ter um irmãozinho. Coisas de tempo moderno.
      Não q não me preocupe com coisas nem tão importantes assim, tanto q decidimos parar no 2º (será???), mas acho lindo família grande, por mim iria até o 4º, rsrsrs.
      Amo seus textos!!!!!

  6. Liri disse:

    ai, Tata!

    Enchi o olho d’água… lindo demais…

  7. Nísia disse:

    Oi, Renata… prazer. Cheguei aqui por meio da Mary W. O título entre os blogs indicados me foi sugestivo já que estou grávida… e tenho um menino de 3 anos e meio Também sempre quis mais de um, na verdade acho o máximo famílias grandes. Eu tenho dois irmãos e achava o máximo ir na casa de uma amiga que tinha 4! Parecia que sempre estava tendo festa lá. Eu já estava querendo há um tempinho mas estava adiantando as coisas do mestrado pra ficar mais viável. Aí engravidei. Fiquei feliz da vida, mas aí na semana passada veio um medão. Putz! E agora? Começar tudo de novo… e o meu doutorado? Etc, etc, etc… foi engraçado que foi quando conheci mamíferas e li o texto sobre mãe de gêmeos. Me senti a própria. Quando não estava grávida ficava triste por ter um filho sozinho que não tinha com quem brincar em casa e tal, daí engravidei e “oh vida, oh azar…”.
    Pensando, conversando, pensando mais acho que faz parte das escolha este processo de lidar com o que fica de fora… e seu jeito de encarar a maternidade ajuda bastante a reforçar tudo de bom!!

    Muito prazer, mais uma vez.
    Nísia.

  8. deborah disse:

    Oi Re,
    Também imaginava uma distância muito grande entre a Isa e o Pietro, 4 anos e 10 meses de diferença. Que nada… eles brincam e brigam de igual para igual. E com a vantagem que a Isadora ainda cuida dele ás vezes, é mesmo uma delícia! Eu sou louca pelo terceirinho, mas o Renato não quer nem ouvir falar… Quem sabe num descuido, rs…
    Bjs para as três!
    Saudades demais….

  9. Rosana Oshiro disse:

    As vezes as mães de um ou dois me perguntam como aguento quatro filhos e esperando o quinto! rsss
    Eu digo para elas que do terceiro em diante só fica cada vez mais fácil…=)
    E como vc tambem adoro ver o amor e amadurecimento deles juntos!
    Alem do lado bom de ter irmãos, tem o lado bom de ser mãe de muitos.
    Eu penso que se fosse mãe de um ou dois, seria uma mãe neorótica, superprotetora e exagerada. Provalvemente não encararia o crescimento deles da forma como tenho encarado.
    Esse também é um dos motivos me fez escolher tem muitos filhos! =)
    beijo

  10. Johane disse:

    Ah……… Tata, meu olho encheu de lágrimas, pq nunca me imaginei com 1 filho só. Agora, que tenho Helena (quase 1 aninho), meu marido não quer outro filho. Espero, espero mto que ele mude de idéia, pq nem nos meus piores pesadelos (rsrsrs, que trágico) eu gostaria de ter um filho só. Ter/ser irmão é tudo de bom mesmooooooooooo….

  11. Lu disse:

    Lágrimas rolando soltas…
    Que lindo!

  12. Tully de Oliveira disse:

    Liiiindo texto…Eu tenho uma filha de 4 anos e meio e um bebe de 5 meses…Nunca quis ser mãe de filho único, mas por circunstancias que num convém voltar a falar, pensei por um tempo em deixar a Raquel sozinha…Coitadinha…Mas como uma linda maravilhosa surpresinha do meu Deus ue pensa em tudo, quando vi já tava carregando o grande companheiro de vida da Raquel, o Miguel, que chegou agora em maio, trazendo revoluções enormes na vida da irmã…Mas revoluções otimas, lindas…Ele é apaixonado pela irmã…E ela por ele…Também fiquei com medo de eles não terem cumplicidade, pela diferença de idade, mas descobri que isso num faz muita diferença quando se ama…E é lindo de ver como eles se amam…Como o pequeno olha pra maior…Bah…Sem explicação…Só mesmo vendo e vivendo tudo isso pra se entender…Lindo texto e linda experiencia…Lágrimas rolando soltas (2)

    1. Tata disse:

      Tully, a diferença de idade entre os seus filhotes é praticamente a mesma que há entre as minhas mais velhas e a caçula… e a verdade é que irmão é sempre irmãos, eles descobrem seus caminhos, vão cultivando a relação a seu modo… sempre cheia de amor e cumplicidade! lindo mesmo de se ver…
      beijo!

  13. Morro de vontade ter mais um!!! Q delícia poder reviver as emoções, quanta saudade tenho da minah gravidez , seria ótimo passar por tudo denovo, espero q seja tão bom quanto foi do meu primeiro filho! Mas, tenho certeza q meu filho vai amar ter um irmãozinho, ele sempre pede..tadinho, mas se Deus quiser um dia vem, ah vem…bjsss e amei o seu texto!!

    1. Tata disse:

      eles sempre vêm na hora certa, Rose! na hora deles, não na nossa… e é sempre pra melhor! :-)


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