Nasce uma Tristeza

por Aurea Gil

depressão pós-parto: depois do nascimento, o luto (foto: Kalu Brum)

Todo mundo sabe como é a vida depois da chegada dos filhos: muita felicidade, um lindo bebê rosado e contente dormindo placidamente no berço, enquanto a mãe, vendendo felicidade, contempla seu filho debruçada sobre a grade de madeira. Certo?

Bem, nem sempre. Para muitas mulheres, os primeiros meses da vida dos filhos podem ter uma descrição bem diferente: desânimo, cansaço, idéias negativas, ansiedade, insônia, sentimento de culpa e inutilidade, oscilação emocional, alterações de comportamento e episódios de agressividade… quadros como esse têm nome:depressão pós-parto.

A depressão pós parto é uma tristeza profunda observada nas mulheres no período após o nascimento dos bebês. Além dos sintomas clássicos, enumerados acima, podem ocorrer também alguns sinais de rejeição pela criança: a mãe não tem vontade de cuidar, não quer amamentar, sente-se irritada ao ouvir o choro do bebê. Muitas vezes, a mãe prefere mesmo se manter afastada da criança.

“Há uma redução marcante do interesse e do prazer em fazer qualquer coisa, que se torna cada vez mais frequente. A mulher diz que está cansada demais, tem cada vez menos prazer em sua rotina, sente que não é boa mãe e acha que não está cuidando direito do bebê”, explica Josie Zecchinelli, psicóloga especializada em Psicologia da Gestação, Parto e Puerpério. Há outros sintomas, como alterações no apetite, irritabilidade, perda ou ganho de peso, incapacidade de concentração e de tomada de decisões. As causas da depressão pós-parto têm sido exaustivamente pesquisadas: “Elas vão desde alterações hormonais, como quedas bruscas de estrogênio e progesterona que ocorrem após a retirada da placenta, alterações de insulina, tireoide e, até recentemente publicado, pela pouca produção de oxitocina – o hormônio do amor”, explica o psiquiatra Sergio Klepacz.

Tristeza em vários graus

Todos esses sintomas, quando manifestados em uma mulher que acaba de dar a luz, merecem grande atenção. Na maioria dos casos, é necessário acompanhamento médico e psicológico. Muitas vezes, além da psicoterapia há a necessidade de um tratamento medicamentoso, acompanhado por um médico psiquiatra. “O que define a necessidade de tratamento é o grau da depressão e os riscos comportamentais que ela possa acarretar para o relacionamento mãe-filho”, explica Sergio. Josie complementa: “Conforme a gravidade do quadro depressivo, o tempo de acompanhamento e a necessidade ou não de ter também o acompanhamento de um psiquiatra e uso de medicação variam. Muitas mulheres estarão amamentando o bebê com leite materno, e por conta disso também é preciso cautela na utilização de medicação, que só será usada em último caso, quando os riscos de não medicar a mãe forem maiores do que os riscos do uso da medicação”.

O acompanhamento de um profissional especializado no período pós-parto, familiarizado com as alterações fisiológicas e psíquicas características do período de gestação e puerpério, pode ser um diferencial importante para a mãe. “O psicoterapeuta vai ajudar a mulher a usar os recursos que ela têm internamente para lidar com essa situação de crise, ajudá-la a se fortalecer”, esclarece Josie.

Amamentar pode apressar a cura

Rafaela, filha da professora de canto Monica Uratsuka - aleitamento é também alimento para a mãe (foto: arquivo pessoal)

Amamentar o bebê ao seio, além de fortalecer o vínculo entre mãe e bebê, é também uma das medidas que  melhora o prognóstico da mãe com depressão pós parto. Por isso, consultar um profissional especializado, que estimule a amamentação e ajude a mãe com as questões relativas ao aleitamento, pode fazer toda a diferença.Também é fundamental que a mãe que enfrenta a depressão conte com o apoio da família, que ajuda a aliviar a sensação de desamparo, e evita que a mãe se sinta emocionalmente sobrecarregada.
A professora de canto Monica Uratsuka d’Ávila, 36 anos, começou a perceber os sintomas da depressão cerca de duas semanas depois do parto da filha Rafaela, de 11 meses. “Sentia uma tristeza fora do normal. Não tinha vontade de cuidar da minha filha, ficava irritada com o choro dela, uma falta de encanto com o novo bebê, além de um bloqueio emocional que me fez levar quase oito meses para conseguir dizer que a amava”, conta.
Mônica nunca havia tido nenhum tipo de depressão, e já era mãe de Isabela, de 5 anos. “Sou apaixonada pela minha filha mais velha desde que ela nasceu. O modo como eu prestava atenção nela, acudia, conhecia, era muito baseado nesse amor incondicional e apaixonado. Com a mais nova, tive momentos em que simplesmente não me sentia mãe de duas filhas”, relata.

a professora de canto Monica Uratsuka, grávida de Rafaela, com a filha mais velha, Isabelle: "não me sentia mãe de duas filhas" (foto: Studio Woody)

“Eu não conseguia ficar feliz”

Apesar dos cuidados  para não negligenciar a filha mais nova, Mônica percebeu durante o tratamento psicoterápico que o relacionamento dela com Rafaela era diferente: “Eu não conversava com ela desde bebê, como fiz com a mais velha. Eu cuidava, trocava fralda, amamentava, tudo isso sem falar com ela. Depois passei a conversar, a brincar, mas foi por um bom tempo uma atividade “forçada”, pensada. Isso é muito doloroso de se perceber. Várias coisas, com a Rafa, são mais pensadas do que instintivas. Por isso percebo que a depressão ainda está por aqui.”

Foi difícil para Mônica admitir que precisava de ajuda médica. “Foi complicado ir ao médico e escutá-lo prescrevendo antidepressivos.”, afirma. Ela conta que só depois de 3 meses de psicoterapia, que frequenta até hoje, começou a sentir melhoras.  “A depressão afeta o modo como você pensa, interfere no relacionamento com o bebê, e parece impedir  momentos felizes. É como se aqueles momentos que seriam felizes não conseguissem quebrar a barreira e entrar em você. Eu pensava: ‘que legal, eu devia ficar feliz com isso’, mas simplesmente não conseguia ficar feliz”, relembra a professora.

Mônica diz que hoje se sente “ 300% melhor”, mas que ainda não voltou ao que considera ‘o seu normal’. “Não tenho uma previsão de alta ainda, mas achamos que talvez mais uns 6 a 7 meses me deixem mais próxima do que eu era antes. Há várias coisas que me incomodam na minha vida, mas eu conseguia lidar com elas, antes da depressão. Quando eu voltar a lidar com essas coisasa sem sentir que o mundo vai acabar, descobrirei que a doença finalmente foi embora. Como isso ainda não acontece, não acho que tenha chegado na manutenção. Ainda estou em tratamento”, explica.

Depois do parto, o “luto” – Baby Blues

Uma condição comumente confundida com um quadro de depressão pós parto é o chamado baby-blues, ou blues puerperal. “De certo modo, boa parte das mulheres apresenta algum grau de depressão no pós parto”, afirma Sergio.

Ao contrário da depressão pós-parto, contudo, o baby blues é um transtorno transitório, passageiro e relativamente comum – cerca de 50 a 70% das mulheres vão vivenciar algo assim após dar a luz -, e está associado às alterações hormonais que ocorrem logo após o parto. “Acredita-se que a queda nos níveis dos hormônios estrógeno e progesterona que acontece nessa fase seja a causa das alterações psíquicas que muitas mulheres experimentam”, explica Josie.

Os sintomas do baby blues podem ser notados logo nos primeiros dias de vida do bebê: a mãe fica sensível, cansada, irritada, apresenta alterações no sono, e o mais frequente dos sintomas: chora frequentemente.  “Esses sintomas costumam diminuir com o passar dos dias, e o quadro melhora bastante em até duas semanas após o nascimento do bebê”, detalha a psicóloga.

A importância do “deixar chorar”

Para superar esse período, é importante que a mãe possa contar com o apoio da família, dos amigos e do companheiro. “Ela está alterada, muitas vezes nem sabe por que, não sabe o que fazer para se sentir melhor e ainda precisa cuidar de seu bebê. Portanto, ter alguém que cuide da mulher para que ela possa cuidar do bebê é fundamental. Deixar a mulher chorar é importante, acolhê-la. Muitas vezes o choro virá sem motivos, é uma forma de liberação, e se as pessoas próximas entendem isso e oferecem o apoio pra que ela se manifeste, em geral a mulher se sente melhor.”

a dona de casa Luciana Nervegna, com a filha mais velha, Lorena: o quadro depressivo apresentou-se já nos primeiros dias em casa (foto: arquivo pessoal)

A depressão pós parto e o Baby Blues têm sintomas semelhantes, mas que diferem na freqüência e na intensidade. Quando os sintomas persistem e se intensificam mesmo após o período de duas semanas, é possível que a mãe esteja vivenciando um quadro depressivo, e a busca por tratamento deve acontecer o quanto antes. “Em geral, a depressõa pós-parto pode aparecer de 6 semanas até um ano após o parto”, completa Josie.

Para a dona de casa Luciana Nervegna, de 25 anos, os sintomas se manifestaram na primeira gestação, e começaram já no primeiro dia em casa com sua filha mais velha, Lorena, hoje com 2 anos e 8 meses: ”Sentia uma confusão mental muito grande, como se estivesse sonhando, mas um sonho muito confuso e estranho. Tive crises de pânico, medo de morrer e picos de pressão alta, pelo nervosismo. Sem tratamento, os sintomas se agravaram, e pensava na morte o dia inteiro. Tinha muito medo de dormir também, pois achava que poderia morrer durante o sono”, relata.

“Minha filha me ajudou a vencer a depressão”

Sem melhora nas crises de pânico, Luciana teve dificuldades para encontrar médicos que associassem seus sintomas a uma depressão pós parto: “Fui várias vezes ao pronto socorro com crises de pânico. Eles me davam remédio para pressão alta, e me mandavam pra casa. Depois, passei por diversas especialidades médicas: cardiologista, neurologista e psiquiatra, sem sucesso. O último psiquiatra conversou comigo por dois minutos e me disse para só retornar quando tivesse parado de amamentar. Pensei: se eu tiver que parar de amamentar para me tratar, prefiro enlouquecer e continuar amamentando. Minha filha estava com 9 meses quando consegui ajuda de um profissional”. Ela passou a tomar medicamentos leves, e não precisou parar de amamentar para seguir com o tratamento.

Luciana conta que não teve sentimentos negativos nem de rejeição à filha: “Sentia muito prazer e amor amamentando minha filha. Eu só queria estar bem para poder cuidar dela e aproveitar todos os momentos. Por isso digo que minha filha me ajudou a vencer a depressão”.

A psicóloga Josie explica que  a rejeição pelo bebê costuma aparecer em graus mais avançados da doença. “Nem toda mulher que apresenta depressão pós-parto experimentará os mesmos sintomas, com a mesma intensidade. Quando o quadro é mais leve, a mãe até pode apresentar pensamentos negativos em relação ao bebê, mas em geral não deixa que isso a afaste dele. Algumas pessoas confundem o sentimento de incapacidade que muitas mulheres depressivas vivenciam, com uma rejeição do bebê, mas são coisas diferentes. Quando a mulher se sente incapaz, passa a achar que não é uma mãe suficientemente boa, ou que não consegue cuidar direito do bebê, sente-se culpada por algo que tenha acontecido com o bebê e por conta disso pensa ser uma mãe inadequada. São sensações que geralmente levam as mães a se afastarem de seus bebês por medo de lhe fazerem mal, mais do que por rejeição”, esclarece.

Em casos extremos, há necessidade de separar a mãe do bebê: “A separação temporária do bebê acontece apenas nos quadros muito graves, quando há risco iminente de agressão”, explica o psiquiatra Sergio.

“O parto foi traumatizante”

Tanto Mônica quanto Luciana relatam uma experiência traumática em comum: o parto. Para Mônica, o trauma de não conseguir o desejado parto natural. Depois de algumas horas no hospital, a dilatação não avançava e as dores aumentavam. “Perguntei sobre analgesia, pra fazer e tentar esperar mais dilatação, e o médico comentou que eu iria ser anestesiada sim, mas pra ir pra cesárea. Eu olhei pro meu marido, pra o médico, para a enfermeira, e senti que ninguém ali iria me esperar ou ajudar no que, para eles, era uma luta desnecessária. Nessa hora, algo se quebrou dentro de mim. Alguma coisa em mim morreu – e essa não é uma metáfora leve, é algo que vai doer pro resto da minha vida -,  e eu desisti. Deixei a dor me levar e me entreguei pra ser levada, anestesiada e cortada, ouvindo que fui ‘corajosa’, que ‘não ia dar mesmo’, e todas aquelas coisas. Chorei muito, sentia uma mistura de raiva, fraqueza, tristeza. Na primeira gravidez, eu não sabia o que esperar, o que precisava saber, o que era importante. Fui ingênua pra cesárea, então não me senti tão violentada”, resume.

Já o primeiro parto de Luciana teve todas as intervenções possíveis: administração contínua de soro com ocitocina, tricotomia, rompimento artificial da bolsa, exames de toques dolorosos e frequentes. “Não havia orientação, apoio emocional por parte das enfermeiras, nenhum tipo de alívio para dor, muito menos privacidade. Cada hora entrava uma enfermeira diferente, e apenas cortinas me separavam de outras mães. As contrações me rasgavam por dentro. Eu ouvia frases inconvenientes de outras mães, que estavam aguardando suas cesáreas agendadas. Elas diziam que estavam com pena de mim, e ouvir isso só me machucava mais. Fui anestesiada no período expulsivo. O anestesista me pedia para relaxar, e foram oito picadas na coluna até encontrar o ponto certo. Não permitiam que eu me mexesse na maca.  Teve  episiotomia também. Foi um parto sofrido para nós duas. Já em casa, eu ficava revivendo todos aqueles momentos de agonia e escutava meus próprios gritos de sofrimento e desespero. Fui diagnosticada com depressão pós parto e stress pós traumático pós parto”, conta.

Não fazia idéia da transformação que aconteceria em mim

a dona de casa Luciana Nervegna, no parto da segunda filha, Manoella: redenção (foto: arquivo pessoal)

Para Luciana, ter vivido um parto humanizado no nascimento de Manoella, sua segunda filha, foi redentor: “Quando me descobri grávida pela segunda vez, ainda estava em tratamento da depressão, ainda tomava remédios. O início da gestação foi muito difícil, tive muitos sentimentos e pensamentos negativos, temi que os sintomas voltassem. Comecei então uma terapia, para trilhar um caminho diferente”.

Ela conta que o segundo parto teve um efeito imensamente curativo em sua vida. “Foi um parto intenso, prazeroso, respeitoso, tive o apoio da minha doula e terapeuta, e do meu marido. Foi transformador viver essa experiência, ir do trauma à cura. Fiz as pazes com a minha feminilidade e pude ver que sou capaz de parir sem intervenções, permitindo que meu corpo fizesse seu trabalho, em seu tempo, de acordo com a natureza. Só tive medo de vivenciar novamente os sintomas da depressão pós-parto porque ainda não fazia ideia da transformação que aconteceria em mim”.

Encarando seus medos

Para a psicóloga Josie, é perfeitamente possível que o tipo de parto possa influenciar as experiências do pós-parto, facilitando ou não o surgimento de um estado depressivo. “O parto é o ápice da gestação, e portanto, é um momento de crise. Mas a crise não é necessariamente algo negativo, é um momento de ruptura, de transição importante, e para as mulheres, o impacto do parto é muitas vezes maior do que elas esperavam”. Ela explica que tudo que acontece no momento do parto tem implicações para a mãe e o bebê, e que se a mulher já apresenta fatores de risco para a depressão durante a gestação, é possível que a experiência de parto acabe desencadeando a doença. “Muitas mulheres se sentem frustradas ou traumatizadas, e não conseguem falar sobre isso. Não são compreendidas pelos familiares, sequer sentem que é possível falar com eles sobre isso. Essas situações ficam no imaginário da mulher, no seu universo emocional,  e podem deixá-la ainda mais vulnerável no pós-parto”.
Por isso, é importante que as gestantes entrem em contato com seus medos e angústias em relação ao parto, desde o início da gestação, ou mesmo antes de engravidar. “Preparar-se ativamente para o parto, entendendo o processo do ponto de vista fisiológico e psíquico, pensar nas escolhas que precisa fazer, na forma como quer parir, nas implicações das diferentes formas do bebê nascer, ter acesso a informações de qualidade, tudo isso pode colaborar pra que ela tenha uma experiência de parto mais satisfatória e, consequentemente, um pós-parto com menos sensações negativas”, finaliza.

Vale lembrar, contudo, que um parto feliz, em que tudo sai como esperado, não é garantia de um pós-parto igualmente tranquilo. Depressão pós-parto é doença, não é frescura, e pode acontecer com qualquer mulher, das que se viram surpeendidas por uma gravidez inesperada, àquelas que sonharam a vida inteira em tornar-se mães. E mais importante, um estado depressivo e uma tristeza insistente no comecinho da vida dos filhos não precisa ser sinônimo de maternidade não saboreada – o importante é buscar informação, apoio, ajuda profissional, e alimentar-se de muito carinho, que com um bebezinho recém-nascido nos braços, amor e muito amor é o que a gente mais precisa para ter um lindo sorriso no rosto e muita energia para encarar a deliciosa vida pós-maternidade!

 

Contato dos profissionais entrevistados:

Publicado em 08.jul.11

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Aurea Gil

Aprendo a ser mãe e mamífera todos os dias, com ajuda do meu lindíssimo filhote Samuel. Escrevo desde sempre, então um dia resolvi profissionalizar a questão e virei jornalista. Sou nerd desde que isso não era exatamente um elogio. Adoro internet, seriados enlatados e o caos da cidade grande. Questiono não por opção, mas por necessidade.

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5 comentários na matéria “Nasce uma Tristeza”

  1. Juliana disse:

    Parabéns pelo site, o visual, as abordagens, ótimo, execelente!

    Quanto á esta matéria, gostei muito principalmente pelos esclarecimentos de que nem sempre a “melancolia” normal pós parto é uma depressão e que mesmo que seja não será determinante no relacionamento com seu filho caso vc tenha consciência e coragem para buscar ajuda, deixou uma mensagem positiva e de esperança num tema que normalmente é tabu!

    1. Que bom Juliana, ficamos muito felizes de saber que deixamos uma mensagem positiva, a idéia é essa mesmo, mostrar que existem caminhos e formas de seguir em frente e reencontrar a alegria!

  2. Lu Nervegna disse:

    Penso também Juliana, que esse assunto é cercado de tabus e preconceitos; muitas pessoas acreditam que isso é frescura e “absurdo! como pode estar triste com seu bebê nos braços???” é o que muitas mulheres escutam.

    E tem também aquelas mulheres que tiveram depressão pós parto e só foram descobrir anos depois, tamanha é a falta de informação.
    Minha sogra é um exemplo; só chegou á conclusão que teve depressão pós parto (há 38 anos atrás…) depois que conversamos muito sobre o assunto e contando minha experiência e sintomas para ela foi quando ela disse: “Sabe Lu, na época eu achava que eu estava ficando louca e me culpava por não saber cuidar do meu filho como deveria. Achava que eu era preguiçosa.”
    Sinto que ela convive com as sequelas que ficaram da DPP até hoje. É uma pessoa que tem muita dificuldade em lidar com os próprios sentimentos. E para complementar, o parto dela foi desses, cheios de violência física e verbal… Acredito que uma coisa está ligada á outra. (Como no meu caso.)

    Ficou completíssima essa matéria, sensível e direta.
    E fiquei bem feliz de poder contar um pouquinho da minha história; honrada eu diria, em participar aqui deste site tão lindo e especial.
    Beijos!!
    Lu da Lorena PN e da Manoella PNatH.

    1. Lu, nós agradecemos muito sua participação e a disposição em dividir sua história. Com certeza é um tema importantíssimo que precisa muito ser abordado com clareza e sem preconceitos.
      beijo

  3. Meninas, adorei a matéria. Como mais uma vítima de uma depressão pp não diagnosticada, acho fundamental informar, para que as mulheres saibam que tem como sair daquele pântano de tristeza. Beijos!


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