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2009

Um olhar sobre paternidade ativa e consciente

por Mamífera(o) Convidada(o)

por: Rodrigo – Pai Mamífero Convidado

Lembro-me da noite em que disse à minha esposa sobre um desejo latente que em mim habitava: o de termos um filho. Estávamos na cozinha de nossa casa, preparando o jantar. A cozinha, que para nós é de grande importância no lar, onde nutrem-se e saciam-se muitos desejos, foi palco do que considero a concepção de nosso filho, o momento a partir do qual a sua presença já seria sentida, querida, festejada.

Lembro-me que antes de pronunciar qualquer palavra, Renata ofertou-me um sorriso. Aquele sorriso apaixonado, que poucos meses antes enfeitiçara-me, era uma resposta que dizia também do seu desejo. Era um tempo em que nossos dias eram embalados por Led Zeppelin, por caminhadas em meio à natureza, por cartas apaixonadas. Dias que representam a magia com a qual nasceu a idéia de dois seres humanos trazerem para este mundo um novo ser- humano.
Considero-me um homem de sorte porque a vida me trouxe a companheira que tenho; por ter podido fazer escolhas importantes com essa pessoa, de maneira tranqüila, com cumplicidade, com empatia, cada qual dando ouvidos e observando o outro. A trajetória que percorro junto de minha esposa, desde a manifestação do desejo de sermos pais, é de profunda consciência dessa relação.
Penso que paternidade( e também, porque não, maternidade) ativa e consciente é reflexo dessa interação onde o pai e mãe escolhem ter um filho – ou se não escolhem, acolhem a idéia de serem responsáveis pela concepção do novo ser humano – e adotam um comprometimento com aquele ser; as relações familiares considerarão a importância de uma nova vida que também construirá a história de todos.
Partilhar a estrada com todos os percalços que possam acontecer e desfrutar de todo o prazer que o caminho oferece será reflexo e conseqüência de uma paternidade ativa e desse comprometimento( não somente moral ou material – mas sim, afetuoso e ético) para com a criança que terá voz, presença e um mundo muito peculiar de sentidos e representações, nascendo então o relacionamento que permite trocas verdadeiras e o conhecimento – aprendizagem mútua entre pai e filho.

Estando numa relação estável ou não, e mesmo hoje em dia, com plurais maneiras de se considerar relacionamentos com afeto nos quais se configura também a noção de pais e filho, cuidadores e cuidado, o comprometimento traduz a relação ativa, para que não tenhamos somente o velho modelo de papai e mamãe, mas sim o modelo de companheirismo entre todos.

Para o pai essa comunhão deveria acontecer já durante a gravidez. Muitas vezes o homem depara-se com a noção de que sua companheira está a “esperar uma criança” e confunde-se num emaranhado de informações que vão de questões de saúde aos aspectos financeiros desse momento.

Talvez por ser um terreno que historicamente foi delegado ao homem, o pai incube-se geralmente dos aspectos mais práticos das decisões. Tenho esperança que um dia, nós homens, possamos entender que estamos grávidos junto de nossas companheiras e que precisamos atuar em novos papéis. Principalmente aprender o que significa o universo da gravidez, e que nossa atuação nessa fase é essencial para criarmos os laços que se espera que os pais tenham com seus filhos.
Procurarmos entender o que se passa no corpo feminino, e na medida de cada um, aprender a se relacionar com esse corpo, é dialogar também com a criança, é fazer parte dessa revolução maravilhosa que, pelo corpo feminino, se delineia em novos contornos. Nessa reflexão feita por um homem, penso também o quanto nós, que geralmente fomos criados por mulheres, precisamos da ajuda delas para adotarmos novas posturas…
Partir do princípio que a época da gravidez já é tempo de aprender a praticar uma paternidade ativa é uma maneira de trazer a tona um momento sublime que transcende qualquer explicação racional, e que é oportunidade de empoderamento para os pais e para a criança: O nascimento.

Minhas mãos tremiam ao segurar a tesoura que o médico estendera a mim para proceder ao corte do cordão umbilical. Dioniso estava aninhado no colo de Renata, sentindo o calor materno que o protegia do frio deste mundo. Um mar de sensações ainda estava revolto em mim, no entanto, eu sentia que aquele corte representaria um desligamento entre os dois seres que eu tanto amava.

Em meu pensamento, voou a idéia e o medo de que seria aquela a minha primeira marca, o meu primeiro ato. Naquele momento eu ainda não tinha como abarcar a vivência de que, dia após dia, Dioniso pegaria em minha mão para me ensinar como viver com ele e como amá-lo cada vez mais.

1 comentário no post “Um olhar sobre paternidade ativa e consciente”

  1. [...] a mãe que fica com a guarda das crianças). Então, resolvi postar aqui o texto que encontrei no blog Mamíferas, sobre a participação ativa e efetiva de um pai durante todo o processo, seu relato pessoal e sua [...]


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