jul

3

2010

Sobre Precisar e Querer

por Tata

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Esses dias, conversando com uma amiga, fiquei refletindo sobre uma questão que acho bem importante de ser debatida. É a questão de precisar x querer. A diferença entre aquilo que a gente faz porque precisa, e o que a gente faz porque quer, uma escolha.

A maternidade é feita de escolhas. A gente escolhe o tempo todo, opta, elege esse caminho ao invés daquele. E eu acredito muito que a gente tem que assumir as responsabilidades pelo que escolhe.

Cada um faz o que pode, é claro. E em se tratando de escolhas, não há uma melhor do que outra. Há aquela que serve para cada um. A que serve para mim pode não servir para o outro, e tudo bem.

Agora, o que eu acho que não cabe é se fazer de vítima das circunstâncias, colocando as coisas como se não fossem opção, mas falta de. É por isso que me incomoda tanto ouvir uma mãe dizendo coisas como “eu não queria dar a chupeta, mas TIVE que dar, porque meu filho chorava demais”, ou “eu gostaria de ter amamentado até os seis meses, mas TIVE que dar mamadeira porque meu filho passava fome”, ou “eu acho lindo amamentação em livre demanda, mas TIVE que fazer um desmame noturno porque não aguentava mais o cansaço”.

Dar chupeta, dar mamadeira, fazer um desmame noturno ou desmamar de fato, nada disso é crime. E não há porque se envergonhar. São escolhas. Todos temos direito a fazer as nossas, como acharmos melhor. Não existem fórmulas prontas, receitas infalíveis, a gente cansa de dizer isso aqui. Cada família tem o seu caminho, as suas crenças, valores, prioridades e limites. Não cabe julgamento, não cabe juízo de valor.

Agora, o que é fundamental, é que a gente tenha coragem suficiente para admitir nossos próprios limites (que todos temos, uns mais maleáveis, outros menos). É a gente ter coragem suficiente para dizer com todas as letras: eu fiz o desmame porque QUIS, dei mamadeira porque ESCOLHI assim, dei chupeta porque OPTEI por isso. Bem melhor, bem mais maduro, do que se esconder sob justificativas vazias, do tipo “meu bebê era assim ou assado, eu TIVE que dar chupeta / dar mamadeira / tirar as mamadas noturnas / desmamar”, ou seja já qual tenha sido a escolha do momento. Não, você não teve que. Você quis. E tudo bem.

Quando a gente, ao invés de assumir nossas escolhas, e a responsabilidade que vem com elas, transfere a culpa para uma teórica necessidade e impossibilidade de fazer de qualquer outro jeito, está perpetuando conceitos equivocados. Se alguém repete a torto e a direito que precisou desmamar porque engravidou, está ajudando a perpetuar o mito de que grávidas não podem amamentar, por exemplo. E isso não é verdade. Podem, se quiserem. Nem todas querem, mas as que quiserem, podem.

E quando a gente não admite ter feito escolhas, quando a gente se faz de vítima ao invés de assumir a responsabilidade pelos caminhos trilhados, também tira de si mesmo a possibilidade de fazer diferente, se assim desejar, numa próxima vez. Porque a maravilha da vida é isso: a gente sempre poder fazer diferente de uma próxima vez.

A diferença entre precisar e querer é importantíssima, fundamental. Se a gente faz algo porque precisa, o leme não está mais nas nossas mãos. Vamos por onde as circunstâncias nos levam. Se a gente faz algo porque quer, ainda está no comando, ainda é protagonista da história e, portanto, pode mudá-la.

Eu quero ser protagonista da minha história, mestre das minhas escolhas. E você?

imagem: we love it

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38 comentários no post “Sobre Precisar e Querer”

  1. É isso, Tata. Concordo sem ressalvas com você!
    Eu, com meus dois filhos e em momentos diferentes, optei por dar um break em minha vida profissional. Com o nascimento de Eduardo, há 3 anos, parei totalmente. Pedi as contas do trabalho e só voltei quando ele tinha 1 ano e 3 meses. Agora, com Luca, consegui fazer um esquema, no qual trabalho de casa, apenas algumas poucas horas no dia.
    Isso foi uma ESCOLHA. Não digo que fácil, porque nós mulheres desses tempos somos muito moldadas a trabalhar, a sermos independentes. É uma forma quase massacrante que a sociedade nos impõe de sermos independentes pelo espectro da profissão e do dinheiro. Tenho a impressão de que o que é valorizado é a mulher que sai de casa com o bebê com 4 meses e não aquela que fica com seu bichinho em casa, quando ele tanto precisa.
    Mas, a ladainha que mais ouço é: “Claro, você tem o privilégio de ficar sem trabalhar porque não precisa”. Como assim não preciso? Não seria leviano dizer isso?
    Bem, tenho que ter a obrigação de dizer que realmente tenho com quem contar – meu marido tem um trabalho que nos sustenta. Agora, ficar sem trabalhar foi uma opção minha e, tendo escolhido, tive que renunciar a muuuuitas coisas. Aliás, não só eu, mas toda a minha família.
    Cortamos gastos, passeios, almoços e jantares fora, roupas, manicures, viagens e tantas outras coisas que alguns acham fundamentais.
    Nesse momento, o que é importante para mim é estar presente 24 horas no dia para meu bebê de 5 meses. É dar de mamá quando ele quer, é acordar 7 vezes à noite se necessário, sem a pressão de ter de sair na manhã seguinte para trabalhar 8 horas seguidas em um escritório.
    Bem, essa é a minha história que eu divido com você, para ilustrar que, sim, tudo é uma questão de escolha.
    Parabéns pelo texto e parabéns pelo novo Mamíferas, que tá liiiiindo.
    Um abraço com carinho!

    1. Gisele disse:

      Lindo! Tudo mesmo uma questão de escolha!
      Eu, particularmente, me realizo profissionalmente e escolhi trabalhar mesmo com filhos. Tem gente que faz planos para quando se aposentar, eu faço planos para realizar. Claro que sou privilegiada em trabalhar em algo tão envolvente e que me completa, e ainda ser paga por isso, isso é para poucas. Mas sei que sou minoria da minoria…..

      Temos que levar em conta que tem mulheres que não tem escolha em relação ao trabalho, nem em dar mamadeira, etcetc. O mundo não é a Disney para todos, basta viver um pouco mais para ver. E quem não tem comida, informação, dinheiro suficiente para viver bem é a maioria da população.

      Mas no meu caso e da minoria que tem escolhas, escolhi dar mamadeira, chupeta, etc. E sou a mãe mais feliz e realizada do mundo!
      O site é muito bom para trazer informações, e concordo que seria bom o mundo onde TODAS pudessem ter escolhas….
      Bjs

      1. Tata disse:

        Gisele,
        nem todo mundo que opta por priorizar os filhos na primeira infância o faz porque não se sente realizada com o trabalho, ou porque não se importa em realizar coisas. tudo questão de prioridade, e mais uma vez, de escolha.
        eu, por exemplo, amo o que faço, mas entendo que nesse momento um “encolhimento profissional”, como diz a Kalu, é algo que beneficia o que eu entendo como mais importante, como fundamental. cada um tem seu caminho.
        e concordo com você que grande parte das mulheres não tem muita escolha em relação a muita coisa – aliás, faz já um tempo que ando caraminholando um post sobre isso. mas de qualquer forma, a vida é isso aí mesmo: a gente fazer o melhor dentro das nossas possibilidades. e dentro do que se pode fazer, escolhemos sim. a todo momento, mesmo quando achamos que não, mesmo quando nos permitimos acreditar que as circunstâncias nos levaram a esse ou aquele caminho.
        a gente se fazer de vítima não nos leva a nada, pelo contrário, só nos impede de amadurecer e aprender com cada situação, e com cada escolha que fizemos.
        bjo

        1. Gisele disse:

          Tata,
          Muito bonita sua iniciativa. Infelizmente, TODAS as que conseguem ler este site, são a MINORIA que falo. Na verdade, quem consegue ler qualquer site, significa que tem o minimo de informação, o que voce deve saber é a GRANDE minoria da população brasileira.
          Tudo é uma questão de escolha, e nem a mulher que escolher ser somente mãe nem a que escolheu ser mãe + profissional tem mais razão, ou MUITO MENOS uma é “melhor” mãe que outra. De forma alguma quem escolhe ficar cuidado dos filhos na primeira infância é melhor mãe. As vezes a percepção de quem faz esta escolha é equivocada……. a partir daqui, acho que só Freud explica! rsrsrsrsrs nem tento tentar……
          Mas mesmo com conceitos as vezes restritos, gosto de ler no site as experiencias pessoais em relação a como cuidar dos filhos no dia a dia, isso enriquece, ainda mais quando o texto é bem humorado!!!
          Beijos.

          1. Tata disse:

            Gisele,
            onde foi que você leu que uma mãe, porque escolheu assim ou assado, é melhor do que outra? eu não escrevi isso.
            falei sobre a importância de assumirmos o que escolhemos, tomando nas próprias mãos as rédeas de nossas vidas, apenas isso.
            bjo

    2. Tata disse:

      oi Glauciana, bacana sua experiência, obrigada por dividir. aqui também fiz escolhas privilegiando a proximidade com minhas filhas, porque no momento não há prioridade maior do q essa, para mim. e realmente, esse trabalho materno, familiar, é muito pouco valorizado na nossa sociedade… estão até surgindo movimentos para despertar essa consciência, já conhece o manifesto pela valorização da maternidade do grupo cria? veja aqui: http://www.grupocria.com.br/
      uma iniciativa bacana para que mais e mais mulheres tenham liberdade para, de fato, fazer suas escolhas.
      bjo

  2. [...] This post was mentioned on Twitter by Nanda Café, renata penna. renata penna said: então, voltando ao arroz com feijão de tds os dias, lá no @mamiferas, sobre precisar ou querer: http://tiny.cc/3ej58 #mamíferas [...]

  3. Cacau disse:

    Ótimo post, Rê!

    Concordo plenamente com tudo, e acho ainda que há tanta justificativa ou todo esse “esconde-esconde” por questões mal resolvidas.
    Eu mesma sou uma prova disso, durante muito tempo dava mil desculpas e justificativas por não ter amamentado a Bruna, mas sempre foi uma questão mal resolvida pra mim. É claro que houve sim, inexperiência e fraqueza da minha parte mas sei que no momento me deixei levar completamente e não busquei um caminho diferente. Me acomodei com as desculpas, tive dó de mim.

    E só depois de entender muito bem isso e de deixar de terceirizar a culpa é que pude crescer e levar em frente o objetivo de amamentar a Cecília.
    Só depois de “me entender” e “me perdoar” é que pude passar por cima disso tudo.
    Posso até estar soando repetitiva, mas estou cheia de orgulho porque amanhã a Cecília completa 6 meses de amamentação exclusiva, tudo deu tão certo. Mas foi sim preciso muita força e muita garra pra não sucumbir.

    Enfim, escolhi ser a mãe que EU QUERO ser e não a que os outros acham que devo.

    beijos

    1. Tata disse:

      oi Cacau, é isso aí, estava nas tuas mãos mudar essa história, e você foi lá e mudou! parabéns pela atitude, pela coragem e pelas belas escolhas… e parabéns para a gorduchinha pelo mesversário! :-)
      bjo

  4. Flaviabin disse:

    Rê querida também andei pensando sobre a responsabilidade da escolha, e é tudo isso que você disse mesmo, assumir a escolha que fez e arcar com a responsabilidade sem historinhas bem elaboradas sobre falta de culpa ou de escolha.

    bjoO

    1. Tata disse:

      pois é flor, essas historinhas só servem mesmo pra gente se esconder… de quem, mesmo? ;-)
      bjo

  5. disse:

    Perfeito!!
    Toda escolha envolve uma renúncia. Pena que muitas não tem peito pra assumir suas escolhas, às vezes nem mesmo apoio para tanto.
    Maternidade é isso: escolher sempre!! E assumir, principalmente, sua condição e postura como mãe.

    1. Tata disse:

      é isso aí! não existe escolha certa ou errada por definição, existe aquela que é certa ou errada para você, em determinado momento, sob determinadas circunstâncias… o que vale é a gente assumir nossos caminhos, e seguir em frente assumindo responsabilidades.
      bjo bjo bjo

  6. Lourdes Tayt-Sohn disse:

    Adorei o post. Aliás, adorei blog, e olhe que as minhas crias, que eu quis ter, já tem 20 e 16 anos. Beijos. Sucesso na caminhada.

    1. Tata disse:

      obrigada lourdes, seja bem-vinda para voltar sempre que quiser, e dividir suas experiências com a gente…
      bjo

  7. luiza paim disse:

    concordo com vc, assumir é mais maduro… mas discordo numa coisa: eu precisei desmamar o antonio pq não ovulei durante a amamentação. foi comprovado em exames e pra vir a olívia, ele precisou largar o peito com um ano e 10 meses. e engravidei no mês seguinte. mas esse foi MEU caso… sei q outras mulheres ovulam dando peito.

    ABRAÇO,

    LUIZA

    1. Tata disse:

      olá Luiza, obrigada pelo comentário!
      bem, de qualquer forma, você fez uma escolha, não é mesmo? você quis ter um outro filho naquele momento, e fez a escolha que privilegiava essa prioridade… de uma forma ou de outra, são caminhos, e estamos sempre escolhendo ir por aqui ou por ali…
      bjo

  8. Mari Tezini disse:

    conversa rendeu boas reflexões! ;-)

    como vc respondeu nos comentários, a minha orientadora na faculdade dizia uma coisa parecida que até coloquei nos agradecimentos….rs (sobre caminhos e métodos a trilhar): “não existe certo e errado, existem consequências”

    bjo e boa semana

    1. Tata disse:

      é isso aí Mari! adorei a frase, acho que o caminho é bem esse… encarar as consequências das nossas escolhas.
      bjo bjo bjo

  9. Juliana Cordeiro disse:

    Concordo plenamente com o post, mas agora em relação aos comentários dele, acho que para a maioria das mulheres brasileiras as escolhas cortam mais fundo e são mais sérias que realização profissonal plena X saber da importancia da presença da mãe na primeira infância, as vezes (na maioria delas) é entre comida na barriga do filho e teto para o abrigar X ficar exclusivamente com ele na primeira infância, nem todo mundo tem um parceiro disposto a assumir a “caça” para as mamíferas poderem ficar exclusivamente com seus filhotes e não me venha dizer que vendendo artezanato, fazendo freelancers ou cozinhando para fora (coisas que dá para fazer em casa) vc conseguirá sustentar um filho sozinha no Brasil, não dá não minha gente, as vezes infelizmente a gente tem que encarnar a mamífera leoa e sair para caçar para sustentar ou ajudar a sustentar a cria, então que tipo de liberdade de escolha é essa? No dia em que TODAS as mães brasileiras tiverem direito a um salário digno para criar seus filhos, mesmo estando exclusivamente com eles ai a gente pode dizer que as mulheres que não o fizeram não o fizeram por livre escolha…

    1. Gisele disse:

      Juliana,
      É sobre isso exatamente que falei, com TOTAL respeito a todas. A tal “escolha” é para poucas, como eu, voce, quem escreve, as blogueiras, e todas que conseguem ler este blog (ainda bem! sim, nós temos escolha).

      Infelizmente não é a vida da maioria das brasileiras. Estas mulheres não tem a escolha de dar o peito até 2 anos, livre demanda, etc etc. O sustento da familia depende do salário delas (muitas vezes salário de fome mesmo).

      Então, não é politicamente correto generalizarmos, que tudo é escolha. É escolha para quem pode escolher, como nós (ainda bem novamente!).

      E a distorção continua: A mulher ganha menos que o homem trabalhando na mesma profissão; mães priorizam o ensino dos filhos homens (na olimpiada de matemática promovida pelo MEC de 2010, destaque quase exclusivo ao desempenho de meninos); e a mulher ainda é quem deve ter jornada tripla. Me pergunto: que escolha? Embora quem não tem escolha nunca vai ler este blog, precisamos ter os pés na terra.

      Para as que podem escolher como quem escreve, voce e eu: assumimos a nossa escolha! É realmente questão de escolha!

      1. Tata disse:

        Juliana, Gisele,
        vocês mesmas esclareceram meu ponto nos comentários de vocês: o público que acessa o blog faz parte dessa minoria que tem, sim, possibilidade de escolha. era dessas escolhas que eu falava.
        bjo!

  10. Você tem razão em grande parte, Juliana. Seria muito excludente, e pequeno, de minha parte generalizar essa questão a apenas o fato de escolher ou não trabalhar fora, tendo filhos para sustentar.
    Eu mesmo conheço várias mães que não têm maridos em casa e que se não trabalharem em longas jornadas, massacrantes, não colocam comida na boca de suas crianças. Isso é uma realidade dura em nosso país, claro!
    O que eu me refiro é que há escolhas, há caminhos, mesmo quando achamos que não. O mundo é cheio de caminhos.
    O meu comentário foi apenas explicitando a minha escolha e não julgando aquelas mães que não fizeram a mesma que a minha.
    Eu, que não fui criada pela minha mãe (porque ela escolheu ir para muito longe, no intuito de me “dar uma vida melhor um dia”) tenho a experiência de como é duro não ter a mãe por perto… e na real? Busco melhorar lacunas até hoje dessa falta que ela me fez. E, por essa razão, escolhi ficar com meus meninos.
    Tive que renunciar a muitas coisas, sem dúvida. Mas, hoje o que importa para mim e minhas crianças é eu estar ao lado deles.
    Isso é o que certo e o cabe na minha realidade!

    1. Tata disse:

      Glauciana,
      ia eu escrevendo um longo comentário quando li o teu, e vi que você já expressou lindamente o que também penso: “há caminhos, mesmo quando achamos que não”.
      tua experiência como filha veio coroar esse raciocínio, lindamente. obrigada por compartilhar.
      bjo bjo bjo

  11. Carol Flor disse:

    Gente!
    Adorei o texto e adorei os comentários. A Ivone, doméstica que trabalha aqui em casa, está grávida do segundo filho. Ela me viu parir e amamentar minha filha e já declarou que deseja muito amamentar prolongadamente esse segundo bebê, pois viu como é bom para ela e para o nenem…. Quanto ao parto, ela ainda tem um pouco de medo, pois durante o trabalho de parto da primeira filha, fizeram ficar deitada de barriga para cima, no que ela sentiu muita dor e obviamente o TP não evolui e ela fez cesárea por falta de dilatação e sofrimento fetal, o que com quase toda certeza seria diferente se fosse permitido que ela escolhesse sua posição e pudesse se movimentar livremente. Mas estou conversando com ela aos poucos.
    A gente que tem a informação, pode fazer diferença para qualquer um a nosso redor, somos MULTIPLICADORAS. Tenho amigas com muito acesso a informação que escolhem mamadeira, bico, amamentação com hora marcada em 10 minutos….

    Então eu concordo que informação é tudo, mas até certo ponto (contradição…) Escolhas,também é complicado dizer que escolhemos, nós somos um espelho do mundo, dos outros…

    A culpa, sim, temos que tomar para nós, senão nenhuma mudança acontece. Sem se estressar muito com isso, pq senão trava o corpo todo e a gente adoece…

    Então, vejo que eu concordo sim com o texto da Tata, em minhas palavras, temos que aceitar nossa culpa dos erros, saber também que vivemos nesse mundo e somos vítimas dele, ter informação e fazer tudo diferente depois!

    E quanto mais espalharmos essa informação, menos privilegiada ela fica, portanto, bora falar disso sem parar, discutir, conversar, contar história…..

    beijo

    1. Carol Flor disse:

      Ah, gente e eu acho que até quem trabalha muito, volta com 4 meses do bebê, eu tenho amiga que prefere ter um carro zero do que ter um mais velhinho e contratar alguém para cuidar da casa, fazer almoço, enquanto ela se ocupa do bebÊ e ainda fala assim: ah! é mais fácil para vc que tem empregada que te ajuda, eu com meu carrinho velho e rodado e ela com o novão lá brilhando…rssss… Olha, eu nem falo nada, só sorrio. Ela trabalha muito! Mesmo quem tem muitas obrigações, tem um certo nível de escolha não acham??? Eu tsmbém fiz escolhas, meus dois filhos vão para a escola para que eu possa completar a faculdade e talvez num futuro ganhar um dinheiro para comprar um carro um pouco melhor… rsss.. 1 ano e meio e 3 anos e 4 meses eles tem. Então….
      Essa minha amiga do carro, parou de amamentar porque nem comia direito por estar sobrecarregada de tarefas, trabalhar fora, cuidar da casa, do bebê, fazer comida, dormir pouco e a bendita mamadeira par a disputar, não tem amamentação que aguente….

    2. Tata disse:

      Carol, concordo contigo, somos espelhos do mundo. Mas escolhemos, seja por nós mesmas ou por esse acúmulo de experiências alheias. De uma forma ou de outra, optamos. E aí é questão de assumir responsabilidades – acho que não cabem culpas, mas responsabilidades. Para compreender por que estamos trilhando os caminhos que trilhamos, e modificá-los, se for o caso.
      bjo bjo bjo

  12. Michelle disse:

    Nossa, Tata! Acho que o melhor do post foi a palavra “escolha”. A boa escolha foi a sua…rs!

    Adorei os comentários, de todas! Isso aqui está quase um fórum! Ainda mais, com esse visual chiquérrimo (ah, não! “chique” não combina com as Mamíferas! Refaço: ainda mais com esse visual descoladaaaaaço do bogue! rs!).

    Brincadeiras à parte, acho que o que faltou no texto foi completado pelos comentários. Por isso, não posso discordar de nada a esta altura do campeonato.

    Bjs!

    1. Tata disse:

      obrigada especialmente pelo “descoladaço”… adorei! ;-)
      bjo bjo bjo

  13. Juliana Cordeiro disse:

    Carol, Flor…Rsrsrs, vc parou para pensar que essa sua amiga do carrão se quisesse comprar um carro velhinho, parar de trabalhar e contratar uma empregada, teria que no mínimo discutir a “escolha” dela com o parceiro? Uma relação é construída à dois e as escolhas prioridades e necessidades da família sempre tem que ser negociadas, ninguém é completamente livre, não dá para impor para um pai do nosso tempo que ele assuma sozinho as despesas da casa(e claro tenha que trabalhar muito mais) para a mãe ter tempo de se dedicar só ao filho, se ele curtir a idéia ótimo mas se não for o caso a mulher tem duas opções, ou convive com a escolha do parceiro também e tentam os dois apenas diminuir o ritmo de trabalho para poder curtir o filho e dividir as despesas ou a relação acaba e ai da mesma forma a mulher terá que trabalhar para ser responsável pelo seu própio sustento e pelo menos metade do de seu filho, porque hoje em dia não há um juiz no país que arbitre pensão para uma mulher saudável e em pleno gozo de suas faculdades mentais e capacidade de trabalho e ninguém merece depender de ex marido né minha gente? A única solução efetiva para isso seria o governo pagar um salário maternidade decente para a mãe ficar em casa com a criança por dois anos (podendo ser o primeiro a mãe e o segundo o pai) ENTÃO A GENTE DEVE SE VOLTAR CONTRA O SISTEMA E NÃO CONTRA AS OUTRAS MÃES!! PARA GARANTIR ESSE DIREITO À TODAS E NÃO SÓ AS PRIVILEGIADAS!!! O QUE VCS ACHAM??

    1. Tata disse:

      Juliana, ninguém aqui está se voltando contra ninguém. Estamos falando de amadurecimento e responsabilidades, apenas isso. Afinal, a relação em que eu estou também é uma escolha, não é mesmo?

  14. Carol Flor disse:

    Juliana, mas eu não acho que ela deveria parar de trabalhar, acho que nós mulheres devemos sim trabalhar. O que eu acho é que ela poderia ter outras prioridades, como contratar uma pessoa para ir na casa dela e fazer uma boa comida 3x por semana para que ela se alimente bem. Para que ela não tenha que arrumar casa quando poderia estar recuperando as energias para ficar com o bebê e amamentá-lo. E não ter um carro do ano. Entende?
    Isso é uma escolha que uma mãe pode fazer.

    Temos limites, concordo. Ela vai trabalhar porque é importante, por muitos motivos, e deixar o filho o dia inteiro na creche. Tudo bem! Acho que isso acontece e muitas vezes nossas escolhas ficam limitadas, então fazemos nosso melhor e curamos as feridas quando dá.

    Temos que fazer a nossa parte, pensando e escolhendo. Mas eu não a culpo somente, porque o mundo é assim, o marido dela tb pensa assim mais importante é ter um carrão do que se alimentar bem!
    São valores invertidos, na minha opinião.

  15. Juliana Cordeiro disse:

    Carol, também acho, valores totalmente invertidos na nossa sociedade, mas vc acredita que tem maridos que se opõe a se contratar uma empregada? Sim tem!! Tem maridos de amigas minhas que trabalham pra caramba em casa cuidando dos filhos e o marido não quer que contrate empregada porque se ela está em casa e ele está trabalhando ela pode perefeitamente fazer o serviço doméstico, resultado? Mulheres que estudaram muito, com pós graduação, mestrado e doutorado, curriculuns excelentes, lavando cueca de marido no tanque…Acho criar os filhos a tarefa mais nobre de uma família, o perfeito é que todas as mulheres (e homens) pudessem dar uma pausa nas carreiras para formar seres humanos e que a sociedade RECONHECESSE ISSO, mas criar OS FILHOS e não virar doméstica de marido (me desculpe quem discorda), tem muitas amigas minhas que se submetem a isso porque (compreensível) não querem deixar os filhos com terceiros, mas nesse caso da sua amiga ai meu Deus além dela trabalhar fora o marido não quer empregada??????????????????????? Separa logo que sozinha ela vai estar melhor, kkkkkkkkkkkk

    1. Tata disse:

      Juliana, volto a dizer… o relacionamento também não é uma escolha?

  16. Carol Flor disse:

    Juliana, o problema da minha amiga não é o marido dela, rsss, é ela mesma, que não entende que ela poderia ter mais ajuda se priorizasse a própria saúde e não o carrão do ano! O marido não interviu nisso! O carro é dela!

    Com certeza tem de tudo nesse mundo, mas a questão aqui é que tb existem escolhas nossas, para além do marido, do trabalho, do dinheiro. As vezes pequenas, mas que fazem toda a diferença.

    Você mesma, não fez escolhas assim?
    O que vc priorizou?
    Vc culpou outras pessoas, instituições?
    Vc poderia ter feito diferente?

  17. Juliana disse:

    Carol Flor, ah sim, claro que sim! Fiz escolhas! Como estamos discutindo no post da Débora, passa lá depois e dá uma olhada, eu escolhi reduzir bastante a minha carga de trabalho, mas não larguei totalmente, meu marido fez a mesma coisa para também curtir o filho, cortamos muitas despesas, tipo temos só um carro popular pros dois, não saimos mais a noite etc…E aqui a gente divide as contas e o serviço doméstico também, igual igual, temos uma faxineira, mas do resto é tudo com a gente mesmo, eu só disse que trabalhando com o que eu trabalho vejo todos os dias que a maioria das mulheres brasileiras não tem que escolher entre ficar com os filhos ou se realizar profissionalmente mas sim entre dar comida e teto para os filhos ou brindá-los com a sua presença e que deviamos lutar para que TODAS tivessem essa escolha que a gente tem.

  18. Juliana disse:

    Tata, desculpe, não tinha lido suas respostas, sim! Claro que é! Relacionamentos também são uma questão de escolha, mas óbviamente uma relação boa vai além de o homem estar disposto a assumir sozinho o sustento da casa ou não, eu por exemplo, tenho um parceiro ótimo, tem defeitos e limitações é claro, como eu também como todas nós, e ele expõe as razões dele e eu não consigo achar errado o raciocínio, eu realmente acho que a presença do pai é tão importante na criação dos filhos quanto a da mãe e que tarefas e contas devem ser divididas entre parceiros iguais, então sim, minha relação é uma escolha, assim como a da amiga da Carol Flor, eu sei que ninguém está se voltando contra as mães aqui, é que a forma como a carol colocou o caso da amiga dela deu a entender que a amiga é a CULPADA por tudo e acho que nosso olhar deve ir mais adiante sabe? Ninguém é totalmente livre para escolher, escolhemos dentro de um contexto social, do pensamento de uma época, das informações e possibilidades que temos ou não e como eu disse para a maioria a escolha não é entre o que é melhor (ficar com o filho ou se lançar à carreira) mas sim entre o que é menos pior (filhos sem contto com os pais na primeira infancia ou filhos sem comida e teto) e eu disse que a única solução para isso seria o governo garantir que os pais pudessem permanecer com os filhos na primeira infancia, como? Garantindo saúde, educação, moradia de qualidade e gratuitas (tá lá na nossa constituição esse direito, só tem que por em prática) e garantindo uma licença e um salário maternidade decentes e nõ essa vergonha de hoje, porque sem isso, sinto muito, mas a decisão de uma mãe ou de um pai parar de trabalhar para se dedicar só aos filhos vai sim, sempre depender de ter um outro (marido, mulher, avós) disposto a pagar a conta (“não existe almoço grátis no capitalismo) kkkkkkkkkk Bom fui muito longe no raciocínio, sei que seu post não foi sobre isso de trabalhar ou não, e sim sobre todas as N escolhas que fazemos todos os dias (que tipo de parto, amamentar, o que comprar, com o que se alimentar, que escola colocar) e que temos que assumir nossa responsabilidade por elas sem se vitimizar e concordo, plenamente, veja meu primeiro post, nesse tópico eu disse que concordo totalmente com o que vc disse.

  19. Rô! disse:

    quando li o post queria comentar justamente sobre trabalho, que virou o assunto dos comentários. Percebi com seu texto Tata, que o que tem me incomodado é justamente isso. A sensação de não ter escolha nesse assunto, não me conformo com isso. Lutei tanto pelo meu parto e o consegui, como posso não conseguir ficar com meu pequeno pelo menos até 1 ano? Me sinto fraca e incapaz por ter q voltar ao trabalho, sinto que estou entregando os pontos. Tenho escolhas sim, mas elas incluem não conseguir pagar aluguel,compras do mes… Enfim, o basico. Queria conseguir fingir que a culpa não é minha… :(


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