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30

2010

Sobre Tempos, Infancia e Maternagem

por Mamífera(o) Convidada(o)

por: Elly Chagas, mamífera convidada

entre os bichos a maternidade é coisa de útero. (…)

Já seres humanos são gerados nos olhos das mães”

(Rubem Alves)

Desde que lembro de mim, amo a infância. Simples assim. Lembro por volta dos meus 8, 9 anos de idade, qualquer criança pelo ou menos 3 anos mais nova me era um fascinante universo. Cresci amando a infância.

Quando na adolescência surgiu a oportunidade de estudar magistério, fugi! Isso mesmo. Não podia conceber o estudo e a convivência com a infância uma espécie de trabalho. Não, a infância para mim era um secreto misto de prazer com responsabilidade. Mas a fuga não deu muito certo (talvez porque eu não fosse mais criança) e enquanto eu estudava técnico em contabilidade fui parar num estágio na secretaria de uma escola de educação infantil. Pronto. o magistério me fisgou!

Trabalho com a infância há 15 anos. Logo de entrada me indignei muito ao observar condutas familiares e os resultados destas na infância.Puxa vida! Lembro até hoje do grande sentimento de impotência diário, que permanece, mas hoje posso dizer que dói menos e move mais. Foi naquele tempo em que se fortaleceu em mim o grande desejo de ser mãe. E fazer diferente. Inovar na maternagem, derramando ali todo o meu amor pela infância.

Mais de uma década se passou até que eu me vi grávida. Que momento incrível! Logo de saída, primeiras semanas e eu me sentia extremamente poderosa e de parceira total daquele ser dentro de mim. E a gestação empoderadora me levou a buscar informações de como gestar e parir aquele ser da forma mais natural e bela possível, o que aqui no brasil é sinônimo de inovação, fazer diferente do número vergonhoso de pré-natais altamente químicos, artificiais que resultam numa cirurgia financeiramente rentável ao sistema de saúde. Como muitas outras que questionam cheguei ao GAMA, à Materna SP e Caetano nasceu respeitosamente numa Casa de Parto.

Evidentemente que ali os desafios estavam apenas começando!

Amamentar Caetano de 2 anos e 11 meses me faz ser diariamente questionada. Uma das últimas vezes pela psicopedagoga da creche, profissional pela qual tenho grande admiração. Frustrante, mas dessa vez é meu filho, ok?

Procuro inovar também no tempo que passo com Caetano: 11 horas por dia sem contar as quatro horas em que ele está na creche em que trabalho, na sala ao lado, fazendo hora de lanche e parque junto da minha turma. Para aqueles que juravam que ele seria dependente de mim, ele parece dar de ombros, pois me encontra e continua a brincadeira, muito tranquilamente. Algumas vezes pára e vem dar um abraço, um beijo.

E é assim que gosto da maternagem e amo a infância: com seus tempos respeitados e longe do trator social que tenta incessantemente atropelar estas relações.

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Imagem: Ivan Cruz


4 comentários no post “Sobre Tempos, Infancia e Maternagem”

  1. Vanessa Moeller disse:

    Amei seu texto Ely. Acho que a gestaçao faz toda a diferenca de como nós seremos como mães, não é? Hoje me sinto segura e amo meu filho mais do que TUDO! E assim nossos pequenos crescem cada dia mais independentes de nós. Outro dia comentei com meu marido: “Vou beijar a abraçar ele MUITO, pq sei que vai chegar o dia em que ele vai recusar um beijo meu pra brincar com os amiguinhos”…
    Mas é isso, a gente amadurece cada dia mais…GRACAS A ELES!

    Um beeeijo!
    PS. Seu filho é lindo!

  2. catherine disse:

    Que lindo Elly!
    Por isso que o Caetano é tão mamífero, tão fofo, tão seguro!
    E vc tem a sorte que poucas tem: passar horas ao lado do filho, vê-lo crescer, acompanhar cada etapa da vidinha dele!

    Parabéns pela linda família, pelo lindo texto!

    Cath da Laura

  3. Fernanda disse:

    Parabêns pelo lindo texto. Realmente ver nossos filhos crescer é bem mais que por no mundo, é ver o mundo pelo olhos deles. Você tem sorte e é abençoada por poder estar ao lado e acompanhar o crescer o passo a passo de tudo.
    Muita luz
    Fernanda.

  4. Kristal disse:

    Amei o seu texto Elly!!
    Cada vez mais eu me convenço de que os pequenos são reflexo do que somos. Certamente o Caetano é um pequeno mamífero, assim como o meu Marco.

    beijos e parabéns!!


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